quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
DEPUTADO ANTÔNIO JULIO COLOCA MORTO COMO TESTEMUNHA
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Internautas organizam ato contra corrupção na Cinelândia
Escândalos em série
Fonte: Emanuel Alencar – O Globo
Internautas organizam ato contra corrupção na Cinelândia
RIO – Na esteira da série de escândalos que já derrubou o quarto ministro do governo Dilma em dois meses e meio, um grupo de cariocas está usando a internet para organizar um ato contra a corrupção. O evento está marcado para 20 de setembro, das 17h às 20h, na Cinelândia. Uma das idealizadoras do “Todos Juntos Contra a Corrupção”, Cristine Maza, diretora de uma empresa de cenografia, conta que o movimento começou há duas semanas, na rede social. O sucesso foi instantâneo:
- A gente discutia na rede o porquê de não existir um movimento organizado contra a corrupção e a impunidade. Amigos embarcaram na ideia, as pessoas começaram a espalhar, virou uma loucura – conta Cris. – Já fizemos duas reuniões, em bares. A próxima será na casa de alguém.
No grupo “Todos juntos contra a corrupção”, do Facebook , 460 pessoas já confirmaram presença no ato. Cris Maza diz que a escolha do local foi criteriosa:
“A gente discutia na rede o porquê de não existir um movimento organizado contra a corrupção e a impunidade”
- Queríamos evitar batuque e oba-oba, por isso não escolhemos a orla para a manifestação. O movimento é completamente apartidário. Vamos disponibilizar o logotipo do grupo para que os interessados possam chupar da internet e façam seus cartazes e camisetas. Todo o dinheiro investido sairá de nossos bolsos.
Ainda de acordo com a empresária, o grupo chama a atenção pela diversidade.
- São jovens, adultos, de diversas ocupações. Não dá para identificar um perfil de quem está aderindo ao movimento. Mas é claro que queremos participação maciça de jovens. Eles são a base dessa mudança. Eles precisam achar que não é bacana se corromper, que não é bacana a “lei de Gérson”, que o bacana é ser honesto.
Presidente da ABI considera fundamental que movimento ganhe as ruas para conquistar legitimidade
Um dos entusiastas da frente lançada no Senado, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, disse ser fundamental que o movimento ganhe as ruas para conquistar legitimidade.
- Os que defendem interesses escusos estão encastelados. Não é fácil vencê-los. Para que a frente tenha êxito, é fundamental o apoio da população, como aconteceu no caso da Lei da Ficha Limpa. O Congresso teve que recuar e aprovar a lei depois da mobilização das ruas.
O presidente da ABI afirmou estar otimista com o movimento, que, segundo avaliou, caminhará paralelamente à CPI da Corrupção – “nosso grupo não tem o componente político-partidário da CPI”. Lembrou o papel histórico da entidade:
- A ABI teve papel fundamental no processo de impeachment de Collor.
Mais informações sobre o movimento podem ser solicitadas pelo e-mail crismazarj@gmail.com
Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/18/internautas-organizam-ato-contra-corrupcao-na-cinelandia-925156792.asp#ixzz1VTwa0ecj
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FRENTE SUPRAPARTIDÁRIA: Senador Pedro Simon diz que sociedade tem que liderar movimento contra corrupçã
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domingo, 14 de agosto de 2011
Racha na oposição em Minas: Deputados do PMDB condenam radicalismo de Rogério Correia do PT e ameaçam abandonar bloco parlamentar
PMDB ameaça romper com PT em Minas
Fonte: Isabella Souto e Amanda Almeida – Estado de Minas
PARTIDOS
Irritados com posições de petistas que consideram radicais na relação com o governo de Minas, peemedebistas decidem na segunda se deixam bloco de oposição da Assembleia
Um suposto radicalismo de parlamentares do PT pode levar o PMDB a deixar o bloco de oposição na Assembleia Legislativa. Os oito deputados peemedebistas se reúnem em Belo Horizonte, amanhã à noite, para discutir a possibilidade de atuar de forma independente na Casa. Se a tese for acatada pela maioria da bancada, a oposição passará a ter 13 deputados – 12 do PT e um do PCdoB – e deixará de atuar como um bloco. Na sexta-feira, os dois deputados do PRB formalizaram a saída do grupo.
O descontentamento de alguns dos integrantes do PMDB se deve ao posicionamento de deputados do PT – especialmente o líder do bloco, Rogério Correia – que estariam adotando uma postura radical contra o Palácio da Liberdade, muitas vezes apelando para discursos de caráter pessoal. “Eles (PT) estão sendo muito radicais, exagerando na oposição, e o discurso acaba sendo adotado como se fosse de todo mundo”, argumentou um parlamentar do PMDB que pediu o anonimato.
Alguns integrantes do PT já haviam sido alertados sobre o assunto, mas o aviso não teria surtido efeito. Para oficializar a saída do bloco de oposição o PMDB estaria aguardando apenas a chegada do líder da minoria na Casa, Antonio Júlio, que chegaria ontem de uma viagem ao exterior. Outro temor do grupo é que a oposição seja retaliada pelo governo com a não liberação de recursos de emenda parlamentar ao orçamento estadual. Até agora, nenhuma emenda foi contemplada, seja da oposição ou da situação.
A expectativa é que a liberação de verbas comece neste mês. “A questão para nós é que nenhum deputado sobrevive sem o dinheiro das emendas, sem falar na pressão dos prefeitos, que querem ver as obras saírem do papel. Se um deputado ficar nessa linha radical, pode acabar não conseguindo dinheiro nenhum”, argumentou o peemedebista. O governo estadual sempre negou qualquer tipo de retaliação aos partidos da oposição.
Outro ponto que pesa contra os petistas é o pouco espaço obtido pelo PMDB mineiro no governo Dilma Rousseff (PT). “O PMDB tem sido muito matratado pelo PT, especialmente o partido em Minas, que ficou sem cargo nenhum de ministério”, argumentou outro deputado estadual da legenda. Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PMDB de Minas foi contemplado com a indicação de Hélio Costa para as Comunicações.
A participação do PMDB no bloco da oposição sempre foi polêmica, pois parte dos deputados da legenda queriam integrar a base governista ou pelo menos adotar uma postura independente, mas o grupo foi voto vencido quando o assunto chegou à direção estadual da legenda.
