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segunda-feira, 7 de março de 2011

TRE-MG pode tornar Hélio Costa inelegível por uso de telefones do escritório de Furnas em BH durante pré-campanha

so da máquina

Fonte: Fernanda Krakovics – Panorama Político – O Globo

Telefones do escritório de Furnas em Belo Horizonte, feudo do PMDB, foram usados para fazer ligações para líderes do partido na pré-campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas, no ano passado. Em uma amostra de três contas, há 45 interurbanos para caciques locais em maio, quando o ex-ministro promovia videoaulas para mobilizar a militância. O PSDB pede na Justiça a inelegibilidade de Costa e de seu vice, Patrus Ananias (PT), que foram derrotados nas eleições.

Telemarketing de Furnas

O TRE de Minas mandou Furnas entregar a lista dos telefones do escritório, inclusive celulares, e cobra da Telemar as contas de maio a setembro, para checar se a prática continuou na campanha. Entre os destinatários das ligações há vereadores, candidatos, presidentes regionais do PMDB e o tesoureiro da campanha, Célio Mazoni. Furnas afirma que, tão logo soube da irregularidade, demitiu o responsável: Sinval Ladeira, então coordenador do Luz para Todos no Sudeste. Em 2006, ele tentou, sem sucesso, eleger-se deputado estadual pelo PDT. Dispensado de Furnas,
foi trabalhar de vez na campanha de Hélio Costa.

“Brasília
“Devo muito ao Sinval, porque foi ele quem organizou todas as minhas campanhas. Se hoje sou senador, devo isso a ele” — Hélio Costa, no lançamento da candidatura de Sinval Ladeira, em 2006, em matéria publicada na “Folha de Contagem”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

TRE-MG desaprova contas de campanha de Hélio Costa para Governo de Minas nas eleições de 2010


Fonte: Tribunal Regional Eleitoral de Minas

Campanha de Hélio Costa, que fez dobradinha com Patrus Ananias (PT) como vice na chapa, deixou uma dívida de R$ 3,8 milhões com fornecedores e prestadores de serviços

Clique aqui e veja o relatório completo: TRE-MG desaprova contas de Hélio Costa

Reprodução do parecer final do TRE-Minas:

“As ocorrências que revelam indício de fraude somam a quantia de R$153.794,31. A estas ocorrências, no entendimento desta Unidade Técnica, não se aplica o conceito e limite de irrelevância, estabelecido no ad. 30, § da Lei n° 9.504197, mas sim caracterização de uso de recursos financeiros pare pagamento de pastas não provenientes da conta especifica de campanha, configurando-se a ilicitude prevista no art, 22, § 3°, do mesmo diploma legal. Por todo o exposto, impõem-se a desaprovação das comas de Helio Calixto da Costa, candidato ao cargo de governador pelo PMDB-MG.”


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Folha: “Assessor de Hélio Costa, que dirigiu Comunicações, recebeu autorização gratuita para instalar emissora de rádio”

Aliado de ex-ministro ganha concessão


Assessor de Hélio Costa, que dirigiu Comunicações, recebeu autorização gratuita para instalar emissora de rádio

Atual titular da pasta, José Artur Filardi diz desconhecer vínculo e que o senador não participou da decisão

O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, autorizou concessão gratuita de uma rádio FM à Fundação Educativa Cultural Dona Beja, em Paracatu (MG), que tem como vice-presidente o assistente parlamentar do senador Hélio Costa (PMDB-MG) Murilo Santana Pereira.

Filardi disse que desconhecia o vínculo entre a fundação e o assessor, e que “pensa” em anular a outorga para não prejudicar o senador e ex-ministro da pasta.

Filardi sustenta que Hélio Costa não participou da decisão nem sabia da ligação do assessor com a fundação.

O ministro disse que após ser procurado pela reportagem obteve a confirmação de que o dirigente da fundação tem cargo no gabinete.

O Senado diz que Pereira está lotado no gabinete de Hélio Costa em Belo Horizonte desde novembro de 2007.

A portaria de concessão da rádio à Fundação Dona Beja foi publicada no “Diário Oficial” em 8 de dezembro, a 22 dias do fim do atual governo.

Filardi disse que a fundação entrou com o pedido de concessão no Ministério das Comunicações em 2006. “Autorizei porque a documentação era regular”, disse.

Filardi disse que a fundação era representada nas reuniões no ministério por Lafaiete Pereira Leitão, a quem conhecia como radiodifusor de Paracatu. Ele é pai do assessor Murilo Pereira.

Lafaiete Leitão confirmou que o filho tem cargo de comissão no gabinete de Costa em Minas. Ao ser procurado pela reportagem, reagiu com uma: “Me diga, jornalista, isso é ilegal ou imoral?”.

A Folha não conseguiu localizar Costa. Segundo informação de seu gabinete, em Brasília, ele estaria no interior de Minas Gerais, com o celular desligado.

“Para mim, como meu filho está vinculado ao Senado e não ao Ministério das Comunicações, não há problema algum”, afirmou.

PASSADO
Mineiro de Barbacena, Filardi é pessoa de confiança de Costa, tendo sido seu chefe de gabinete no Ministério das Comunicações, de 2005 a março deste ano.

A relação entre os dois é tão estreita que foi para Filardi que Costa transferiu sua rádio Sucesso FM, de Barbacena, quando foi impelido pela Comissão de Ética Pública, em 2005, a se desfazer da emissora para prevenir conflitos de interesse.

Segundo o ministro, desde que assumiu o cargo, em 31 de março, autorizou 14 concessões de rádios FM educativas e duas de TV.

Só a EBC (Empresa Brasil de Comunicação, que gere a TV Brasil) recebeu cinco rádios que operarão no AC, em MS, em MT, no RJ e no RS.

Outras concessões de rádios foram outorgadas para as fundações Lider Brasil (RN), Educadora São José (AP) e Humberto Reis da Silveira (PI).

O ministério, porém, não soube informar a quem estão vinculadas as duas primeiras. A terceira fundação pertence à Assembleia Legislativa do Piauí.

As concessões de TV educativas foram para a Assembleia Legislativa da Bahia e para a Fundação Vicentina Lucena, do Ceará.


Fonte: Elvira Lobato – Folha de S. Paulo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ethevaldo Siqueira volta a criticar Hélio Costa e envia carta a Paulo Bernardo, para ele Ministério virou repartição sem importância


Carta ao novo ministro

Prezado ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. A única vez em que conversamos foi em 1994, em Foz do Iguaçu, no Semint (Seminário Internacional de Telecomunicações), evento que se transformou no Futurecom.

Com a única credencial de jornalista que cobre os setores de Comunicações e de Tecnologia da Informação há 43 anos, ouso dar-lhe, mesmo 26 dias antes de sua posse, as sugestões e os conselhos que se seguem:

1. Não perca esta oportunidade histórica, ministro. Resgate o papel e a importância do Ministério das Comunicações, hoje esvaziado e reduzido a uma repartição sem nenhuma importância. Nos últimos cinco anos, as discordâncias entre o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, e a cúpula petista do Planalto acabaram levando um grupo palaciano, integrado, entre outros, por Rogerio Santanna, seu ex-secretário de Logística do Ministério do Planejamento, e Cezar Alvarez, ex-assessor do presidente Lula, a assumir a dianteira na formulação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e da reativação da Telebrás.

2. Não permita que o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sejam postos à margem da discussão dos grandes temas, como aconteceu com o PNBL, a Telebrás e o anteprojeto da Lei da Comunicação Eletrônica.

