quarta-feira, 7 de abril de 2010

Governador Anastasia e prefeito Lacerda avaliam obras para a Copa do Mundo

Governador Antonio Anastasia elogiou o plano estratégico de gerenciamento



BELO HORIZONTE (07/04/10) - O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, garantiu, nesta quarta-feira (7), que os projetos de infraestrutura e urbanização desenvolvidos para a Copa do Mundo pelo Governo de Minas e pela Prefeitura de Belo Horizonte estão dentro do cronograma previsto. Antonio Anastasia elogiou o plano estratégico de gerenciamento que o prefeito Marcio Lacerda implantou, após reunião na sede da Prefeitura de Belo Horizonte.

Os investimentos visando a Copa do Mundo de 2014, segundo o governador, estão garantidos, inclusive para a construção do novo viaduto da avenida Abraão Caran.

“Nós temos dito, felizmente, que Minas Gerais, e Belo Horizonte, em especial, é a sede da Copa do Mundo que está com o seu cronograma mais em dia, não só a questão do Mineirão, mas a infraestrutura. A avenida Antônio Carlos está praticamente concluída. Os viadutos serão concluídos em mais 60 dias. Foi iniciado ainda pelo governador Aécio Neves e pelo prefeito Marcio o novo viaduto da avenida Abraão Caran, que é importantíssimo para o Mineirão. Agora, a prefeitura vai se desdobrar na questão também da avenida Pedro I. A questão do aeroporto vai se consolidando. Ou seja, nós estamos com o cronograma adequado e muito otimistas de que vamos ter condições de colocar Belo Horizonte como a abertura da Copa do Mundo”, disse o governador.

O prefeito Marcio Lacerda frisou que a parceria entre o Governo de Minas e a Prefeitura de Belo Horizonte tem permitido que essas obras avancem dentro do cronograma previsto.

Ajuda ao governo do Rio de Janeiro

Ao ser questionado durante entrevista sobre a possibilidade de apoio de Minas ao estado do Rio de Janeiro, o governador Antonio Anastasia informou que conversou no fim da tarde dessa terça-feira (6), por telefone, com o governador Sérgio Cabral manifestando solidariedade e colocando a Defesa Civil do Estado à disposição para ajudar às vítimas das fortes chuvas que afetam o estado fluminense.

“Eu falei por telefone com o governador Sergio Cabral, não só manifestando a solidariedade do povo de Minas, mas colocando-nos às ordens, se houver necessidade de algum tipo de apoio por parte da nossa Defesa Civil do Estado”, disse Antonio Anastasia.

O governador afirmou que, se solicitado algum tipo de suporte o Governo de Minas prontamente atenderá, como já ocorreu em relação a outros estados e até países, inclusive enviando equipes da Defesa Civil, como aconteceu quando das chuvas em Santa Catarina e do terremoto no Haiti.

Antonio Anastasia afirmou que em Belo Horizonte obras preventivas, como as de contenção de encostas, têm tornado a cidade melhor aparelhada para enfrentar fortes chuvas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Roberto Tross: Projeto de culinária Chefs do Amanhã abre vagas para jovens em Belo Horizonte


Roberto Tross: coordenador Especial da Juventude

BELO HORIZONTE (06/04/10) - O coordenador Especial da Juventude Roberto Tross, da Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude (Seej),anuncia que está com vagas abertas para jovens de 15 a 29 anos no curso de culinária Chefs do Amanhã. As aulas acontecerão em Belo Horizonte, nas cozinhas experimentais do Mercado Central, no Centro de Belo Horizonte, e do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), na rua Belém, nº 40, bairro Esplanada.

No CMRR ainda há vagas para a próxima turma que inicia os trabalhos nesta sexta-feira (9). No Mercado Central, o curso terá início no dia 17. Cada turma, formada por 25 alunos, terá aula uma vez por semana, com duração de quatro horas. A primeira aula será teórica e as outras três práticas, num total de 16 horas/aula. A oficina é de graça e os jovens receberão touca, avental e apostila com os pratos que serão preparados. Por mês, até junho, o Chefs do Amanhã disponibilizará 75 vagas, sendo 50 para o CMRR e 25 para o Mercado Central.

Durante a qualificação, que será ministrada por instrutores da Associação Brasileira de Gastronomia (Arborea), os jovens aprenderão técnicas de manipulação e congelamento, noções de higiene e conservação de alimentos. Dentre os pratos preparados, esfiha e sorvete de inhame, pão de casca de abóbora, pé de moleque de sementes, geleia de casca de abacaxi e salpicão da casca de melancia. Tudo baseado em consumo consciente para diminuir ao máximo a geração de resíduos sólidos.