Procurado pela reportagem, o deputado Rogério Correia disse que não ia comentar críticas feitas via imprensa e afirmou que o presidente estadual do PMDB, deputado federal Antonio Andrade, assegurou que o partido seria mantido na oposição. “Essa é apenas uma insatisfação de alguns setores do PMDB”, afirmou, ameaçando acirrar ainda mais a relação com o governo estadual.
Propostas polêmicas em votação
Depois de um primeiro semestre de conflito aberto entre governo e oposição, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais voltou do recesso em ritmo lento, ainda marcado pela animosidade entre as duas partes. Sem votação de projetos em plenário na semana passada, os parlamentares devem enfrentar a primeira proposta polêmica na terça-feira. Está prevista em pauta a discussão do Projeto de Lei 2.123/2011, do Executivo, que aumenta de 10% para 18,5% o teto previsto no Orçamento do estado para repasse de verbas suplementares aos poderes Legislativo, Judiciário, para o Ministério Público (MP) e para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).
Cinco projetos de lei e seis requerimentos estão na pauta de terça-feira do Legislativo. Além de aumentar o limite no Orçamento, a proposta do governo de Minas prevê repasse extra de R$ 262,6 milhões aos dois poderes, ao MP e ao TCE-MG. Se aprovada, os recursos suplementares saltarão de R$ 4,4 bilhões para R$ 8,3 bilhões no ano. Pelo texto, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) receberá a maior parte dos recursos (até R$ 109,1 milhões). A segunda maior beneficiária será a própria Assembleia, com R$ 85 milhões. Na justificativa, o Executivo diz que a medida adequaria o estado a orientações de 2009 da Secretaria do Tesouro Nacional.
Também na pauta de terça-feira, o Projeto de Lei 2.124/2011 pede autorização para abertura de crédito suplementar para o TCE. Seriam R$ 924,7 mil a mais para o órgão. Os recursos seriam para “despesas correntes” e “despesas de investimentos”. Duas outras propostas em pauta autorizam doação de terreno dogoverno de Minas para a Prefeitura de Pompéu, na Região Central do estado. O último projeto da sétima reunião ordinária do mês obriga lojas que comercializam lâmpadas fluorescentes a colocar à disposição de consumidores lixeira para o descarte do produto.
O segundo semestre deve ser marcado pela discussão de outras propostas polêmicas, como a política remuneratória dos servidores públicos estaduais, que definirá uma data-base para a maioria das categorias. Também tramitam dois projetos prevendo reajustes de 6,51% para o TJ-MG, Justiça Militar e o MP. Ficou ainda para este semestre a proposta que cria no âmbito do Tribunal de Contas do Estado o Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), um instrumento semelhante ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público. Assim, em vez de punir, o tribunal poderá propor a assinatura do documento, ficando afastadas as possibilidades de penalidades.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Folha: O governo do PT e a “CorrupTur”
O governo do PT e a “CorrupTur”
Fonte: Fernando de Barros e Silva, Folha de S. Paulo – publicado no Site do Noblat
O mundo está de pernas para o ar e Londres, literalmente, pega fogo. O que segue no lugar de sempre é a corrupção brasileira.
A PF desbaratou ontem mais uma quadrilha no cafofo do Turismo. Este é um daqueles ministérios-cumbuca, que serve à roubança capilarizada, onde todo mundo dá um jeitinho de meter a mão.
É ótimo que a PF esteja fazendo o seu trabalho. Mas fica, ao mesmo tempo, a sensação de que o país nessa área está enxugando gelo.
Trata-se, mais uma vez, de um caso envolvendo desvio de dinheiro de emenda parlamentar. Em torno de R$ 3 milhões da verba que deveria, supostamente, servir à “capacitação” de profissionais do turismo em Macapá foram destinados a empresas de fachada. É um esquema já clássico de pilhagem, do qual a pasta do Turismo se tornou uma espécie de agência de viagem.
Entre 33 pessoas, foram presos o atual número 2 e o ex-secretário-executivo do ministério. Não há, por ora, evidências de que o ministro Pedro Novais (PMDB) esteja diretamente implicado no episódio.
Novais é o deputado maranhense que usou verba de gabinete para pagar uma noitada no Motel Caribe, arredores de São Luís, caso que veio à tona em dezembro. O ministro não deveria ter assumido o cargo. Sua presença à frente da pasta é uma espécie de cartão de visita a indicar a vocação do lugar.
Diferentemente do que se passou nos Transportes, desta vez o alvo não é o PR, mas o consórcio entre PMDB e PT. Há diferenças substantivas entre eles? E semelhanças?
O Turismo é uma pasta periférica. Além de abrigar falcatruas, emendas para eventos suspeitos e patrocinar favores a apaniguados, para que serve esse ministério?
Não há como resgatá-lo da cultura da corrupção? A Copa não será suficiente para dar ao Turismo uma feição mais séria, um papel estratégico ou menos decorativo, de fato público? Como existe hoje, melhor extingui-lo logo. Seria uma economia de dinheiro e de vexames.
Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/08/10/corruptur-397609.asp
segunda-feira, 7 de março de 2011
TRE-MG pode tornar Hélio Costa inelegível por uso de telefones do escritório de Furnas em BH durante pré-campanha
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Fonte: Fernanda Krakovics – Panorama Político – O Globo
Telefones do escritório de Furnas em Belo Horizonte, feudo do PMDB, foram usados para fazer ligações para líderes do partido na pré-campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas, no ano passado. Em uma amostra de três contas, há 45 interurbanos para caciques locais em maio, quando o ex-ministro promovia videoaulas para mobilizar a militância. O PSDB pede na Justiça a inelegibilidade de Costa e de seu vice, Patrus Ananias (PT), que foram derrotados nas eleições.
Telemarketing de Furnas
O TRE de Minas mandou Furnas entregar a lista dos telefones do escritório, inclusive celulares, e cobra da Telemar as contas de maio a setembro, para checar se a prática continuou na campanha. Entre os destinatários das ligações há vereadores, candidatos, presidentes regionais do PMDB e o tesoureiro da campanha, Célio Mazoni. Furnas afirma que, tão logo soube da irregularidade, demitiu o responsável: Sinval Ladeira, então coordenador do Luz para Todos no Sudeste. Em 2006, ele tentou, sem sucesso, eleger-se deputado estadual pelo PDT. Dispensado de Furnas,
foi trabalhar de vez na campanha de Hélio Costa.