3. Essa lei é uma prioridade nacional, ministro. Assim, se o senhor quiser servir realmente ao País, lute por um novo marco regulatório que englobe todas as formas de comunicações (telefonia, radiodifusão, correios, TV por assinatura, internet e outras formas de comunicação eletrônica), sob o guarda-chuva de uma única agência reguladora, a Agência Nacional de Comunicações (Anacom), dirigida por profissionais competentes e íntegros. Essa é a tendência mundial.

4. O modelo institucional deste grande setor, ministro, exige atenção especial. Não perca este momento especial de sua vida política, agindo como a maioria dos políticos que ganham um ministério e só pensam em barganhas político-partidárias, no seu interesse pessoal ou partidário.

5. O Brasil espera muito de seu trabalho, ministro. Pense grande, portanto, e leve avante esse projeto de reestruturação institucional do setor. Cabe à sua Pasta conduzir e coordenar os debates e o encaminhamento do projeto da futura Lei Geral das Comunicações.

6. Não aceite o loteamento político-partidário que vigorou até aqui nem esqueça o que se passou no Correio, nos últimos anos. Depois de recuperado desde os anos 1970 e transformado numa instituição modelar até o início do primeiro mandato do presidente Lula, o Correio foi assaltado por um bando de delinquentes.

7. Procure fortalecer e prestigiar a Anatel, enquanto o País não contar com a futura Anacom (Agência Nacional de Comunicações), altamente profissionalizada, órgão que deverá harmonizar as relações entre a radiodifusão e as teles – em lugar de acirrar as discordâncias entre as duas áreas. E, como tarefa básica, exija que a agência fiscalize o setor e defenda com mais vigor o usuário e a sociedade.

8. Dialogue com todo o setor, ouça especialistas de renome e independentes, negocie planos de cooperação com as operadoras privadas, para formular políticas públicas.

9. O Brasil tem hoje mais de 120 telefones por 100 habitantes. Há mais celulares do que gente. A internet alcança mais de 70 milhões de brasileiros, 30 milhões dos quais em banda larga. Mas nem tudo vai bem, ministro. Temos que pensar na qualidade dos serviços e nos padrões de atendimento.

10. Lute pela desoneração fiscal dos serviços que utilizam a banda larga e a própria telefonia, que pagam mais de 40% de tributos aos governos estaduais e à União.

Com a manutenção desse ônus, será pura hipocrisia falar em prioridade governamental da banda larga.

11. Lute também, ministro, contra o confisco dos fundos setoriais, como Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust), o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e o Fundo de Tecnologia das Telecomunicações (Funttel). Ao longo dos últimos 10 anos, o governo federal surrupiou mais de R$ 30 bilhões desses fundos.

12. Pense no quadro dramático da Radiodifusão, sem uma legislação moderna, disputada por políticos e igrejas, que não querem servir à população com informação confiável, entretenimento saudável e mais cultura, como prevê a Constituição,

13. Nunca pense em censura nem em controlar o conteúdo. Aja com rigor, sim, a posteriori, contra todos os abusos da comunicação eletrônica. Não dê ouvidos aos autoritários imaturos que falam em “controle social da mídia”, como suposta forma de “democratização dos meios de comunicação”.

14. Em lugar de controlar o conteúdo da mídia, controle a corrupção, ministro. Essa é a grande esperança do povo brasileiro. Estamos cansados de promessas vazias, de frases demagógicas, de mentiras.

15. Por fim, ministro, procure dialogar com todos os segmentos, antes de tomar decisões mais importantes de seu Ministério.

Amplie o debate dos grandes temas setoriais e não deixe essa tarefa exclusivamente nas mãos de companheiros de partido, pois eles querem, quase sempre, defender interesses e posições no setor de telecomunicações.

Minha grande surpresa e alegria, ministro Paulo Bernardo, será saber que o senhor se sensibilizou por algum dos pontos aqui alinhavados.


Fonte: Artigo -Ethevaldo Siqueira – Estado de S. Paulo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Merval sobre o ‘blocão’: o que o PMDB e seus seguidores querem é pelo menos manter essa partilha de poder do jeito que Lula deixou, diz


O blocão


Por que será que o PMDB nunca pensou em montar um bloco de centro-direita durante o governo Lula como o que está montando agora quando a presidente eleita, Dilma Rousseff, começa a decidir a formação de seu Ministério? Porque ninguém sabe o que vai predominar na engenharia política que está sendo montada, talvez a duas cabeças, para a futura administração petista. No governo Lula, nenhum dos partidos da base governista tentou uma rebelião branca porque primeiro Lula era maior não apenas que o PT, mas também que o PMDB e os demais partidos de sua base.

Sobretudo, porém, porque todos confiavam que Lula enquadraria o PT para abrir espaço no seu governo, cujo objetivo maior sempre foi eleger Dilma Rousseff.

Agora, cada um trata de cuidar de si até que a nova presidente dê o ar de sua graça e mostre aos aliados quem é que manda no seu governo, qual será a linha de atuação.

O PMDB começou a se mexer quando sentiu o cheiro de carne queimada na disputa das presidências da Câmara e do Senado.

Tendo perdido nas urnas a prerrogativa de ser a maior bancada da Câmara por nove deputados – o PT elegeu 88 deputados contra 79 do PMDB -, os peemedebistas já tentavam um acordo de cavalheiros com o PT para um rodízio na Câmara, a exemplo do que fizeram na legislatura anterior.

Mas como na nossa política faltam cavalheiros, o PT lançou a ideia de fazer o rodízio também no Senado, o n d e o PM D B t e m u m a maioria incontestável: tem 20 dos 81 senadores, enquanto o PT tem 14.

Ao mesmo tempo, o PMDB passou a ver a disputa dentro do próprio PT do grupo comandado pelo exdeputado José Dirceu, que tenta barrar a ida do ex-ministro Antonio Palocci para um posto de importância dentro do governo, ainda mais se for dentro do Palácio do Planalto, como a chefia do Gabinete Civil ou uma Secretaria-Geral turbinada.

Essa briga de foice no escuro, que está sendo travada neste momento, será o primeiro sinal que os políticos e o público de maneira geral receberão sobre as tendências do futuro governo Dilma.

Por enquanto, tudo indica que as ideias defendidas por Palocci quando estava no Ministério da Fazenda vão prevalecendo, e o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que era seu aliado naquele momento na tentativa de conter custos do governo, continua sendo o porta voz das mesmas ideias, até o momento sem ser contestado por ninguém do futuro governo.

Há também indicações de que a postura, digamos, mais proativa do ministro da Comunicação Social Franklin Martins a favor de um maior controle social dos meios de comunicação, anunciando até mesmo um confronto se necessário para a regulamentação das telecomunicações, não está de acordo com o que a presidente eleita quer em matéria de relacionamento com os meios de comunicação.

Nos dois casos, a presidente eleita tem emitido sinais que contradizem sua atuação como ministra no Gabinete Civil, o que pode indicar que, uma vez eleita, as imensas responsabilidades do cargo passaram a ditar seus compromissos, e não um eventual voluntarismo que porventura guiasse suas decisões anteriormente.

O blocão formado por PMDB, PP, PR, PSC e PTB, com 202 deputados federais no total, é uma demonstração de que uma eventual tendência esquerdista não terá respaldo no Congresso, mesmo que na teoria o governo tenha o domínio de praticamente 70% daquela Casa, com o apoio de dez partidos políticos de peso: PT (88), PMDB (79), PP (41), PR (41), PSB (34), PDT (28), PTB (21), PSC (17), PCdoB (15), PRB (8).