A proposta é a de que, após participarem do curso, os jovens estejam preparados para atuar no mercado de trabalho como aprendiz de cozinheiro e também se transformem em multiplicadores da experiência na família, na escola e na comunidade.

O Chefs do Amanhã é resultado da parceria da Seej, com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), o Centro Mineiro de Referência em Resíduos e o Mercado Central.

O projeto teve inicio em 2008 e já capacitou 980 jovens e professores da rede estadual de ensino. A expectativa é que, em 2010, 600 jovens sejam beneficiados.

Escolas públicas interessadas em inscrever seus alunos podem verificar a possibilidade de realizar o curso em turmas fechadas. Elas serão realizadas no Centro Mineiro de Referência em Resíduos. Nesse caso, será oferecido transporte gratuito.

Fonte: Agência Minas

Governador Antonio Anastasia anuncia obras de infraestrutura no Noroeste mineiro


PARACATU (06/04/10) - Em sua primeira viagem pelo interior de Minas Gerias como governador do Estado, Antonio Anastasia esteve em Paracatu, região Noroeste do Estado, nesta terça-feira (6). Ele anunciou que o projeto executivo para a pavimentação da LMG-690, estrada que liga o município à Brasilândia de Minas, passando por Entre Ribeiros - uma reivindicação histórica da região -, está praticamente concluído e que espera ainda em seu mandato assinar a autorização para licitação da obra.

O governador também anunciou a assinatura do convênio com a Prefeitura de Paracatu para a construção de um Ginásio Poliesportivo. O convênio será firmado ainda neste mês, em Belo Horizonte, e contará com recursos de R$ 1,8 milhão do Tesouro do Estado. Antonio Anastasia participou da inauguração da sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Noroeste Mineiro (Amnor) e entregou uma viatura rural, que irá reforçar o patrulhamento da Polícia Militar na área rural de Paracatu.

“Pretendo assinar, ainda neste ano, o edital de licitação da obra de asfaltamento da LMG-690. O projeto já está sendo concluído e, em breve, teremos mais esta ligação pavimentada”, disse.

O governador ressaltou que esta estrada está incluída no programa Ligações Faltantes, continuidade do Proacesso e do ProMG, que irá pavimentar as rodovias que fazem as ligações entre regiões ou cidades importantes do ponto de vista econômico.

“O Noroeste mineiro é uma das regiões mais férteis não só de Minas como do Brasil, com destaque para o agronegócio, por isso a importância de melhorarmos a infraestrutura das estradas”, destacou.

Segurança

O governador Anastasia também enfatizou a relevância de investimentos nas áreas de esporte e lazer, com a construção do Ginásio Poliesportivo de Paracatu, além da atenção dada à segurança pública com a entrega da viatura à Polícia Militar.

“Paracatu possui uma área rural extensa e é uma região de fronteira, por isso deve ser muito bem acompanhada em termos de policiamento. A entrega desta viatura faz parte de um processo de melhoria constante da segurança pública dos municípios mineiros”, disse. A chave da viatura rural foi entregue pelo governador Anastasia ao coronel Geraldo Donizete Luciano, comandante da 16ª Região da Polícia Militar.

Amnor

Ao participar da inauguração da sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Noroeste Mineiro (Amnor), o governador lembrou a força do associativismo municipal em Minas Gerais e destacou a importância da parceria entre o Governo de Minas e as diversas associações de municípios.

“Nós lançamos, no ano passado, um programa de apoio em que distribuímos recursos de R$ 42 milhões para as 42 associações mineiras. Aqui, a Amnor é muito atuante e possui muita força. Os municípios do Noroeste são distantes um do outro sob o ponto de vista geográfico, mas são muito próximos em termos de cooperação e integração e isso é muito positivo. Estou aqui, em Paracatu, para prestigiar a associação e parabenizá-la pela conquista da nova sede”, ressaltou.

De acordo com o prefeito de Paracatu e também presidente da Amnor, Vasco Praça Filho, a Associação consolida, a cada dia, o processo de união dos municípios do Noroeste mineiro.

“Agradecemos ao Governo de Minas pelo constante apoio e pelos projetos que moldaram o desenvolvimento de Minas, além da atenção dada às demandas dos nossos municípios”, disse.