“Brasília
“Devo muito ao Sinval, porque foi ele quem organizou todas as minhas campanhas. Se hoje sou senador, devo isso a ele” — Hélio Costa, no lançamento da candidatura de Sinval Ladeira, em 2006, em matéria publicada na “Folha de Contagem”
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
TRE-MG desaprova contas de campanha de Hélio Costa para Governo de Minas nas eleições de 2010
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral de Minas
Campanha de Hélio Costa, que fez dobradinha com Patrus Ananias (PT) como vice na chapa, deixou uma dívida de R$ 3,8 milhões com fornecedores e prestadores de serviços

Clique aqui e veja o relatório completo: TRE-MG desaprova contas de Hélio Costa
Reprodução do parecer final do TRE-Minas:
“As ocorrências que revelam indício de fraude somam a quantia de R$153.794,31. A estas ocorrências, no entendimento desta Unidade Técnica, não se aplica o conceito e limite de irrelevância, estabelecido no ad. 30, § da Lei n° 9.504197, mas sim caracterização de uso de recursos financeiros pare pagamento de pastas não provenientes da conta especifica de campanha, configurando-se a ilicitude prevista no art, 22, § 3°, do mesmo diploma legal. Por todo o exposto, impõem-se a desaprovação das comas de Helio Calixto da Costa, candidato ao cargo de governador pelo PMDB-MG.”
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Folha: “Assessor de Hélio Costa, que dirigiu Comunicações, recebeu autorização gratuita para instalar emissora de rádio”
Aliado de ex-ministro ganha concessão
Assessor de Hélio Costa, que dirigiu Comunicações, recebeu autorização gratuita para instalar emissora de rádio
Atual titular da pasta, José Artur Filardi diz desconhecer vínculo e que o senador não participou da decisão
O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, autorizou concessão gratuita de uma rádio FM à Fundação Educativa Cultural Dona Beja, em Paracatu (MG), que tem como vice-presidente o assistente parlamentar do senador Hélio Costa (PMDB-MG) Murilo Santana Pereira.
Filardi disse que desconhecia o vínculo entre a fundação e o assessor, e que “pensa” em anular a outorga para não prejudicar o senador e ex-ministro da pasta.
Filardi sustenta que Hélio Costa não participou da decisão nem sabia da ligação do assessor com a fundação.
O ministro disse que após ser procurado pela reportagem obteve a confirmação de que o dirigente da fundação tem cargo no gabinete.
O Senado diz que Pereira está lotado no gabinete de Hélio Costa em Belo Horizonte desde novembro de 2007.
A portaria de concessão da rádio à Fundação Dona Beja foi publicada no “Diário Oficial” em 8 de dezembro, a 22 dias do fim do atual governo.
Filardi disse que a fundação entrou com o pedido de concessão no Ministério das Comunicações em 2006. “Autorizei porque a documentação era regular”, disse.
Filardi disse que a fundação era representada nas reuniões no ministério por Lafaiete Pereira Leitão, a quem conhecia como radiodifusor de Paracatu. Ele é pai do assessor Murilo Pereira.
Lafaiete Leitão confirmou que o filho tem cargo de comissão no gabinete de Costa em Minas. Ao ser procurado pela reportagem, reagiu com uma: “Me diga, jornalista, isso é ilegal ou imoral?”.
A Folha não conseguiu localizar Costa. Segundo informação de seu gabinete, em Brasília, ele estaria no interior de Minas Gerais, com o celular desligado.
“Para mim, como meu filho está vinculado ao Senado e não ao Ministério das Comunicações, não há problema algum”, afirmou.
PASSADO
Mineiro de Barbacena, Filardi é pessoa de confiança de Costa, tendo sido seu chefe de gabinete no Ministério das Comunicações, de 2005 a março deste ano.
A relação entre os dois é tão estreita que foi para Filardi que Costa transferiu sua rádio Sucesso FM, de Barbacena, quando foi impelido pela Comissão de Ética Pública, em 2005, a se desfazer da emissora para prevenir conflitos de interesse.
Segundo o ministro, desde que assumiu o cargo, em 31 de março, autorizou 14 concessões de rádios FM educativas e duas de TV.
Só a EBC (Empresa Brasil de Comunicação, que gere a TV Brasil) recebeu cinco rádios que operarão no AC, em MS, em MT, no RJ e no RS.
Outras concessões de rádios foram outorgadas para as fundações Lider Brasil (RN), Educadora São José (AP) e Humberto Reis da Silveira (PI).
O ministério, porém, não soube informar a quem estão vinculadas as duas primeiras. A terceira fundação pertence à Assembleia Legislativa do Piauí.
As concessões de TV educativas foram para a Assembleia Legislativa da Bahia e para a Fundação Vicentina Lucena, do Ceará.
Fonte: Elvira Lobato – Folha de S. Paulo
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Merval Pereira analisa que o PT pós-Lula ‘pode se transformar num outro PMDB’
PT pós-Lula
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem dito a amigos que está na hora de revermos uma antiga certeza na hora de analisarmos nosso sistema político, a de que o país não tem partidos organizados, e por isso as negociações são feitas pontualmente, de acordo com interesses fisiológicos ou de grupos.
Segundo ele, o país já tem um partido organizado organicamente, e este partido é o PT. Essa constatação de Fernando Henrique fica mais confirmada ainda quando se lê que os oito governadores do PSDB, seu partido, decidiram que não farão oposição ao governo Dilma, atrás das verbas que o governo federal pode distribuir aos estados.
Um dos feitos do PSDB na recente eleição, em que foi derrotado pela terceira vez consecutiva para a presidência da República, foi justamente ter sido o partido que mais governadores elegeu, especialmente mantendo o comando dos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, o que demonstraria sua força política.
Ora, se esses oito governadores abrem mão de fazer oposição, numa estratégia orquestrada pela direção nacional do partido, o que esperar?
Essa estratégia de neutralidade, aliás, já foi tentada durante os oito anos do governo Lula, e deu no que deu.
Os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, passaram seus mandatos tendo uma atuação generosa com o governo central, num cálculo de aproveitar um bom relacionamento para obter favores federais que beneficiassem suas gestões estaduais.
Desse ponto de vista deu certo, os dois fizeram governos muito bem avaliados. Mas não se identificaram junto ao eleitorado como políticos de oposição.
Ambos apareciam ao lado de Lula como se fossem seus correligionários, e Serra tentou até mesmo confundir o eleitorado mostrando-se com de Lula no programa de propaganda eleitoral da televisão, querendo passar a idéia de que Lula não se incomodaria com sua vitória.
