sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Newton Cardoso e Hélio Costa

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Artistas cantam "Somos Minas Gerais"

Em Minas, Lula evita confronto com Aécio Neves para favorecer Hélio Costa e abre crise no comitê do PMDB


Lula rejeita ideia de medir forças com Aécio por Hélio

A reação de Antonio Anastasia (PSDB), candidato de Aécio Neves ao governo de Minas, abriu uma crise no comitê de Hélio Costa (PMDB).

Ministro das Comunicações até abril, Hélio reivindica uma injeção de Lula em sua campanha.

O vice de sua chapa, Patrus Ananias (PT), ex-ministro do Bolsa Família, compartilha da mesma opinião. Para os dois, só Lula pode, a essa altura, estabelecer um contraponto à presença de Aécio na campanha rival.

Ouvido, Lula se dispôs a ajudar, mas rejeitou a idéia de travar com Aécio uma guerra de prestígio em Minas. Aécio não mede esforços. Chegou a gravar um pedido de voto que o comitê de Anastasia leva aos ouvidos do eleitorado mineiro pelo telefone.

O time de Hélio desejava que Lula fizesse o mesmo. O presidente torceu o nariz. Disse que a esse ponto não chegaria. Recordou que já havia gravado mensagem de apoio para a propaganda eletrônica de Hélio Costa. Desejava-se que fizesse nova gravação. Na peça, mais do que expressar apoio à chapa PMDB-PT, pregaria contra Anastasia e o PSDB de Aécio.

Lula, de novo, levou o pé atrás. Disse que prefere fazer campanha a favor, não contra. Por último, solicitou-se do presidente que participasse, junto com a presidenciável petista Dilma Rousseff, de uma série de atos de campanha em Minas.

Por ora, Lula topou participar apenas de mais um comício mineiro, provavelmente na quinta-feira (9) da semana que vem. Nesta terça (31), em meio ao curto-circuito que o crescimento de Anastasia provocou na campanha de Hélio, PMDB e PT reuniram-se em Brasília.

Hélio foi representado no encontro por Michel Temer, presidente do PMDB federal e candidato a vice na chapa de Dilma. Pelo PT, além de Patrus Ananias, o presidente da legenda, José Eduardo Dutra. Produziu-se na conversa mais diagnóstico do que receita.

Constatou-se o obvio: dá-se em Minas algo semelhante ao que se passa na cena nacional. O eleitor parece pender para a continuidade. A exemplo do governo Lula, a administração mineira de Aécio dispõe de alto índice de aprovação.

Em âmbito estadual, Aécio rivaliza com Lula em termos de popularidade. E converte o prestígio pessoal em votos para Anastasia. Assim como Lula faz com Dilma. Aécio diz que, no Estado, o discurso da continuidade que Lula esgrime no Brasil joga a seu favor. As pesquisas indicam que o tucano tem razão.

Do ponto de vista de Lula, o objetivo prioritário já foi alcançado em Minas: Dilma ultrapassou nas pesquisas do Estado o rival José Serra. Curiosamente, o presidente parece enxergar o caso de São Paulo de maneira diversa. Ali também Dilma já está à frente de Serra. Porém…

Porém, Lula decidiu tonificar sua presença na campanha estadual de Aloizio Mercadante, que mede forças com outro tucano, Geraldo Alckmin. Para o presidente, parece mais prioritário o esforço para dobrar a espinha do tucanato em São Paulo do que em Minas. Natural.

Alckmin é um tucano de bico mais duro que o de Aécio. Num eventual governo Dilma, tende a causar mais problemas. De resto, São Paulo é o berço do PT. E Alckmin foi o adversário de Lula na sucessão de 2006. Há na atmosfera um quê de revanche.