A formação desse agrupamento político de centro-direita, com o vice-presidente eleito Michel Temer como coordenador informal das negociações parlamentares, não apenas deixa o PT isolado com seu grupo de esquerda tradicional (PCdoB, PDT, PSB) como demonstra que a vitória petista nas urnas não significa que haverá apoio político para um governo de esquerda que radicalize em pontos polêmicos como, por exemplo, os incluídos no Programa de Direitos Humanos.

Também na questão puramente fisiológica há uma barreira às intenções petistas de ampliar seus poderes para cima dos aliados.

O PT quer não apenas a Presidência da Casa, mas quer de volta ministérios que perdeu no segundo governo Lula para que a aliança governista acomodasse os representantes de outros partidos.

Mas o que o PMDB e seus seguidores querem é pelo menos manter essa partilha de poder do jeito que Lula deixou, o que quer dizer que o PP quer manter o Ministério das Cidades, o PMDB o de Minas e Energia e o PR o de Transportes, todos na suposição de que haverá mais investimentos nos próximos anos.

O PT encontrará também uma reação forte de um antigo aliado, o PSB, que foi o partido da base que mais cresceu proporcionalmente nas últimas eleições e não se conforma mais em ser apenas um apêndice do PT.

O PSB pode ser um apoio importante para o governo Dilma, mas já demonstrou que está disposto a abrir seus próprios caminhos ao iniciar negociações com o PSDB de Aécio Neves, que terá um papel fundamental no Senado, justamente a Casa em que o presidente Lula se esforçou para derrotar a oposição na tentativa de
evitar que o governo encontre as resistências que ele teve que enfrentar.

Mas a primeira iniciativa já foi bombardeada, mesmo com a oposição enfraquecida: a criação da CPMF, supostamente para ajudar a Saúde, está sendo rejeitada com vigor pela sociedade e dificilmente voltará a existir sem que algum gesto seja feito para desonerar o contribuinte do peso já alto da carga tributária.

Tudo indica que a real fonte de oposição ao governo Dilma estará dentro da própria base governista, que tem uma maioria de centro-direita espelhada nesse blocão organizado pelo PMDB que certamente se esforçará para moldar a atuação do governo.


Fonte: Merval Pereira – O Globo

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ex-aliado de Hélio Costa nos Correios dispara contra o ex-chefe e diz que ações deliberadas eram para ‘sucatear’ a estatal


Ex-diretor acusa governo de agir para sucatear Correios

Um ex-diretor dos Correios acusa o governo de ter suspendido investimentos e contratação de pessoal na estatal para forçar a abertura de capital da empresa e favorecer o setor privado.

A acusação foi feita em entrevista à Folha pelo ex-diretor de Gestão de Pessoas Pedro Magalhães Bifano, 53, demitido em julho, no auge da disputa entre PT e PMDB pelo comando da autarquia.

No ano passado, os Correios tinham mais de R$ 4 bilhões disponíveis entre recursos em caixa e aplicações em bancos e títulos do Tesouro Nacional, um crescimento de 60% em relação a 2006.

Apesar de ter dinheiro em caixa, os Correios atravessam uma das piores crises de sua história, a ponto de beirar um “apagão postal”, com atrasos na entrega e sumiço de correspondências.

Bifano aponta uma ação deliberada do ex-ministro Hélio Costa (Comunicações) e do ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio para “sucatear” a estatal.

Segundo ele, o objetivo era transformar a autarquia em sociedade anônima para “sair da 8.666 [Lei de Licitações]“. “Eles queriam que os Correios fossem sócios de empresas privadas”, disse.

Costa e Custódio rebatem as acusações e dizem tratar-se de uma “maldade” do ex-diretor. “Não vou responder a um funcionário demitido dos Correios”, disse o ex-ministro das Comunicações.

“Ele [Hélio Costa] ficava segurando [os gastos], não deixava contratar carros, não deixava contratar aviões, não deixava eu contratar funcionários, para mostrar que o atual modelo não dava. E nós, com R$ 4 bilhões aplicados em caixa. Podia comprar avião, precisava contratar 10 mil funcionários, precisava comprar 2.000 carros”, disse Bifano.

Em setembro, depois de dois anos de discussão, o governo desistiu de transformar os Correios numa S.A.

Segundo Bifano, uma das empresas que seriam favorecidas com a adoção do modelo de sociedade anônima seria a Total Linhas Aéreas, que faz transporte de cargas.

De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, a Total teve um contrato superfaturado em R$ 2,8 milhões assinado em agosto passado.

O caos na gestão dos Correios teve como pano de fundo uma disputa de poder e de nomeações políticas entre o PMDB mineiro e o PT.

A crise na estatal provocou a demissão de Custódio e de Marco Antonio Oliveira, ex-diretor de Operações. Bifano foi demitido nessa época.

Oliveira é suspeito de ter participado de um grupo de lobby que operava dentro da Casa Civil nas gestões da presidente eleita Dilma Rousseff e de sua substituta e braço direito, Erenice Guerra.

A crise nos Correios contribuiu para a queda de Erenice, em setembro.

Um representante da empresa MTA, companhia que também atua no setor de carga aérea, obteve um contrato no valor total de R$ 59,8 milhões com os Correios depois de ter sido recebido em audiência na Casa Civil por meio de uma empresa de lobby de um dos filhos de Erenice, Israel Guerra.

Bifano diz que veio a público agora fazer essas revelações para rebater o ex-ministro Hélio Costa, que atribuiu a ele, nos bastidores, o vazamento para a imprensa das denúncias de lobby que derrubaram Erenice.

Outro Lado

Costa diz ser bobagem declaração de que ministério interferia na estatal

O ex-ministro Hélio Costa classificou como “bobagem” as declarações do ex-diretor dos Correios Pedro Magalhães Bifano sobre o suposto “sucateamento” da estatal.

Ele disse que o ministério não interferia nos Correios e que jamais foi cogitado no governo mudar a condição de estatal da empresa. “Os Correios têm uma diretoria que toma suas decisões.”

O ex-ministro, que retomou seu mandato de senador (PMDB-MG) após perder a eleição em Minas, contou que, em março deste ano, entregou ao presidente Lula um estudo feito pelo Ministério das Comunicações, em conjunto com a Fazenda e o Planejamento, com sugestões de melhorias na empresa.

Ele disse que tratou do tema com Lula recentemente. “Conversamos sobre a necessidade de reorganização e modernização dos Correios. Ele [Lula] me disse que está colocando [o assunto] na pauta de prioridades para apresentar à presidente eleita [Dilma Rousseff]“.

O ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio, indicado por Costa, admitiu que a empresa tem R$ 4 bilhões em caixa, mas disse que, sem mudança na legislação, pouco poderia ser feito para melhorar as condições do serviço postal no país.

No caso do transporte aéreo de carga, Custódio afirmou ser a favor da criação de uma subsidiária da estatal por meio de uma PPP (parceria público-privada).

Segundo ele, os Correios até poderiam comprar aviões, mas a estatal teria dificuldades para a manutenção. “Se desse problema numa turbina, teríamos de fazer licitação para consertá-la.”

A Total Linhas Aéreas informou que nunca foi consultada oficialmente para fazer parceria com os Correios.