Ambos, em momentos distintos da disputa eleitoral, sentiram a mão pesada de Lula e do PT.
O ex-governador de Minas sentiu também a objetividade do PT como partido, ao ver vetado a nível nacional o acordo regional que fizera com o então prefeito Fernando Pimentel.
Nem Lula nem o PT, quando foi preciso, fingiram neutralidade ou tentaram aparentar generosidade com os adversários políticos.
É disso que trata Fernando Henrique quando diz que o único partido organizado que temos no país é o PT.
O comando de Lula sobre o partido sempre foi exercido com mão de ferro, com o auxílio direto de José Dirceu, e foi devido a essa liderança incontrastável que o partido permaneceu unido durante as três derrotas consecutivas, mantendo-o como candidato mesmo quando parecia que não tinha mais chance de vencer.
E o partido manteve-se na oposição, mesmo quando a unanimidade do país apoiava o Plano Real.
Quem se colocou no seu caminho foi mantido à parte, como os senadores Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque, que ousaram questionar se ainda valia a pena manter Lula como o candidato do partido à presidência da República depois de três derrotas.
No governo, à medida que sua popularidade foi aumentando, Lula se impôs ao partido de maneira tal que os poucos dissidentes acabaram sendo forçados a abandoná-lo, e formaram o PSOL.
No seu segundo mandato, a influência de Lula sobre o PT foi tamanha que ele conseguiu a unidade em torno de Dilma Rousseff à sua sucessão, uma candidata improvável e sem tradição partidária.
Mais uma vez mostrou que estava certo ao impedir que setores do partido apresentassem candidatos em estados em que o PMDB tinha interesses divergentes, tudo para garantir o apoio do maior partido à sua candidata.
Ao mesmo tempo em que sufocava politicamente as diversas facções partidárias, Lula dava a elas pedaços do poder e proteção política.
O partido superou a crise do mensalão sem se desintegrar e continua sendo o preferido do eleitorado brasileiro.
Seu teste de fogo será a saída de Lula do poder, e uma amostra do que pode acontecer estamos vendo agora, na disputa para a presidência da Câmara e na montagem do primeiro ministério de Dilma Rousseff.
As diversas facções em que se divide o partido estão em disputa como sempre estiveram, só que agora não têm uma liderança que organize essa disputa e a subordine aos interesses maiores do partido.
A tendência Construindo um Novo Brasil, que é majoritária no partido, estava dividida entre Cândido Vacarezza e Marco Maia, o que indicava que o candidato oficial poderia ser derrotado na disputa.
O ex-deputado federal e candidato ao Senado pelo PSOL, Milton Temer, acha que é “excelente para a democracia brasileira que o PT saia do sufoco que lhe foi imposto pelo pragmatismo lulista, e retome a energia interna que marcou suas duas primeiras décadas de existência como o principal partido brasileiro, nascido das bases sociais”.
Para Temer, o partido encontrava sua energia exatamente na disputa de caminhos políticos distintos que suas diversas tendências, e lideranças independentes, disputavam em cada reunião das instâncias.
Ele se recorda da disputa com José Dirceu pela presidência do partido, no Congresso do Glória, em 1997. Na ocasião, representando o campo de esquerda, ele obteve votos de 47% dos delegados, enquanto Dirceu obteve a vitória com apenas 49%, “tendo ao seu lado, na boca de urna, nada menos que Lula e o então presidente da CUT, João Felício”.
Para Temer, mesmo com esse resultado apertado, a unidade partidária só não foi conseguida pela “falta de generosidade e fraternidade do campo majoritário que, já no ano seguinte, promovia a arbitrária intervenção no diretório do Rio de Janeiro, por conta de vitória legítima que Vladimir Palmeira obtivera nas prévias que indicariam o candidato próprio ao governo do Estado”.
Essa “falta de generosidade e fraternidade” era a marca da liderança de mão de ferro de Lula e Dirceu, que hoje já não existe.
Lula tem dito que pretende continuar atuando dentro do partido, mas é difícil que encontre tempo para isso.
Temer acha que o PT pode ter agora “sua última oportunidade de ressuscitar a identidade que a sigla tinha até chegar aos tapetes do Planalto”, abandonando a lógica de ocupação de cargos no aparelho do Estado para voltar à discussão programática.
Ou então o partido pode se transformar num outro PMDB.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Sem cargo: Dilma não consegue acomodar sede de aliados por cargos no 1º escalão do Governo

Briga entre partidos complica Dilma
A presidente eleita, Dilma Rousseff, tem o perfil definido dos titulares de 14 ministérios – dos quais sete já foram convidados. Até agora o trabalho foi mais simples. Faltando mais da metade das 38 cadeiras distribuídas pela Esplanada, a parte espinhosa está por vir, incluindo lidar com as insatisfações de aliados que se sentirão sub-representados no governo. Pelo desenho do que já foi oficializado, dos nomes convidados e dos prováveis ocupantes, prevalecem em 15 pastas dúvidas generalizadas sobre o partido e os nomes que as comandarão. Em outras oito, a solução é uma incógnita.
Dilma oficializou três ministros e convidou outros cinco, dos quais apenas um não se sabe qual rumo tomará: Paulo Bernardo, cotado para Previdência e Comunicações. Os certos são: Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento). Os dois primeiros que serão anunciados nos próximos dias se somam a Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), oficializados na semana passada. Ela também anunciará a Secretaria de Relações Institucionais, que deverá ficar com Alexandre Padilha.
Em outros sete ministérios, a presidente eleita tem o perfil definido e já bateu o martelo. Apesar da resistência do PT, Dilma deverá mesmo atender o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manter Fernando Haddad no Ministério da Educação. Além disso, até o fim da semana passada, ela estava decidida, segundo interlocutores, a entregar para o PSB a Integração Nacional. O titular deve ser Fernando Coelho. A expectativa é a oficialização dessa indicação em conversa entre Dilma e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, hoje ou amanhã.
No atual estágio das conversas – que pode mudar com a evolução das conversas -, o PSB terá seu desenho refeito. Perderá o Ministério de Ciência e Tecnologia e a Secretaria dos Portos, que deverá ser inflada com a responsabilidade de cuidar da aviação civil. A hipótese mais forte é que a primeira pasta caia na mão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que a partir do ano que vem não tem mais mandato. A segunda entrará no balaio de negociações com os partidos. O PMDB está de olho nessa secretária renovada.