A sede da Associação dos Municípios da Microrregião Noroeste de Minas (Amnor) começou a ser construída no final de 2008 e recebeu investimentos de R$ 360 mil, provenientes do caixa da Amnor. Fundada em 13 de maio de 1976, a Amnor é composta, hoje, por 17 municípios: Arinos, Bonfinópolis de Minas, Brasilândia de Minas, Buritis, Cabeceira Grande, Dom Bosco, Formoso, Guarda-Mor, João Pinheiro, Lagoa Grande, Natalândia de Minas, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Vazante e Urucuia, além de Paracatu.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Governador Anastasia preside primeira reunião com secretariado

BELO HORIZONTE (05/04/10) - O governador Antonio Anastasia presidiu, nesta segunda-feira (5), no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa, a primeira reunião com o conjunto dos secretários de Estado, presidentes de autarquias e empresas estatais desde que assumiu o Governo de Minas, no último dia 31 de março. No encontro de trabalho foi definido o cronograma de ações e o acompanhamento das metas estabelecidas para 2010 em cada área de atuação do governo. O governador destacou programas da educação, saúde e infraestrutura.

Segundo Antonio Anastasia, o objetivo foi avançar em relação a última reunião realizada com o secretariado, no dia 25 de março, quando o ex-governador Aécio Neves coordenou o balanço dos programas desenvolvidos no período entre 2003 e 2009.

“Vamos dar continuidade plena a aquilo que já estava sendo realizado. Reunimos o secretariado, gerentes das empresas, subsecretários, representantes das autarquias e fundações com o objetivo de estabelecer exatamente quais são esses passos de maneira muito objetiva e responsável, mostrando as questões de ordem orçamentária, de ordem financeira, as questões procedimentais, então foi feita uma reunião bastante prática com cada área recebendo mais uma vez as suas metas e as nossas recomendações de sequência do trabalho”, afirmou o governador, em entrevista.

Prioridades

Entre as prioridades fixadas, Anastasia destacou a expansão do Programa de Ensino Profissional (PEP), que no ano passado atendeu quase 100 mil jovens mineiros e até o final de 2010 deverá beneficiar 130 mil alunos. Ele também citou a consolidação do Pro-Hosp, programa que está destinando recursos para equipar e melhorar a qualidade do atendimento nos hospitais que atendem pelo SUS no Estado.

“Temos pilares em cada uma das áreas. Nós passamos aqui, secretaria por secretaria e demonstramos o que há de mais importante, na educação, na saúde, na segurança, no meio ambiente, na cultura. Na educação, por exemplo, temos a questão do Programa de Ensino Profissional”, disse o governador. E completou: “Na questão da saúde pública, a questão do nosso Pro-Hosp, que é a interiorização e a regionalização dos nossos hospitais.”

Outra prioridade é a conclusão do Proacesso, programa que está ligando por asfalto 224 municípios que ainda não contavam com esse benefício. Desse total, 145 já estão finalizados. Segundo o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Fuad Noman, o Proacesso é um dos maiores programas sociais do Governo de Minas.

“É um programa que leva para todas as cidades o asfalto e junto com o asfalto o desenvolvimento, melhoria da renda, melhoria da educação. Por isso, ele é vitrine, é um programa que atinge a plenitude da população da região atendida”, disse Fuad Noman.

Gestão de qualidade

Anastasia afirmou que a gestão pública de qualidade, marcada pelo planejamento das ações e a destinação correta dos recursos públicos também é prioridade do Governo de Minas.

“Durante esses anos todos, Minas Gerais se marcou por ser um estado muito bem planejado e cujas metas alcançadas foram referendadas pelo Banco Mundial. Tornou-se um caso mundial, um exemplo mundial da boa gestão pública. Então, nós vamos dar continuidade a isto e os secretários estão muito empenhados e motivados”, disse ele.

O governador convocou secretários, presidentes das estatais e autarquias a seguir desenvolvendo ações e programas que visam melhorar a qualidade de vida dos mineiros com firmeza e responsabilidade.

“O mais relevante de tudo que foi feito nos últimos sete anos, de toda revolução em curso no Estado de Minas Gerais é o patrimônio moral, é a lisura e a ética que fizeram esse governo ter credibilidade dentro e fora do país. Vamos continuar trabalhando com firmeza e responsabilidade para concluirmos bem esse ano e mostrarmos para a população que avançamos muito”, disse o governador.

Recursos garantidos

De acordo com Anastasia, os recursos para obras e ações a serem desenvolvidas estão garantidos no orçamento de 2010. Ele afirmou também que todas as ações terão acompanhamento, através de reuniões periódicas que serão realizadas com o secretariado, para garantir o cumprimento dos prazos estabelecidos.