Fonte: Leonardo Souza – Folha

Discórdia: Campanha do PMDB e PT tem dívida de R$ 2,9 milhões, Hélio Costa e Patrus podem ser penalizados pelo TRE


PMDB cobra do PT dívida de R$ 2,9 milhão de campanha

Hélio Costa e Patrus Ananias, candidato a vice na chapa, podem ser penalizados pela Justiça Eleitoral. Origem do dinheiro que deverá saldar a dívida é motivo de suspeitas por parte de integrantes do próprio PMDB
Pressionado pelo PMDB mineiro, o PT vai ajudar a arcar com a dívida de R$ 2.976.628 da candidatura derrotada do senador peemedebista Hélio Costa ao Governo de Minas Gerais. De acordo com o secretário de Finanças do PMDB estadual e também tesoureiro da empreitada eleitoral, Célio Mazoni, caso os petistas não ajudem a saldar o débito e, eventualmente, se o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) desaprovar as contas, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) pode ser penalizado junto com Hélio Costa, porque foi candidato a vice na chapa perdedora.

“O PT está disposto a contribuir porque a coligação é PT e PMDB e os candidatos foram Hélio e Patrus. Se alguma coisa vai ser inviabilizada, é a conta dos dois candidatos. Tanto do Patrus quanto do Hélio. Com isso, o PT está solidário no pagamento”, afirmou. Esse foi o argumento para convencer os petistas.

O presidente estadual da legenda, deputado federal Reginaldo Lopes, confirma a informação. Ele diz que o PMDB recorreu ao diretório nacional do PT para pedir ajuda à quitação da dívida. “Eles se articularam com o PT nacional”, registra. Lopes lembra que a legenda contribuiu durante a campanha. Mas, a contragosto, admite que a sigla deve aportar recursos no PMDB. “O PT já ajudou durante a campanha. Pode ajudar ainda. Mas isso tem que ser discutido”.

Na prestação final de contas, entregue ao TRE-MG no dia 2 de novembro, Hélio Costa declarou ter recebido R$ 30.828.923,63 em doações. Mas os gastos alcançaram a cifra dos R$ 33.805.551,86. Quase metade das arrecadações, cerca de R$ 15 milhões, foram provenientes do PMDB. O rombo de Hélio Costa diz respeito à contratação de prestadores de serviços.

De acordo com Mazoni, até a última sexta-feira, a legenda tinha conseguido levantar R$ 400 mil. Sem citar o nome das empresas e pessoas, diz que as doações partiram de terceiros. “Já recebemos R$ 400 mil em doações diversas. São pequenas doações”, afirma.

A origem do dinheiro que deverá saldar a dívida é motivo de suspeitas por parte de integrantes do próprio PMDB. O deputado estadual Adalclever Lopes encaminhou ao líder da bancada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais requerimento para que, em nome da bancada, se cobre da direção estadual da legenda explicações sobre como deve ser pago o débito. Ele argumenta que o PMDB não tem condições financeiras para arcar com o rombo.

Além disso, diz que os candidatos na chapa proporcional tiveram que assumir com suas dívidas enquanto o partido garantiu o pagamento do prejuízo da majoritária. “Não é justo. Tive que tirar do meu bolso para pagar minhas dívidas, assim como os outros candidatos (a deputado)”, alega ele.

No requerimento de Adalclever Lopes, ele pede que sejam esclarecidas “quais as fontes de recurso partidário que arcarão com tais despesas”. De acordo com Mazoni, o PMDB mineiro assumiu a dívida. Porém, o candidato derrotado assinou um documento se comprometendo a repassar o dinheiro à legenda em 120 dias, se o total de doações não alcançar o débito. “A executiva estadual assumiu a divida. Foi feita uma ata, todos os membros assinaram. O candidato pediu 120 dias de prazo”.

De acordo com ele, devem ainda chegar ao PMDB mineiro recursos advindos do diretório nacional do partido. Mazoni observa que, apesar de Hélio Costa prometer pagar o débito, o PMDB mineiro pode aportar recursos para ajudar. O secretário de Finanças informa que a expectativa é de que até o final do ano a questão esteja solucionada.

O secretário geral do partido no Estado, deputado Antônio Júlio, diz que a legenda não tem como arcar com o rombo. Mas também garantiu que Hélio Costa se responsabilizará por ela, como já acordado. “Não temos como pagar, até porque nossa arrecadação é de R$ 1 milhão por ano”, afirma Antônio Júlio.

A declaração de bens de Hélio Costa à Justiça Eleitoral é inferior à dívida. Ele informou ao TRE-MG que possui um total de bens, ações e dinheiro aplicado ou em conta corrente em valor total de R$ 1.347.805,42. Mazoni diz que, em último caso, o senador recebe os vencimentos. “Ele pode não ter bens, mas tem salários”. O vencimento mensal de um senador é de R$ 16,5 mil. Hélio Costa deixa a Casa no início do ano que vem.

O secretário de Finanças do PMDB também contesta o requerimento de Adalclever Lopes, afirmando que não recebeu o documento e que o deputado poderia ter votado na reunião da executiva. “Seria mais fácil ele comparecer, questionar e votar contra”, considera Mazoni. Na semana passada, contratados pela campanha de Hélio Costa ao governo foram às ruas de Montes Claros pedir o pagamento de serviços.


Fonte: Amália Goulart – Hoje em Dia

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Patrus ressentido joga a toalha e volta a responsabilizar Pimentel por desempenho de Hélio Costa


Patrus responsabiliza Pimentel por eventual derrota em Minas

Para candidato a vice-governador, aliança com Aécio para eleger prefeito de BH em 2008 fragilizou a militância petista na cidade
O ex-ministro Patrus Ananias (PT), candidato a vice-governador de Minas na chapa de Hélio Costa (PMDB), nem esperou a eleição para acusar o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT) por eventual derrota para o governador Antonio Anastasia (PSDB), que tenta reeleição.

Patrus disse que foi um equívoco a aliança que Pimentel fez em 2008 com o então governador tucano Aécio Neves para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda(PSB). O PT tinha o controle político da capital desde 1992.

“O que há de concreto e objetivo é que tínhamos a Prefeitura de Belo Horizonte e abdicamos de manter essa liderança. Isso fragilizou o nosso partido e a nossa militância em BH. Por conseguinte, [fragilizou a militância] em todo o Estado.”

A declaração foi dada depois que Costa foi ultrapassado por Anastasia em todas as pesquisas -no Ibope, a diferença já é de 13 pontos. Costa perderia no primeiro turno.

A fala expõe o racha no PT entre os grupos de Patrus e Pimentel, originado na última disputa municipal.

“Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008. Para mim é um processo que está resolvido, mas é sempre bom resgatar para não perder a memória”, disse o ex-ministro.

Para Patrus, a situação da aliança PMDB/PT na eleição se complica ainda mais quando eles têm que enfrentar a força política do Palácio da Liberdade, que o ex-ministro definiu como sendo um “partido secular”.

A divisão foi acentuada em 2009 quando os grupos de Patrus e de Pimentel mediram forças pelo controle do partido. Pimentel emplacou o presidente do PT-MG e tem maioria no diretório estadual. Neste ano, ele bateu Patrus na prévia e foi indicado pré-candidato ao governo.

A intervenção do PT nacional, com a chancela do presidente Lula, porém, tirou de Pimentel a candidatura, e o PT-MG foi empurrado para a aliança com Costa. Novamente, Lula agiu e convenceu Patrus a ser vice de Costa e indicou Pimentel para ser candidato ao Senado.