Os peemedebistas estão de olho em tudo. Até agora não há alguém no partido que dê certeza sobre que tamanho terá no futuro governo. A única quase certeza é Edison Lobão em Minas e Energia. De resto, existem peemedebistas cotados na Cidades, Defesa, Meio Ambiente, Agricultura e Transportes. Segundo interlocutores, o mesmo partido não ficará com Cidades e Transportes, as duas meninas dos olhos da lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O que se sabe é que o ex-governador do Rio Moreira Franco virará ministro, mas por enquanto seu destino é pura especulação. Ele é lembrado para Cidades, mas, segundo uma fonte próxima da presidente eleita, não está certo que o PMDB tomará conta da pasta, que hoje está com o PP.
INSATISFAÇÃO Nessa seara, PP e PR são dois partidos com grandes chances de se tornar um antro de insatisfação a partir das oficializações dos indicados. Os progressistas não deverão ter ministro e o PR deverá perder os Transportes – hoje, a hipótese mais aventada é Dilma manter o atual titular, Paulo Sérgio Passos. O único ministeriável do PR é o senador eleito Blairo Maggi (MT), cotado para a Agricultura, posto disputado também pelo PMDB. Maggi, segundo a equipe de transição, é nome curinga que pode ocupar qualquer cadeira que Dilma indicar.
Outro curinga é o senador eleito Eduardo Braga (PMDB-AM). Os peemedebistas gostariam que ele ocupasse a pasta de seu desafeto político, o Ministério dos Transportes, que no governo Lula era comandado por Alfredo Nascimento. O ex-governador do Amazonas é lembrado até para o Meio Ambiente. No Itamaraty, está praticamente certo que Dilma vai escalar Antonio Patriota para fazer dupla com Marco Aurélio Garcia, convidado para se manter no posto de assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto. Ela ainda não sabe o que fazer também com a Secretaria de Comunicação Social que poderá ficar como está, dividir poder com a Secretaria Geral e Casa Civil e até perder status de ministério. Neste caso, a indicada é Helena Chagas.
Fonte: Tiago Pariz – Estado de Minas
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Merval sobre o ‘blocão’: o que o PMDB e seus seguidores querem é pelo menos manter essa partilha de poder do jeito que Lula deixou, diz

O blocão
Por que será que o PMDB nunca pensou em montar um bloco de centro-direita durante o governo Lula como o que está montando agora quando a presidente eleita, Dilma Rousseff, começa a decidir a formação de seu Ministério? Porque ninguém sabe o que vai predominar na engenharia política que está sendo montada, talvez a duas cabeças, para a futura administração petista. No governo Lula, nenhum dos partidos da base governista tentou uma rebelião branca porque primeiro Lula era maior não apenas que o PT, mas também que o PMDB e os demais partidos de sua base.
Sobretudo, porém, porque todos confiavam que Lula enquadraria o PT para abrir espaço no seu governo, cujo objetivo maior sempre foi eleger Dilma Rousseff.
Agora, cada um trata de cuidar de si até que a nova presidente dê o ar de sua graça e mostre aos aliados quem é que manda no seu governo, qual será a linha de atuação.
O PMDB começou a se mexer quando sentiu o cheiro de carne queimada na disputa das presidências da Câmara e do Senado.
Tendo perdido nas urnas a prerrogativa de ser a maior bancada da Câmara por nove deputados – o PT elegeu 88 deputados contra 79 do PMDB -, os peemedebistas já tentavam um acordo de cavalheiros com o PT para um rodízio na Câmara, a exemplo do que fizeram na legislatura anterior.
Mas como na nossa política faltam cavalheiros, o PT lançou a ideia de fazer o rodízio também no Senado, o n d e o PM D B t e m u m a maioria incontestável: tem 20 dos 81 senadores, enquanto o PT tem 14.
Ao mesmo tempo, o PMDB passou a ver a disputa dentro do próprio PT do grupo comandado pelo exdeputado José Dirceu, que tenta barrar a ida do ex-ministro Antonio Palocci para um posto de importância dentro do governo, ainda mais se for dentro do Palácio do Planalto, como a chefia do Gabinete Civil ou uma Secretaria-Geral turbinada.
Essa briga de foice no escuro, que está sendo travada neste momento, será o primeiro sinal que os políticos e o público de maneira geral receberão sobre as tendências do futuro governo Dilma.
Por enquanto, tudo indica que as ideias defendidas por Palocci quando estava no Ministério da Fazenda vão prevalecendo, e o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que era seu aliado naquele momento na tentativa de conter custos do governo, continua sendo o porta voz das mesmas ideias, até o momento sem ser contestado por ninguém do futuro governo.
Há também indicações de que a postura, digamos, mais proativa do ministro da Comunicação Social Franklin Martins a favor de um maior controle social dos meios de comunicação, anunciando até mesmo um confronto se necessário para a regulamentação das telecomunicações, não está de acordo com o que a presidente eleita quer em matéria de relacionamento com os meios de comunicação.
Nos dois casos, a presidente eleita tem emitido sinais que contradizem sua atuação como ministra no Gabinete Civil, o que pode indicar que, uma vez eleita, as imensas responsabilidades do cargo passaram a ditar seus compromissos, e não um eventual voluntarismo que porventura guiasse suas decisões anteriormente.
O blocão formado por PMDB, PP, PR, PSC e PTB, com 202 deputados federais no total, é uma demonstração de que uma eventual tendência esquerdista não terá respaldo no Congresso, mesmo que na teoria o governo tenha o domínio de praticamente 70% daquela Casa, com o apoio de dez partidos políticos de peso: PT (88), PMDB (79), PP (41), PR (41), PSB (34), PDT (28), PTB (21), PSC (17), PCdoB (15), PRB (8).
A formação desse agrupamento político de centro-direita, com o vice-presidente eleito Michel Temer como coordenador informal das negociações parlamentares, não apenas deixa o PT isolado com seu grupo de esquerda tradicional (PCdoB, PDT, PSB) como demonstra que a vitória petista nas urnas não significa que haverá apoio político para um governo de esquerda que radicalize em pontos polêmicos como, por exemplo, os incluídos no Programa de Direitos Humanos.
Também na questão puramente fisiológica há uma barreira às intenções petistas de ampliar seus poderes para cima dos aliados.
O PT quer não apenas a Presidência da Casa, mas quer de volta ministérios que perdeu no segundo governo Lula para que a aliança governista acomodasse os representantes de outros partidos.