“Com referência ao acompanhamento, é periódico, já marquei uma nova reunião para o mês de junho. Vamos fazer essas reuniões de três em três meses para acompanhar isso. Sem prejuízo das reuniões dos comitês, que são aqueles grupos menores que reunimos em relação a alguns assuntos. Hoje pela manhã mesmo presidi uma reunião de comitê e isso vai continuar. Volto a dizer, é o chamado gerenciamento intensivo, que marca positivamente o nosso governo”, disse Anastasia.

Fundação Clóvis Salgado abre temporada 2010 do Terças Poéticas


Nesta terça-feira (6), os jardins internos do Palácio das Artes recebem a primeira edição do ano do projeto Terças Poéticas. Para abrir a temporada 2010, o projeto se uniu ao Instituto Cervantes para apresentar a performance inédita do espanhol Doménico Chiappe. Às 18h30, o poeta das imagens, como Chiappe é conhecido, divide o palco com o mineiro Marcelo Costa Baiotto. A entrada é franca.

Em 2010, quando o projeto completa cinco anos de existência, o Terças Poéticas vai fazer ainda homenagens aos poetas e escritores da literatura brasileira que deram nomes aos viadutos da Linha Verde. Na edição de estreia do projeto este ano, referências a Carlos Drummond de Andrade, Henriqueta Lisboa e Abgar Renault.

Somente no último ano foram mais de 30 apresentações de poetas consagrados no terças Poéticas, como Afonso Ramos de Sant’Anna e os músicos Márcio e Telo Borges. O palco montado nos jardins internos recebeu também os mineiros classificados pelo edital lançado em 2009: Hudson Carlos de Oliveira (Ice Band), Brenda Marques Pena, Eder Rodrigues, entre outros. Além de declamar as próprias poesias, todos os convidados homenagearam nomes que fazem parte da história da literatura. Em 2009, foram reunidas mais de três mil pessoas nas apresentações do projeto.

Para o coordenador do projeto, Wilmar Silva, com a expansão nacional e internacional do projeto Terças Poéticas, a poesia de Minas Gerais se coloca em diálogo frontal com autores do Brasil e do exterior, realizando as mais diferentes experiências de linguagens poéticas nos jardins internos do Palácio das Artes. Wilmar adianta que em 2010 será lançado mais um edital para seleção de novos poetas mineiros, além de um livro com obras e biografias dos artistas que já passaram pelo projeto.


sábado, 3 de abril de 2010

Aécio Neves: “Tenho orgulho de ser político”

O tucano Aécio Neves confirma que concorrerá ao Senado,
aponta as maiores fragilidades do discurso petista e diz
que é vital recuperar a dignidade da atividade política

"É preciso implantar a meritocracia
na administração federal, e o PT
simplesmente não quer, não sabe
e não pode fazê-lo"

Em obediência à lei eleitoral que requer a desincompatibilização de políticos em posições executivas que pretendem concorrer nas próximas eleições, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de 50 anos recém-completados, passou, na última semana, o cargo a seu vice, Antonio Anastasia. Aécio saiu com 92% de aprovação da população mineira. A marca impressionante é resultado da administração de um governador que apostou tudo na meritocracia e, com ela, melhorou bastante todos os indicadores sociais, econômicos e educacionais do seu estado. Essa quase unanimidade em um colégio eleitoral de 14 milhões de votos faz dele o vice dos sonhos do candidato do PSDB ao Planalto, o governador paulista José Serra. Mas Aécio acredita que ajuda mais como candidato ao Senado por Minas Gerais. Disse Aécio a VEJA: “A aprovação do meu governo é a prova maior de que os resultados de uma gestão eficiente se impõem sobre o messianismo da era Lula”.

A que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
As pessoas sabem o que é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons
resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.

Os eleitores entendem o conceito de “choque de gestão”?
Quase todo mundo percebe quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias, com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças, o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita, um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.

A máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez para mudar essa realidade?
Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas, todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição de todos os tipos de crime.

O desafio do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal é um mal que precisa ser
erradicado.

Quais são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra?
Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente.

Nas últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá o mesmo neste ano?
Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo, repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista. Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.

A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
Sem dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.

A ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva. Isso preocupa o PSDB?
A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o governador Serra vai ser muito difícil para ela.

Na sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?

Qual é o seu palpite?
Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão.

E o PSDB, falará de quê?
Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente
não quer, não sabe e não pode fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como obtê-los também no nível federal.

O senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.

Se vencer a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
Eu prefiro mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria a depurar o Parlamento.