Pimentel não quer comentar a fala de Patrus.


Fonte: Paulo Peixoto – Folha de S. Paulo

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Globo: Dinheiro de propina iria para Hong Kong para apagar incêndio de Dilma, Hélio Costa e Erenice, diz Quícoli

Quícoli, que denunciou esquema na Casa Civil, diz que propina iria para Hong Kong


O esquema de tráfico de influência instalado na Casa Civil contaria até com duas contas em Hong Kong, na China, para onde deveriam ser enviadas as propinas pagas pelas facilidades obtidas, segundo o empresário Rubnei Quícoli, de Campinas. Esse esquema seria comandando pelo ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, seu sobrinho Vinícius Castro, ex-funcionário da Casa Civil, e Israel Guerra, filho da exministra da pasta Erenice Guerra.

A denúncia, que consta de reportagem da revista “Veja” desta semana, foi confirmada ontem por Quícoli. O empresário – que, em parceria com as empresas de energia EDRB e KVA, tentava um empréstimo de R$ 9 bilhões no BNDES – enviou ontem ao GLOBO, por email, os números de duas contas no HSBC de Hong Kong, em nome de Right Day Enterprises Limited e Tartar International Limited, que seriam do genro de Marco Antonio, o empresário Roberto Ribeiro. Este negou ao GLOBO ter passado os dados com o propósito de que fosse depositado dinheiro fruto de propina, mas confirmou ter se reunido com Quícoli.

Pedido de propina de R$ 5 milhões
Segundo “Veja”, Marco Antonio chegou a pedir que o genro, que mora em Miami, viesse ao Brasil para se reunir com Quícoli. O encontro, conta a reportagem, ocorreu em 12 de junho, no Hotel Inter Continental da Alameda Santos, em São Paulo.




- Essa conta (no exterior) é do genro do Marco Antonio. Após o Vinícius não ter sucesso comigo, o M.A. (como Marco Antonio é chamado) tomou frente para arrecadar R$ 5 milhões dizendo que seria para a Erenice apagar um incêndio dela e da Dilma e outro valor não mencionado pelo M.A. para ajudar na campanha do Helio Costa – respondeu Quícoli, por e-mail, ao GLOBO.

O e-mail de Ribeiro a Quícoli é datado de 25 de maio deste ano.

No dia 6 de maio, Quícoli já havia recebido um e-mail que seria de Vinícius, em que é apresentada uma conta para depósito no Brasil, em nome da Synergy Assessoria e Consultoria Empresarial LTDA, de Brasília.

No texto, Vinícius pede que, “tão logo possível, (Quícoli) encaminhe minuta do contrato para levarmos ao jurídico e providenciarmos o preenchimento da respectiva nota fiscal”.

- Primeiro, o Vinícius me enviou essa conta (a da Synergy). Eu enrolei e, lógico, não aceitei jamais – respondeu Quícoli ao GLOBO.

O contrato seria feito com a Capital Assessoria, empresa da mãe de Vinícius Castro e de Saulo Guerra, outro filho de Erenice Guerra. O serviço prestado pela Capital seria a intermediação do empréstimo no BNDES para a construção de uma usina de energia eólica no Nordeste do país.

O grupo de lobistas teria se contentado em receber R$ 5 milhões para viabilizar o empréstimo. Esse é o dinheiro que deveria ter sido depositado nas contas de Hong Kong. Segundo “Veja”, os números das contas no exterior foram oferecidos a Quícoli como uma “opção mais discreta” para o recebimento da propina. Quícoli, porém, afirma que não aceitou a proposta e não pagou a propina. Segundo o empresário, o empréstimo do BNDES foi suspenso depois que ele se negou a pagar pelo lobby.

Apesar de negociar com a Capital, Quícoli já afirmara ao GLOBO que nunca se encontrou com os irmãos Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice.

Mas disse que participou de várias reuniões na Casa Civil, a primeira com a então secretária do ministério, Erenice Guerra. Na ocasião da entrevista, Quícoli disse não saber se os R$ 5 milhões pagariam dívidas de campanha, nem se Dilma e Erenice sabiam do pedido milionário: – Não me disseram que era (para cobrir) um rombo da campanha.

Acho que eram dívidas particulares.

Alguma coisa assim que o partido não tinha como sustentar.

Acho que eram coisas particulares e não tinham nada a ver com o partido, em si. Ele (Marco Antonio) me disse que era dos três, na verdade, Dilma, Erenice e Helio Costa.

Ex-braço direito de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, Erenice negou ter permitido um esquema de facilitações a empresas na Casa Civil. O PT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral contra o empresário de Campinas, alegando calúnia e difamação contra o partido.

Helio Costa também negou ter pedido dinheiro. O BNDES negou a existência de lobby para favorecer as empresas ligadas a Quícoli.

Veto foi ‘estopim’ da denúncia
Perguntado sobre sua motivação e a data escolhida para fazer a denúncia, publicada pela “Folha de S. Paulo” há duas semanas, o empresário respondeu que aproveitou o momento das denúncias do empresário Fabio Baracat sobre a Capital: – Como uma ministra coloca os filhos dela lá para viabilizar aporte de R$ 9 bilhões? Quando vi que o contrato que eu tinha, da empresa (Capital), era a mesma, conversei com a empresa (ERDB) e falei: vou me manifestar.

Primeiro, chequei no BNDES e deu que o meu projeto estava totalmente anulado. Daí, deu a entender que, realmente, o poder deles, por eu não ter assinado o contrato, foi de vetar.

Foi o estopim para mim.

Leia também:

  1. Veja: Ex-diretor dos Correios, indicado por Hélio Costa, ameaça abrir a boca e diz que “era tudo robalheira”
  2. ISTOÉ denuncia ações de Hélio Costa e aponta indícios de que ex-ministro montou esquema para lavagem de dinheiro da Telebrás
  3. Veja denuncia: Diretor dos Correios em Minas enviou telegrama a eleitores para promover Hélio Costa

Fonte: O Globo – Tatiana Farah

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Datafolha: Pesquisa recente mostra que Anastasia abre 5 pontos sobre Hélio Costa em Minas


Ex-governador lidera a disputa pelo Senado com 67% das intenções de voto, seguido por Itamar, que tem 43%

O governador Antonio Anastasia (PSDB) abriu cinco pontos de vantagem sobre Hélio Costa (PMDB), seu principal adversário ao governo de Minas Gerais, diz pesquisa Datafolha. A eleição pode ser decidida já no primeiro turno.

Anastasia, candidato apoiado pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB), passou de 40% para 42% das intenções de voto, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos.

Hélio Costa permaneceu com os 37% da pesquisa anterior, da semana passada.

Considerando apenas os votos válidos, o tucano tem agora 51% contra 44% de Costa. Para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa ter mais de 50% dos votos válidos.

Na pesquisa anterior, Anastasia tinha 50% dos votos válidos contra 46% de seu principal adversário.

Adilson Rosa (PCO), Edilson Nascimento (PT do B), Zé Fernando Aparecido (PV) e Vanessa Portugal (PSTU) têm 1% das intenções de voto. Os candidatos Fabinho (PCB) e Professor Luiz Carlos (PSOL) não atingiram 1%.

Votos em branco e nulo somam 4%. Ainda não decidiram em quem votar outros 13% dos mineiros.

O Datafolha aponta que 79% dos eleitores de Costa e 67% de quem pretende votar em Anastasia não sabem o número de seus candidatos.