Mas o que o PMDB e seus seguidores querem é pelo menos manter essa partilha de poder do jeito que Lula deixou, o que quer dizer que o PP quer manter o Ministério das Cidades, o PMDB o de Minas e Energia e o PR o de Transportes, todos na suposição de que haverá mais investimentos nos próximos anos.
O PT encontrará também uma reação forte de um antigo aliado, o PSB, que foi o partido da base que mais cresceu proporcionalmente nas últimas eleições e não se conforma mais em ser apenas um apêndice do PT.
O PSB pode ser um apoio importante para o governo Dilma, mas já demonstrou que está disposto a abrir seus próprios caminhos ao iniciar negociações com o PSDB de Aécio Neves, que terá um papel fundamental no Senado, justamente a Casa em que o presidente Lula se esforçou para derrotar a oposição na tentativa de
evitar que o governo encontre as resistências que ele teve que enfrentar.
Mas a primeira iniciativa já foi bombardeada, mesmo com a oposição enfraquecida: a criação da CPMF, supostamente para ajudar a Saúde, está sendo rejeitada com vigor pela sociedade e dificilmente voltará a existir sem que algum gesto seja feito para desonerar o contribuinte do peso já alto da carga tributária.
Tudo indica que a real fonte de oposição ao governo Dilma estará dentro da própria base governista, que tem uma maioria de centro-direita espelhada nesse blocão organizado pelo PMDB que certamente se esforçará para moldar a atuação do governo.
Fonte: Merval Pereira – O Globo
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ex-aliado de Hélio Costa nos Correios dispara contra o ex-chefe e diz que ações deliberadas eram para ‘sucatear’ a estatal

Ex-diretor acusa governo de agir para sucatear Correios
A acusação foi feita em entrevista à Folha pelo ex-diretor de Gestão de Pessoas Pedro Magalhães Bifano, 53, demitido em julho, no auge da disputa entre PT e PMDB pelo comando da autarquia.
No ano passado, os Correios tinham mais de R$ 4 bilhões disponíveis entre recursos em caixa e aplicações em bancos e títulos do Tesouro Nacional, um crescimento de 60% em relação a 2006.
Apesar de ter dinheiro em caixa, os Correios atravessam uma das piores crises de sua história, a ponto de beirar um “apagão postal”, com atrasos na entrega e sumiço de correspondências.
Bifano aponta uma ação deliberada do ex-ministro Hélio Costa (Comunicações) e do ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio para “sucatear” a estatal.
Segundo ele, o objetivo era transformar a autarquia em sociedade anônima para “sair da 8.666 [Lei de Licitações]“. “Eles queriam que os Correios fossem sócios de empresas privadas”, disse.
Costa e Custódio rebatem as acusações e dizem tratar-se de uma “maldade” do ex-diretor. “Não vou responder a um funcionário demitido dos Correios”, disse o ex-ministro das Comunicações.
“Ele [Hélio Costa] ficava segurando [os gastos], não deixava contratar carros, não deixava contratar aviões, não deixava eu contratar funcionários, para mostrar que o atual modelo não dava. E nós, com R$ 4 bilhões aplicados em caixa. Podia comprar avião, precisava contratar 10 mil funcionários, precisava comprar 2.000 carros”, disse Bifano.
Em setembro, depois de dois anos de discussão, o governo desistiu de transformar os Correios numa S.A.
Segundo Bifano, uma das empresas que seriam favorecidas com a adoção do modelo de sociedade anônima seria a Total Linhas Aéreas, que faz transporte de cargas.
De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, a Total teve um contrato superfaturado em R$ 2,8 milhões assinado em agosto passado.
O caos na gestão dos Correios teve como pano de fundo uma disputa de poder e de nomeações políticas entre o PMDB mineiro e o PT.
A crise na estatal provocou a demissão de Custódio e de Marco Antonio Oliveira, ex-diretor de Operações. Bifano foi demitido nessa época.
Oliveira é suspeito de ter participado de um grupo de lobby que operava dentro da Casa Civil nas gestões da presidente eleita Dilma Rousseff e de sua substituta e braço direito, Erenice Guerra.
A crise nos Correios contribuiu para a queda de Erenice, em setembro.
Um representante da empresa MTA, companhia que também atua no setor de carga aérea, obteve um contrato no valor total de R$ 59,8 milhões com os Correios depois de ter sido recebido em audiência na Casa Civil por meio de uma empresa de lobby de um dos filhos de Erenice, Israel Guerra.
Bifano diz que veio a público agora fazer essas revelações para rebater o ex-ministro Hélio Costa, que atribuiu a ele, nos bastidores, o vazamento para a imprensa das denúncias de lobby que derrubaram Erenice.
Outro Lado
Costa diz ser bobagem declaração de que ministério interferia na estatal
O ex-ministro Hélio Costa classificou como “bobagem” as declarações do ex-diretor dos Correios Pedro Magalhães Bifano sobre o suposto “sucateamento” da estatal.
Ele disse que o ministério não interferia nos Correios e que jamais foi cogitado no governo mudar a condição de estatal da empresa. “Os Correios têm uma diretoria que toma suas decisões.”
O ex-ministro, que retomou seu mandato de senador (PMDB-MG) após perder a eleição em Minas, contou que, em março deste ano, entregou ao presidente Lula um estudo feito pelo Ministério das Comunicações, em conjunto com a Fazenda e o Planejamento, com sugestões de melhorias na empresa.
Ele disse que tratou do tema com Lula recentemente. “Conversamos sobre a necessidade de reorganização e modernização dos Correios. Ele [Lula] me disse que está colocando [o assunto] na pauta de prioridades para apresentar à presidente eleita [Dilma Rousseff]“.
O ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio, indicado por Costa, admitiu que a empresa tem R$ 4 bilhões em caixa, mas disse que, sem mudança na legislação, pouco poderia ser feito para melhorar as condições do serviço postal no país.
No caso do transporte aéreo de carga, Custódio afirmou ser a favor da criação de uma subsidiária da estatal por meio de uma PPP (parceria público-privada).
Segundo ele, os Correios até poderiam comprar aviões, mas a estatal teria dificuldades para a manutenção. “Se desse problema numa turbina, teríamos de fazer licitação para consertá-la.”
A Total Linhas Aéreas informou que nunca foi consultada oficialmente para fazer parceria com os Correios.