O senhor, um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda deve almejar chegar à Presidência, não?
Eu tenho muita vontade de participar da construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.

Mas o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
Está, mas é preciso acelerar a nossa chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino do que projeto.

Entrevista revista VEJA

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aécio se despede do governo com um "até breve"

Cerimônia não teve balanço de ações e é marcada pela emoção e pompa

AMÁLIA GOULART

"Há poucos dias, quando inaugurava a nova sede do governo de Minas, encerrei minhas palavras retirando das cordas mais profundas da minha alma o sentimento que me une a Minas e aos mineiros. É com este sentimento que me despeço de cada um de vocês, não com um adeus, mas com um até breve, pois: Minas é minha causa, minha casa, minha pátria. E aqui, nesse chão, somos todos irmãos!". Essas foram as últimas palavras de Aécio Neves (PSDB) como governador de Minas Gerais. Do alto da sacada do Palácio da Liberdade, ele se despediu ontem do cargo. Ao lado de artistas, prefeitos, deputados e toda uma claque de políticos, o tucano passou o posto a Antonio Anastasia (PSDB), seu vice e pré-candidato à sucessão estadual. O tucano se desincompatibilizou para concorrer a uma vaga no Senado.

Os últimos minutos de Aécio como governador foram de expectativa. Um forte temporal que caiu na capital mineira, no momento da transmissão do cargo, às 15h, ameaçou o cancelamento do evento. Populares, que se aglomeravam na porta do Palácio da Liberdade, se retiraram do local. Depois de almoçar no Palácio das Mangabeiras, Aécio dirigiu-se à praça da Liberdade. Por volta de 16h30 as águas deram trégua.

Emocionado, Aécio quebrou o protocolo e permitiu que Anastasia fosse o primeiro a discursar. O governador empossado agradeceu ao padrinho político e disse que não se tratava de uma despedida, mas de uma festividade. "Neste momento, nosso sentimento é um misto de saudade antecipada e de imensa alegria de ter podido participar, sob sua liderança, deste mutirão realizado a favor de Minas Gerais e de seu povo", disse Antonio Anastasia.

Aécio, passou o Grande Colar da Inconfidência para Anastasia, e, ao lado da filha, se despediu dos mineiros. "Obrigado pelo afeto com que sempre fui recebido por onde andei e pela enorme confiança depositada em minhas mãos. Obrigado Minas, muito obrigado!", disse Aécio com voz embargada.

O tucano disse que não faria balanço de seu governo, pois tinha certeza que os mineiros sabiam a dimensão do seu trabalho. Acompanhado de ex-governadores, Aécio fez referência especial a Itamar Franco (PPS). Também lembrou do seu avô, Tancredo Neves. O tucano disse que aprendeu com ele a fazer política. "Aprendi, com o presidente Tancredo, que ela é também a forma mais honrada de exercer a solidariedade", disse Aécio.

Após o discurso, Aécio Neves ouviu a banda do projeto social Valores de Minas tocar a música "Amigo de Fé", de autoria de Roberto Carlos. Por fim, desceu a escadaria do Palácio da Liberdade e atravessou a praça em um tapete vermelho.

Aécio Neves deixou o governo sete anos e meio após ter assumido o cargo.

Ex-governador terá agenda intensa após deixar o governo
[RET_TEXTO_A]Aécio Neves (PSDB) deixou o cargo ontem para concorrer a uma cadeira no Senado Federal. O tucano pretende participar de evento católico em São João Del Rei, amanhã. Depois, comparece no lançamento da pré-candidatura de José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, ao Palácio do Planalto. O evento está marcado para o dia 10 deste mês.
Aécio Neves pretende tirar cerca de 10 dias de férias. Fará viagem pessoal. Em seguida, retorna a Belo Horizonte onde montará um escritório político.
O mineiro já disse que pretende participar de inaugurações de obras realizadas em sua gestão. Vai acompanhar o novo governador, Antonio Anastasia (PSDB).
O tucano promete empenho para eleger seu sucessor em Minas. Também já disse que trabalhará pela eleição de Serra.
O mineiro deixará o governo, mas não deve deixar de se assediado por seu partido, especialmente da ala paulista, para que seja vice-candidato à Presidência na chapa de Serra. (AG)

Homenagem
Artistas. Luciano Huck, Cristiane Torloni, Maitê Proença, Ziraldo, Alcione, Fagner, Odilon Wagner, Zico e Rogério Flausino. Estes foram os artistas que participaram da cerimônia de transmissão de cargo ontem.