SENADO
O ex-presidente Itamar Franco (PPS) ampliou sua vantagem sobre o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) na disputa pela segunda vaga de senador em Minas. Aécio continua liderando com folga.

Na semana em que apresentou um depoimento do candidato a presidente de seu partido, José Serra, no horário eleitoral, Aécio passou de 71% para 67%, uma variação no limite da margem de erro da pesquisa.

Já Itamar, que mostrou Aécio em seu programa eleitoral, variou de 40% para 43%. Ele agora tem 11 pontos de vantagem sobre Pimentel, que manteve os 32% da pesquisa anterior.

Zito Vieira (PC do B) tem 3%. Marilda Ribeiro (PSOL), Rafael Pimenta (PCB) e Miguel Martini (PHS) têm 2% cada um. Com 1% estão José João da Silva (PSTU), Betão (PCO), Efraim Moura (PSTU) e Mineirinho (PSOL).

Os indecisos para uma são 24% e 13% não sabem em quem votar para as duas vagas de senador.


Fonte: Evandro Spinelli – Folha de S.Paulo

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

UOL Eleições: Hélio Costa afirma desconhecer elo entre Correios e filho de ministra


Hélio Costa afirma desconhecer elo entre Correios e filho de ministra

O candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB, o ex-ministro Hélio Costa, disse nesta quarta-feira (15), em Belo Horizonte, desconhecer o suposto esquema de tráfico de influências que seria orquestrado por Israel Guerra, filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra.

Segundo reportagem da revista “Veja”, empresário revelou esquema no qual, por intermédio do filho da ministra, buscava ampliar contrato com os Correios, no segundo semestre do ano passado. Costa era ministro das Comunicações, pasta da qual a estatal é subordinada, e deixou o cargo em 31 de março deste ano para se tornar pré-candidato ao governo estadual.

“Eu não era ministro, não. Sabe o que acontece? Essa história dos Correios tem que ser discutida, evidentemente, partindo da ótica se existe relação com a minha administração. Como não existe, eu não posso comentar”, afirmou.

Alegando não ter lido “direito” a matéria, o candidato disse, no entanto, não existirem provas de participação de Guerra nas intermediações denunciadas pelo empresário à revista Veja.

“Afirmaram que o rapaz (Israel Guerra) tinha uma empresa. Não, ele não tem uma empresa. Depois diziam que a empresa fazia negócios com os Correios. Não, a empresa que ele não tem não faz negócios com os Correios”, disse Costa durante lançamento oficial do seu plano de governo.

Porém, ele afirmou que existe uma campanha em curso contra a estatal. Sem citar nomes, disse que “grupo internacional” tem intenção de desmoralizar a instituição para poder privatizá-la.

“Continuam fazendo essa campanha contra os Correios simplesmente porque tem um grupo querendo, de todas as formas, diminuir a importância dos Correios para que o governo venda os Correios. Eles querem privatizar uma empresa que tem 116 mil empregados e é considerada uma das melhores empresas do mundo”, frisou.

Críticas aos tucanos

Durante o lançamento oficial do plano de governo, Hélio Costa aproveitou para criticar a atuação do governo tucano, que administra o estado há oito anos, principalmente na área da saúde. Costa citou ao menos duas cidades mineiras nas quais, segundo ele, existem apenas as placas informativas de construção das unidades hospitalares.

“Neste último fim de semana eu cheguei em Sete Lagoas. Levaram-me a uma placa e disseram: olha aqui esta placa, esse é o hospital regional. Tem sete anos que ela está dependurada aqui. Passamos por Ibirité (região metropolitana de Belo Horizonte). O que é o hospital regional de Ibirité? A placa, que está lá há oito anos, dizendo que tem R$ 10 milhões liberados para a construção”, ironizou o ex-ministro.

Por sua vez, o ex-ministro Patrus Ananias (PT), candidato a vice na chapa do peemedebista, foi incisivo ao afirmar que o governo de Costa, em quatro anos de administração, vai “erradicar” a fome e a desnutrição, além do analfabetismo, no Estado.



Fonte: Rayder Bragon – UOL ELeições

O Globo: Empresário diz que R$ 5 milhões abasteceriam campanhas de Dilma e Hélio Costa

Além da comissão mensal de R$ 40 mil, por seis meses, e da bolada de R$ 450 milhões como “taxa de sucesso”, o empresário Rubnei Quícoli afirmou ao GLOBO que foi provocado pelo ex-diretor de operações dos Correios, Marco Antônio Oliveira, a pagar R$ 5 milhões de propina para viabilizar um empréstimo de R$ 9 bilhões, solicitado pela EDRB junto ao BNDES. Segundo o empresário, que representava a EDRB Brasil Ltda. na negociação com a Capital – apontada como uma empresa de lobby tocada pelos filhos da ex-ministra chefe da Casa Civil Erenice Guerra -, o dinheiro da propina serviria para abastecer os cofres das campanhas da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e do candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB, Hélio Costa.

- O Marco Antônio falou (que o dinheiro) era para tampar um buraco da campanha da Dilma, da Erenice e também que uma parte era para ajudar o Hélio Costa, candidato a governador de Minas Gerais. Ele falou isso logo depois que (o empréstimo) foi bloqueado no BNDES. Ele me comentou que o Israel, que eu fiquei sabendo que era o filho da Erenice, disse o seguinte: “Se eu não pagasse, eles iriam bloquear”, como o que houve. Aí, eu recebi a notificação do BNDES , dizendo que o projeto não foi aprovado – afirmou Quícoli ao Globo.

Segundo o empresário, a proposta foi feita em março deste ano pelo então diretor de operações dos Correios, numa conversa no flat 4033 do Brasília Alvorada Towers, um dos mais luxuosos hotéis de Brasília. Quícoli, no entanto, admite que a conversa não foi gravada e que, portanto, não teria como provar o teor da negociação.

- Essas conversas… as pessoas vão conversando, a gente vai pegando a informação necessária e a gente foi pegando essas informações por ele mesmo, entendeu? Você pode checar lá, o flat à disposição dele. O flat 4033 – afirmou.

O hotel confirma que o flat 4033 é usado por Marco Antônio Oliveira. Procurado pelo GLOBO, o ex-dirigente dos Correios não atendeu nem retornou aos telefonemas da reportagem.

Afora a denúncia da propina de R$ 5 milhões, o representante da EDRB afirma que tem documentos e e-mails que comprovam toda a negociação fracassada com a Capital.



Estado de Minas: Anastasia defende mais ideias e menos ataques no debate da Band


O candidato à reeleição ao governo do estado pela coligação Somos Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), defendeu ontem mais debates de ideias e menos ataques na campanha e afirmou que alguns candidatos têm uma certa miopia em reconhecer o que acontece em Minas, referindo-se às críticas feitas pelo seu principal adversário, senador Hélio Costa (PMDB), na área da saúde. Segundo Anastasia, o estado tem ainda muito a avançar e disse apresentar propostas para isso. “É nesse campo que quero debater. Mas a crítica estéril, por criticar, essa, lamentavelmente, não leva, como sabemos, a lugar algum”, acrescentou.

Anastasia evitou comentar sobre uma possível influência na campanha adversária do escândalo envolvendo a ex-ministra da Casa Civil e braço direito da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT), Erenice Guerra. O tucano disse estar preocupado com a própria campanha e que cada um deve se preocupar com a sua. Ele ainda defendeu uma investigação profunda no caso. “Ontem eu lamentava e volto a lamentar que esses fatos ainda ocorram no Brasil de maneira muito triste, o que mostra, é minha tese antiga, que precisamos continuar profissionalizando a administração pública”, completou.