Fonte: Leonardo Souza – Folha
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Hoje em Dia: PT e PMDB já buscam culpados pelo naufrágio de Hélio Costa

Desentendimentos entre os partidos ganham ares de batalha no apagar das luzes da campanha eleitoral em Minas
A três dias da eleições, PT e PMDB dão início a uma guerra interna que sugere o rompimento da aliança feita para lançar a candidatura do senador peemedebista Hélio Costa ao Governo de Minas, tendo o petista Patrus Ananinas como vice. Os dois partidos tentam se responsabilizar por uma eventual derrota ao Palácio Tiradentes no próximo domingo.
Ontem, os desentendimentos ganharam ares de batalha semelhante à que ocorreu na escolha do nome do candidato, em meados de junho. Troca de acusações e fogo amigo são a nova tônica do relacionamento.
O presidente do PT estadal, deputado federal, Reginaldo Lopes, acusou o PMDB de não se engajar na campanha pelo Governo. “Lamentavelmente, o PMDB não entrou na campanha de Hélio Costa”. A declaração é uma resposta aos ataques que peemedebistas e até mesmo Patrus Ananias fizeram, desde o início da semana, ao PT.
Na segunda-feira, Patrus responsabilizo o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) pelo desempenho pouco favorável da chapa majoritária na Região Metropolitana. Patrus disse que o equívoco que causou a queda de Hélio Costa nas pesquisas começou em 2008, quando Pimentel e Aécio se uniram para eleger Marcio Lacerda (PSB) prefeito de BH.
Desde a declaração, uma enxurrada de acusações partiu de representantes dos dois partidos. PMDB e o próprio Patrus apontaram a falta de empenho da militância petista.
Reginaldo Lopes rebateu ao afirmar que Hélio Costa só mantém o cerca de 33% nas pesquisas de intenção de voto porque o PT o ajudou. “O que mantém Hélio Costa com o índice atual se deve exclusivamente ao PT”, registrou.
Para Lopes, é injusto atribuir a conta de desempenho aquém da chapa aos petistas. Ele lembrou que o partido abriu mão de dois nomes para apoiar Héio Costa. A referência foi a Patrus e Pimentel, que até o último instante eram pré candidatos. “O PT fez o maior sacrifício. Tinha dois grandes candidatos e cedeu os dois para montar a chapa”, afirmou.
O fogo amigo parte de todos os lados. Até o secretário geral do PMDB, deputado estadual Antônio Júlio, admite a falta de empenho de seu partido para Hélio Costa. Ele se diz dos poucos que estão engajados, e afirma que existem grande dificuldades na campanha. “As coisas dificultam porque cada um quer jogar a culpa para cima do outro”.
Para o deputado, a falta de empenho dos colegas pode ter explicação. Ele registra que existe falta de planejamento generalizada. “É uma desorganização a campanha de Hélio Costa. Eles não nos comunicam sobre as agendas”. Antônio Júlio disse que só fica sabendo dos locais onde o candidato estará porque entra em contato com o comitê.
“Faltou planejamento, mas não fico reclamando. Comento o que acho que está errado. Eles não ficam satisfeitos, mas eu falo”, desabafou.
Mesmo com os problemas, Antônio Júlio garante que sai às ruas para fazer campanha para o colega. E ainda diz que pede votos para o candidato ao Senado pelo PT. “Pimentel nunca teve coragem de me dar uma ligação, mas eu faço campanha para ele”.
Nos bastidores, a guerra está declarada e tem proporções maiores. A informação é a de que a campanha peemedebista foi abandonada pelos deputados e lideranças dos dois partidos, que se empenham nas próprias eleições a uma cadeira na Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. em muitos casos, estariam até fazendo campanha para o adversário, Antonio Anastasia (PSDB). Alguns petistas chegam a se referir aos peemedebistas com xingamentos, e vice-versa.
O presidente do PMDB em Minas, deputado federal Antonio Andrade, tentou colocar panos quentes na briga entre aliados e dentro do próprio partido. Ele minimizou as divergências. “Nem todo o PT está na campanha e nem todo o PMDB está na campanha. Isso é natural”, afirmou. “Respeito a posição de cada um e estou fazendo a minha parte, mas, na nossa campanha, tem lideranças de todos os partidos, até do PSDB”.
Se a chapa for derrotada, uma segunda fase de batalha terá início. A de ocupação dos cargos em um eventual governo petista, caso a presidenciável Dilma Rousseff saia vitoriosa do pleito. Setores do PT não querem que Hélio Costa reassuma o Ministério das Comunicações.
A chapa ao Governo de Minas da base do presidente Lula (PT) foi formada de forma turbulenta. Desde o início do ano, Pimentel e Patrus apostam que um dos dois seria o eleito para encampar a candidatura. Mas o PMDB pressionou e Hélio Costa foi declarado candidato pelo comando nacional dos peemedebistas e petistas.
Fonte: O Tempo Online – 30/09/2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Patrus ressentido joga a toalha e volta a responsabilizar Pimentel por desempenho de Hélio Costa

Patrus responsabiliza Pimentel por eventual derrota em Minas
O ex-ministro Patrus Ananias (PT), candidato a vice-governador de Minas na chapa de Hélio Costa (PMDB), nem esperou a eleição para acusar o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT) por eventual derrota para o governador Antonio Anastasia (PSDB), que tenta reeleição.
Patrus disse que foi um equívoco a aliança que Pimentel fez em 2008 com o então governador tucano Aécio Neves para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda(PSB). O PT tinha o controle político da capital desde 1992.
“O que há de concreto e objetivo é que tínhamos a Prefeitura de Belo Horizonte e abdicamos de manter essa liderança. Isso fragilizou o nosso partido e a nossa militância em BH. Por conseguinte, [fragilizou a militância] em todo o Estado.”
A declaração foi dada depois que Costa foi ultrapassado por Anastasia em todas as pesquisas -no Ibope, a diferença já é de 13 pontos. Costa perderia no primeiro turno.
A fala expõe o racha no PT entre os grupos de Patrus e Pimentel, originado na última disputa municipal.
“Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008. Para mim é um processo que está resolvido, mas é sempre bom resgatar para não perder a memória”, disse o ex-ministro.
Para Patrus, a situação da aliança PMDB/PT na eleição se complica ainda mais quando eles têm que enfrentar a força política do Palácio da Liberdade, que o ex-ministro definiu como sendo um “partido secular”.
