sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aécio Neves une até adversários em homenagem na Bahia


Aécio Neves: "O Brasil está cansado desse radicalismo que coloca talvez os dois
atores principais da cena política brasileira do jeito que disputaram as
eleições nos últimos anos. PT e PSDB, cada um em um canto do ringue"






Homenagem com sabor de campanha eleitoral. O governador Aécio Neves (PSDB) conseguiu o que parecia impossível ontem ao receber o título de cidadão baiano na Assembleia Legislativa da Bahia. Reuniu, no mesmo lugar, dois candidatos ao governo da Bahia, o senador Paulo Souto (DEM) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), além de boa parte do grupo carlista, inimigo histórico do ministro, como o deputado federal ACM Neto (DEM) e o pai, senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM). Antes da solenidade, Aécio foi recebido no Palácio de Ondina pelo governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição. Além de ACM Júnior, os outros dois senadores da Bahia, César Borges (PR) e João Durval (PDT), que fazem parte da base do governo Lula, também compareceram.

A visita mostrou a capacidade de aglutinação do governador mineiro, que disputa com o governador de São Paulo, José Serra, a indicação para ser o candidato do PSDB à Presidência da República no ano que vem. O tom suprapartidário começou já na iniciativa de conceder o título de cidadão honorário a Aécio. A proposta foi assinada por três líderes partidários, Elmar Nascimento (PR), Leur Lomanto Jr. (PMDB) e Paulo Azi (DEM). Estavam lá, entre outros, o ex-ministro da Defesa Waldir Pires e o ex-prefeito de Salvador Antonio Imbassahy, presidente do PSDB baiano.

O discurso foi de candidato. Aécio lembrou os avanços dos governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, mas pontuou os desafios que ainda restam ser enfrentados pelo próximo presidente, entre eles a desigualdade social. “Não seremos capazes de construir um país mais justo e mais igual apenas e tão somente com políticas de transferência de renda. Devemos, é claro, fazê-lo e nos orgulhamos, nós, do PSDB, ao lado dos nossos aliados, de tê-las iniciado. Mas o alcance da equidade nos exige muito mais que isso”, disse Aécio.

Em entrevista, o governador pregou a convergência política. “O Brasil está cansado desse radicalismo que coloca talvez os dois atores principais da cena política brasileira do jeito que disputaram as eleições nos últimos anos. PT e PSDB, cada um em um canto do ringue. Quem perde as eleições se coloca de forma radical nas oposições e questões que são de Estado, reformas que são importantes para o Brasil, e não para esse ou aquele governo, são sucessivamente adiadas”, afirmou.

Descentralização O governador foi ovacionado quando criticou a centralização das decisões em Brasília, sem levar em conta as diferentes demandas regionais. “Precisamos de um projeto que liberte das amarras não apenas o Brasil do Centro-Sul, mas principalmente o Brasil do Norte e do Nordeste. Precisamos de um projeto que permita, de forma descentralizada, que cada região possa transformar suas vocações e suas competências em efetiva riqueza, distribuída de forma equânime, democrática e, portanto, socialmente justa e pacífica”, afirmou.

A solenidade teve seus momentos de descontração. Pouco antes do discurso de Aécio, o deputado Elmar Nascimento comparou o governador ao Rio São Francisco, que corre de Minas em direção à Bahia. “Conhecido como rio da integração nacional e que não permite que a serra separe a Bahia de Minas e do Brasil”, disse ele, arrancando risos da plateia. O deputado se referia à Serra do Espinhaço, mas a declaração foi interpretada como uma alusão ao governador paulista.

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