O governador se encontrou ontem, em Belo Horizonte, com integrantes da Associação dos Lojistas do Barro Preto e participou de um almoço com integrantes da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). No Barro Preto, o candidato disse que, se eleito, vai ampliar o Programa de Educação Profissional gratuito para os alunos do ensino médio do estado. Afirmou que pretende aumentar em quatro vezes o número atual de beneficiados, de 130 mil para 400 mil. ” A requalificação e a qualificação profissional constam no nosso plano de governo”, disse.

Parceria O governador ressaltou a importância das parcerias com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para enfrentar os problemas e demandas da capital. “Temos uma parceria muito forte com a prefeitura. Muitos desses temas se referem também a questões municipais, mas eu sempre digo que, para governar, temos de ter planejamento e parceria. E nossa parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte é muito boa, vamos continuar fazendo isso”, destacou.

No encontro com a Abav, Anastasia destacou a importância do governo estadual em trabalhar para melhorar toda a infraestutura física, social e econômica para atender o setor. O candidato afirmou que, se eleito, vai aperfeiçoar as instalações de centros de convenções em Belo Horizonte e no interior para incrementar o turismo de negócios. Também disse que vai trabalhar com a Infraero pela expansão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves. “A indústria do turismo é aquela que gera mais empregos, com boa remuneração e em menos tempo do que todos os outros segmentos. Temos uma oportunidade singular com a chegada da Copa do Mundo de 2014 e precisamos melhorar o turismo internacional”, afirmou.



Fonte: Alice Maciel – Estado de Minas


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Correio Braziliense: “Nunca vi tanto amadorismo, provincianismo. Não tem 100 prefeitos que apoiam a candidatura do Hélio Costa”


Cavalo paraguaio

A reunião de Patrus Ananias, vice de Hélio Costa (PMDB), com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, foi um desdobramento de um encontro ocorrido na segunda feira que serviu para lavar a roupa suja entre PT e PMDB. Segundo uma fonte da cúpula nacional petista, o clima da reunião foi bastante tenso, com acusações de ambos os lados sobre a responsabilidade do crescimento de Antonio Anastasia(PSDB) na corrida pelo Palácio da Liberdade. Segundo essa fonte, os petistas classificaram o desempenho de Costa como o de Um “cavalo paraguaio”. “Percebeu-se que nós vamos perder em primeiro turno e ninguém sabe o que fazer”, disse um petista.O PT também reclamou da falta de mobilização dos peemedebistas na campanha.

“Nunca vi tanto amadorismo, provincianismo. Não tem 100 prefeitos que apoiam a candidatura do Hélio Costa”, afirmou essa fonte. Na lavação de roupa suja sobrou também para o marqueteiro Duda Mendonça, que foi responsabilizado pela incapacidade de o programa eleitoral ter contribuído para a diminuição da vantagem que Costa exibe nas pesquisas de intenção de votos para Anastasia.

A principal crítica é tentar mostrar ao eleitor que o vice Patrus será protagonista no próximo governo. “Ninguém vota no vice. Isso só mostra a fraqueza do titular”, afirmou um outro petista. O ex-ministro José Dirceu também entrou na negociação para tentar criar uma estratégia de contra-ataque. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que apoia Dilma e Anastasia, disse que vai ser inaugurado um comitê Dilmasia na capital em 8 de setembro, um dia antes da provável visita de Lula. Lupi fez campanha para o tucano e a petista na segunda feira e acabou enquadrado. Temer negou falta de sintonia entre PT e PMDB. “O Hélio ainda está na frente, vamos esperar 3 de outubro”, afirmou.


Fonte: Correio Braziliense – 01/09/2010

Dilma abandona o barco de Hélio Costa em Minas: Não tenho pretensão nenhuma de resolver situação eleitoral em lugar algum, disse


Dilma, em relação aos aliados em Minas e São Paulo, diz que não tem pretensão de resolver situação eleitoral em lugar algum

BRASÍLIA. Sob pressão para tentar mudar o quadro, junto com o presidente Lula, das disputas em Minas e São Paulo, a candidata Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que não tem pretensão de resolver a dificuldade de aliados nas disputas regionais. Em Minas, o senador Hélio Costa (PMDB) foi ultrapassado pelo governador tucano Antonio Anastasia no Ibope. Em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) está distante do ex-governador tucano Geraldo Alckmin. Dilma prometeu empenho, mas relativizou sua influência.

- Eu sou mais modesta. Não acho que eu resolvo o problema. Eleição é uma coisa que tem suas características. Cada estado tem a sua característica. Não tenho pretensão nenhuma de resolver situação eleitoral em lugar algum – disse a candidata. – Tenho a pretensão de fazer campanha e de ajudar aqueles que são meus parceiros. Sem achar que eu tenho esse poder, eu vou me empenhar tanto na eleição de São Paulo como na eleição de Minas. Mas não vou descuidar de outros estados.
A afirmação de Dilma foi interpretada como recado para os aliados diminuírem a cobrança. Na mesma linha, Lula mandou recado de que não vai aceitar pressão ou ser responsabilizado por eventuais derrotas de aliados. Mesmo sobre possíveis derrotas de candidaturas forçadas pelo PT e pelo Planalto, Lula não aceita cobrança. O presidente fará esforço pelos aliados nos estados no limite em que esse empenho não prejudique a candidatura de Dilma.

A coordenação nacional identificou que cresceu no eleitorado mineiro e até mesmo entre os prefeitos de Minas o voto “Dilmasia”, em Dilma e Anastasia. Diante disso, avalia-se que é preciso ter cuidado com a forma como Lula atuará em Minas. Segundo um ministro, o mesmo cuidado ocorrerá em outros estados. Em São Paulo, já foi identificado o “Dilmin”, voto em Dilma e Alckmin. A preocupação é encontrar o tom para não abandonar Mercadante, que só saiu candidato a pedido de Lula.


Fonte: Gerson Camarotti – O Globo

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Reportagem da Revista Veja diz que eleição de Hélio Costa pode ressuscitar políticos de passado controvertido


Eles querem voltar

Eles querem voltar

A eleição do candidato a governador de Minas Gerais, Hélio Costa, do PMDB, pode ressuscitar políticos de passado controvertido:

Newton Cardoso
Denunciado por desvio de verbas, disse ter acumulado mais de 2,5 bilhões de reais enquanto exercia cargos públicos

Anderson Adauto
Ex-ministro dos Transportes do governo Lula, admitiu ter participado do mensalão: teria recebido mais de 1 milhão de reais do valerioduto

Ivan Guimarães
Conhecido como Ivan, o Terrível, articulou a aliança de Costa com o PT. Ex-presidente do Banco Popular, admitiu ter liberado 29 milhões de reais para a DNA, agência de Marcos Valério, o operador do mensalão

Saraiva Felipe
Ex-ministro da Saúde de Lula, tem duas ligações com a máfia dos sanguessugas: fez emendas que beneficiaram o esquema e nomeou a assessora que chefiava a quadrilha a partir de um gabinete vizinho ao seu

João Magno
Ex-deputado do PT, recebeu dinheiro do mensalão. Ao ser absolvido pela Câmara, inspirou sua colega Angela Gaudagnin a fazer a coreografia da “dança da pizza”