A divisão foi acentuada em 2009 quando os grupos de Patrus e de Pimentel mediram forças pelo controle do partido. Pimentel emplacou o presidente do PT-MG e tem maioria no diretório estadual. Neste ano, ele bateu Patrus na prévia e foi indicado pré-candidato ao governo.
A intervenção do PT nacional, com a chancela do presidente Lula, porém, tirou de Pimentel a candidatura, e o PT-MG foi empurrado para a aliança com Costa. Novamente, Lula agiu e convenceu Patrus a ser vice de Costa e indicou Pimentel para ser candidato ao Senado.
Pimentel não quer comentar a fala de Patrus.
Fonte: Paulo Peixoto – Folha de S. Paulo
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Globo: Dinheiro de propina iria para Hong Kong para apagar incêndio de Dilma, Hélio Costa e Erenice, diz Quícoli

O esquema de tráfico de influência instalado na Casa Civil contaria até com duas contas em Hong Kong, na China, para onde deveriam ser enviadas as propinas pagas pelas facilidades obtidas, segundo o empresário Rubnei Quícoli, de Campinas. Esse esquema seria comandando pelo ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, seu sobrinho Vinícius Castro, ex-funcionário da Casa Civil, e Israel Guerra, filho da exministra da pasta Erenice Guerra.
A denúncia, que consta de reportagem da revista “Veja” desta semana, foi confirmada ontem por Quícoli. O empresário – que, em parceria com as empresas de energia EDRB e KVA, tentava um empréstimo de R$ 9 bilhões no BNDES – enviou ontem ao GLOBO, por email, os números de duas contas no HSBC de Hong Kong, em nome de Right Day Enterprises Limited e Tartar International Limited, que seriam do genro de Marco Antonio, o empresário Roberto Ribeiro. Este negou ao GLOBO ter passado os dados com o propósito de que fosse depositado dinheiro fruto de propina, mas confirmou ter se reunido com Quícoli.
Pedido de propina de R$ 5 milhões
Segundo “Veja”, Marco Antonio chegou a pedir que o genro, que mora em Miami, viesse ao Brasil para se reunir com Quícoli. O encontro, conta a reportagem, ocorreu em 12 de junho, no Hotel Inter Continental da Alameda Santos, em São Paulo.

- Essa conta (no exterior) é do genro do Marco Antonio. Após o Vinícius não ter sucesso comigo, o M.A. (como Marco Antonio é chamado) tomou frente para arrecadar R$ 5 milhões dizendo que seria para a Erenice apagar um incêndio dela e da Dilma e outro valor não mencionado pelo M.A. para ajudar na campanha do Helio Costa – respondeu Quícoli, por e-mail, ao GLOBO.
O e-mail de Ribeiro a Quícoli é datado de 25 de maio deste ano.
No dia 6 de maio, Quícoli já havia recebido um e-mail que seria de Vinícius, em que é apresentada uma conta para depósito no Brasil, em nome da Synergy Assessoria e Consultoria Empresarial LTDA, de Brasília.
No texto, Vinícius pede que, “tão logo possível, (Quícoli) encaminhe minuta do contrato para levarmos ao jurídico e providenciarmos o preenchimento da respectiva nota fiscal”.
- Primeiro, o Vinícius me enviou essa conta (a da Synergy). Eu enrolei e, lógico, não aceitei jamais – respondeu Quícoli ao GLOBO.
O contrato seria feito com a Capital Assessoria, empresa da mãe de Vinícius Castro e de Saulo Guerra, outro filho de Erenice Guerra. O serviço prestado pela Capital seria a intermediação do empréstimo no BNDES para a construção de uma usina de energia eólica no Nordeste do país.
O grupo de lobistas teria se contentado em receber R$ 5 milhões para viabilizar o empréstimo. Esse é o dinheiro que deveria ter sido depositado nas contas de Hong Kong. Segundo “Veja”, os números das contas no exterior foram oferecidos a Quícoli como uma “opção mais discreta” para o recebimento da propina. Quícoli, porém, afirma que não aceitou a proposta e não pagou a propina. Segundo o empresário, o empréstimo do BNDES foi suspenso depois que ele se negou a pagar pelo lobby.
Apesar de negociar com a Capital, Quícoli já afirmara ao GLOBO que nunca se encontrou com os irmãos Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice.
Mas disse que participou de várias reuniões na Casa Civil, a primeira com a então secretária do ministério, Erenice Guerra. Na ocasião da entrevista, Quícoli disse não saber se os R$ 5 milhões pagariam dívidas de campanha, nem se Dilma e Erenice sabiam do pedido milionário: – Não me disseram que era (para cobrir) um rombo da campanha.
Acho que eram dívidas particulares.
Alguma coisa assim que o partido não tinha como sustentar.
Acho que eram coisas particulares e não tinham nada a ver com o partido, em si. Ele (Marco Antonio) me disse que era dos três, na verdade, Dilma, Erenice e Helio Costa.
Ex-braço direito de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, Erenice negou ter permitido um esquema de facilitações a empresas na Casa Civil. O PT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral contra o empresário de Campinas, alegando calúnia e difamação contra o partido.
Helio Costa também negou ter pedido dinheiro. O BNDES negou a existência de lobby para favorecer as empresas ligadas a Quícoli.
Veto foi ‘estopim’ da denúncia
Perguntado sobre sua motivação e a data escolhida para fazer a denúncia, publicada pela “Folha de S. Paulo” há duas semanas, o empresário respondeu que aproveitou o momento das denúncias do empresário Fabio Baracat sobre a Capital: – Como uma ministra coloca os filhos dela lá para viabilizar aporte de R$ 9 bilhões? Quando vi que o contrato que eu tinha, da empresa (Capital), era a mesma, conversei com a empresa (ERDB) e falei: vou me manifestar.
Primeiro, chequei no BNDES e deu que o meu projeto estava totalmente anulado. Daí, deu a entender que, realmente, o poder deles, por eu não ter assinado o contrato, foi de vetar.
Foi o estopim para mim.
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Fonte: O Globo – Tatiana Farah
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
UOL Eleições: Hélio Costa afirma desconhecer elo entre Correios e filho de ministra

O Globo: Empresário diz que R$ 5 milhões abasteceriam campanhas de Dilma e Hélio Costa
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Correio Braziliense: “Nunca vi tanto amadorismo, provincianismo. Não tem 100 prefeitos que apoiam a candidatura do Hélio Costa”