Fonte: Josias de Souza – Folha de S. Paulo

Correio Braziliense: “Nunca vi tanto amadorismo, provincianismo. Não tem 100 prefeitos que apoiam a candidatura do Hélio Costa”


Cavalo paraguaio

A reunião de Patrus Ananias, vice de Hélio Costa (PMDB), com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, foi um desdobramento de um encontro ocorrido na segunda feira que serviu para lavar a roupa suja entre PT e PMDB. Segundo uma fonte da cúpula nacional petista, o clima da reunião foi bastante tenso, com acusações de ambos os lados sobre a responsabilidade do crescimento de Antonio Anastasia(PSDB) na corrida pelo Palácio da Liberdade. Segundo essa fonte, os petistas classificaram o desempenho de Costa como o de Um “cavalo paraguaio”. “Percebeu-se que nós vamos perder em primeiro turno e ninguém sabe o que fazer”, disse um petista.O PT também reclamou da falta de mobilização dos peemedebistas na campanha.

“Nunca vi tanto amadorismo, provincianismo. Não tem 100 prefeitos que apoiam a candidatura do Hélio Costa”, afirmou essa fonte. Na lavação de roupa suja sobrou também para o marqueteiro Duda Mendonça, que foi responsabilizado pela incapacidade de o programa eleitoral ter contribuído para a diminuição da vantagem que Costa exibe nas pesquisas de intenção de votos para Anastasia.

A principal crítica é tentar mostrar ao eleitor que o vice Patrus será protagonista no próximo governo. “Ninguém vota no vice. Isso só mostra a fraqueza do titular”, afirmou um outro petista. O ex-ministro José Dirceu também entrou na negociação para tentar criar uma estratégia de contra-ataque. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que apoia Dilma e Anastasia, disse que vai ser inaugurado um comitê Dilmasia na capital em 8 de setembro, um dia antes da provável visita de Lula. Lupi fez campanha para o tucano e a petista na segunda feira e acabou enquadrado. Temer negou falta de sintonia entre PT e PMDB. “O Hélio ainda está na frente, vamos esperar 3 de outubro”, afirmou.


Fonte: Correio Braziliense – 01/09/2010

Dilma abandona o barco de Hélio Costa em Minas: Não tenho pretensão nenhuma de resolver situação eleitoral em lugar algum, disse


Dilma, em relação aos aliados em Minas e São Paulo, diz que não tem pretensão de resolver situação eleitoral em lugar algum

BRASÍLIA. Sob pressão para tentar mudar o quadro, junto com o presidente Lula, das disputas em Minas e São Paulo, a candidata Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que não tem pretensão de resolver a dificuldade de aliados nas disputas regionais. Em Minas, o senador Hélio Costa (PMDB) foi ultrapassado pelo governador tucano Antonio Anastasia no Ibope. Em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) está distante do ex-governador tucano Geraldo Alckmin. Dilma prometeu empenho, mas relativizou sua influência.

- Eu sou mais modesta. Não acho que eu resolvo o problema. Eleição é uma coisa que tem suas características. Cada estado tem a sua característica. Não tenho pretensão nenhuma de resolver situação eleitoral em lugar algum – disse a candidata. – Tenho a pretensão de fazer campanha e de ajudar aqueles que são meus parceiros. Sem achar que eu tenho esse poder, eu vou me empenhar tanto na eleição de São Paulo como na eleição de Minas. Mas não vou descuidar de outros estados.
A afirmação de Dilma foi interpretada como recado para os aliados diminuírem a cobrança. Na mesma linha, Lula mandou recado de que não vai aceitar pressão ou ser responsabilizado por eventuais derrotas de aliados. Mesmo sobre possíveis derrotas de candidaturas forçadas pelo PT e pelo Planalto, Lula não aceita cobrança. O presidente fará esforço pelos aliados nos estados no limite em que esse empenho não prejudique a candidatura de Dilma.

A coordenação nacional identificou que cresceu no eleitorado mineiro e até mesmo entre os prefeitos de Minas o voto “Dilmasia”, em Dilma e Anastasia. Diante disso, avalia-se que é preciso ter cuidado com a forma como Lula atuará em Minas. Segundo um ministro, o mesmo cuidado ocorrerá em outros estados. Em São Paulo, já foi identificado o “Dilmin”, voto em Dilma e Alckmin. A preocupação é encontrar o tom para não abandonar Mercadante, que só saiu candidato a pedido de Lula.


Fonte: Gerson Camarotti – O Globo