Leia a reportagem completa: “A caixa-preta do caixa dois”


Fonte: Revista Veja

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ministério Público entrou com ação de improbidade contra ex-diretor dos Correios e suplente de Hélio Costa no Senado


MP move ação contra suplente de Hélio Costa por irregularidades nos Correios

O Ministério Público Federal em Brasília entrou com ação de improbidade contra o ex-diretor Comercial dos Correios e suplente de Hélio Costa no Senado, Carlos Fioravanti, dois ex-funcionários da estatal e onze agências franqueadas que teriam recebido vantagens indevidas.
Segundo o MP, Fioravanti permitiu que agências embolsassem comissões acima do limite previsto em contrato para prestar serviços de emissão de cartas simples e registradas.
Até 2001 os Correios impediam sua rede franqueada de prestar tal serviço. A partir de então, liberou sua rede franqueada para fazê-lo, mediante pagamento de remuneração. Contudo, uma comissão de sindicância da estatal constatou que Fioravanti deu autorizações privilegiadas para franqueadas que importaram em prejuízo, no período de janeiro a julho de 2005, de 11,8 milhões de reais aos cofres públicos.



Fonte: Revista Veja – Lauto Jardim

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Estado de São Paulo: Ethevaldo Siqueira denuncia escândalo da Telebrás na era Hélio Costa


Ethevaldo Siqueira denuncia escândalo da Telebrás na era Hélio Costa

O jornalista Ethevaldo Siqueira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros do setor de telecomunicações e escreve para o jornal “O Estado de S. Paulo”, em cujo portal mantém regularmente um blog. Num artigo intitulado “Retrato da Nova Telebrás”, ele revela porque Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações e agora candidato ao governo de Minas, foi acusado de envolvimento na mamata da indenização de R$ 254 milhões paga Telebrás a uma empresa de propriedade de um amigo dele. A seguir, o trecho do artigo de Ethevaldo Siqueira sobre o tema.

O Estado de São Paulo

Retrato da Nova Telebrás

Ethevaldo Siqueira

Muito antes de proporcionar o tão sonhado acesso de alta velocidade à internet aos brasileiros de baixa renda e das regiões mais remotas, com serviços da melhor qualidade e pelos menores preços – a Telebrás enfrenta três sérios desafios. O primeiro é de ordem legal. Os outros dois são casos típicos de corrupção, a serem apurados.

Examinemos o primeiro caso. Diversos juristas de renome argumentam que uma empresa criada por lei não pode ter seu objeto ou atividade-fim modificado por decreto. Criada por lei em 1972, a Telebrás nunca foi operadora nem teve autorização legal para operar diretamente serviços de telecomunicações, mas apenas por intermédio de subsidiárias. Sua principal função no passado foi como empresa controladora (holding) de 27 subsidiárias (as Teles). O entendimento dos juristas é de que as finalidades da empresa só podem ser mudadas por nova lei do Congresso.

Corrupção

O segundo caso é o da indecorosa manipulação das ações da Telebrás que chegaram a valorizar-se 36.000%, ao longo dos últimos sete anos. Segundo especialistas, caberia à própria Telebrás comunicar a possibilidade de sua reativação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como um fato relevante, para que a CVM determinasse a suspensão das negociações das ações da estatal na Bolsa. Como nada disso foi feito, a cada declaração dos porta-vozes do governo envolvidos no PNBL, as ações subiam mais e mais. Cabe à própria CVM e à Justiça apurarem quem se beneficiou dessa valorização e punir os responsáveis.

Como justificar uma valorização tão grande das ações de uma empresa sem patrimônio, sem receita, sem quadro mínimo de funcionários e enterrada em dívidas judiciais?

Mais corrupção

O terceiro caso é ainda mais espantoso e já se arrasta há 4 anos. É mais um caso indenização milionária contra empresa estatal. Vamos aos fatos.

Segundo parecer do Ministério Público Federal, mesmo em fase de liquidação, a Telebrás foi lesada em R$ 170 milhões por não ter recorrido de uma sentença condenatória, em 2006. Em parecer do procurador Marinus Marsico, ao Tribunal de Contas da União (TCU), conclui que a Telebrás foi lesada no acordo extrajudicial celebrado em 2006 com a empresa VT-Um, que prestou serviços de valor adicionado do tipo 0900 à Embratel por poucos meses e cujo dono é Uadji Moreira, amigo do então ministro das Comunicações, Hélio Costa. Com capital registrado de apenas R$ 1 mil, a empresa VT-Um, só operou serviços 0900 por menos de um ano e entrou na Justiça contra a Embratel e a Telebrás.

A sentença, acreditem, condenou a Telebrás a pagar a absurda indenização de R$ 1 bilhão, o que poderia levar a estatal à falência. Nesse momento, a VT-Um fez acordo em separado com a Embratel, por um valor considerado simbólico, e conseguiu da Justiça a homologação do pagamento, reduzindo a indenização à metade, ou seja, R$ 506 milhões a título de lucros cessantes, a serem cobrados da Telebrás.

Ainda assim, a Telebrás concluiu que não teria condições financeiras de pagar tal indenização à VT-Um. Em lugar de recorrer da sentença, a estatal preferiu renegociar o valor da indenização, reduzindo o valor final à metade, para R$ 253,9 milhões, mas, com prejuízo de R$ 170 milhões aos cofres públicos, segundo o Ministério Público;

O Ministério Público refez os cálculos da indenização e apurou que seus valores estavam superestimados e que a indenização chegaria, no máximo, a R$ 84 milhões, valor idêntico ao calculado pela Procuradoria Regional da Advocacia-Geral da União (AGU), em nota interna de setembro de 2007. Mais grave: o acordo teve o respaldo do ministro Hélio Costa e da consultoria jurídica do Ministério das Comunicações, ao qual a Telebrás está vinculada administrativamente.

Com base naquela nota interna, o procurador Marsico baseou sua representação encaminhada ao TCU, há duas semanas, em que pede a rejeição das contas da Telebrás de 2006 e a punição dos responsáveis pelos danos ao erário, no caso o presidente da Telebrás, na época, Jorge da Mota e Silva, e o ministro Hélio Costa.

O que era desconfiança agora é fato. Está comprovado que o acordo foi extremamente danoso para a União disse o procurador. A AGU encontrou erros considerados graves no laudo pericial que serviu de base para o acordo. Para AGU, perito que calculou os valores do lucro cessante usou critérios obscuros. O valor do faturamento bruto mensal da TV-Um usado como referência pela perícia é totalmente incompatível com informação prestada pela própria empresa em outra ação judicial movida por ela contra as subcontratadas Tecplan e TV-I, que a sucederam na prestação de serviços à Telebrás.

Com base nessa análise, o procurador concluiu que o valor da indenização que seria devida à VT-Um chegaria, no máximo, a R$ 84 milhões, um sexto do valor indicado pela perícia. Por outras palavras, o acordo final com a VT-Um, reduzindo à metade a indenização de R$ 506 milhões da dívida apurada, que parecia vantajoso à Telebrás, em um primeiro momento, foi na verdade lesivo, segundo a conclusão da AGU e do procurador Marsico. Além de tudo, a Telebrás fechou o acordo com a VT-Um sem encaminhar primeiro o processo para análise da AGU, procedimento obrigatório a ser adotado, por força de lei.


Link da matéria: http://blogs.estadao.com.br/ethevaldo-siqueira/2010/05/22/retrato-da-nova-telebras/