segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dia de Minas: Anastasia critica crise nos Transportes, lamenta atraso nas obras das BRs e responsabiliza o Governo Federal

Lamento por atraso nas obras

Fonte: Amanda Almeida – Enviada especial – Estado de Minas

INFRAESTRUTURA
Nas comemorações do Dia de Minas, em Mariana, governador Antonio Anastasia disse esperar que os efeitos da crise no Ministério dos Transportes não prejudiquem os projetos rodoviários no estado

Mariana - O governador Antonio Anastasia (PSDB) lamentou ontem o congelamento de R$ 2,69 bilhões em obras e serviços rodoviários de Minas, resultado da crise vivida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Na sexta-feira, o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, anunciou o afastamento do diretor-executivo do órgão, José Henrique Sadok de Sá. Entre as obras prejudicadas no estado, que tem a mais extensa malha federal, estão a duplicação da BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e São Gonçalo do Rio Abaixo; a revitalização do Anel Rodoviário da capital; e as melhorias no trecho entre o trevo de Ouro Preto e Ressaquinha, na BR-040.

“Estes episódios (crise no Dnit) evidentemente atrasam. Lamentamos e não queremos que isso ocorra. Mas é um dado que é matéria interna do governo federal. O que nós mineiros não queremos é que haja postergação, porque essas obras são fundamentais”, disse Anastasia, acrescentando que “os grandes gargalos da economia mineira, em termos de infraestrutura, são de responsabilidade do governo federal”. No dia 6, o Ministério dos Transportes suspendeu por 30 dias todos os procedimentos licitatórios em andamento e previstos para serem publicados.

Em Minas, o congelamento atingiu, além das três grandes obras citadas, que somam R$ 2,5 bilhões, 25 editais, divididos em praticamente todo o estado. Os últimos, incluindo um pacotão para garantir a recuperação de trechos de 1.582 quilômetros de estradas que cortam o estado, estavam estimados em R$ 195,7 milhões. ”Continuamos registrando, solicitando e nos empenhando para que as obras estruturantes em Minas sejam implementadas. Tem sido este o compromisso público da presidente Dilma”, comentouAnastasia.

O governador participou ontem do Dia de Minas, em Mariana. Lei sancionada em 19 de outubro de 1979 pelo então governador Francelino Pereira transfere simbolicamente a capital do estado para a cidade da Região Central todo dia 16 de julho. Na data, Mariana, primeira vila e capital de Minas, faz aniversário: este ano foram 315 anos. Em seu discurso, além de lembrar a história da cidade e do estado, Anastasiahomenageou o ex-presidente Itamar Franco, morto no último dia 2. “Há dias nos despedimos de um dos maiores homens de Minas Gerais, o presidente Itamar Franco. Pela idoneidade do caráter, as idéias e os atos, verificamos que sua trajetória é um exemplo na nossa história”, afirmou. No evento, 50 pessoas receberam a Medalha do Dia do Estado de Minas Gerais, entre elas o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

PROFESSORES Em greve há 39 dias, professores estaduais também marcaram presença no evento. Com capuz roxo, eles vaiaram o governador e estenderam faixas “Professor Anastasia, respeite a categoria”. O tucano ironizou a manifestação. “Acho que é uma homenagem ao Harry Potter”, disse. Na quinta-feira, o governo anunciou reajuste de 5% este ano para servidores que ainda não receberam aumento. Segundo a secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, os professores, que representam 67% da folha de pagamento do estado, já foram beneficiados este ano com a revisão do plano de carreira. A secretária não informou de quanto foi o reajuste, mas garantiu que “nenhum professor recebeu menos de 5%”.

O reajuste anunciado faz parte da proposta de política remuneratória do estado, que deve ser encaminhada como projeto de lei à Assembleia Legislativa. A lei fixaria outubro como data-base para reajuste dos servidores, com exceção dos professores e dos policiais. O governo deu até o dia 20 para os professores voltarem ao trabalho. Caso contrário, ameaça cortar o ponto dos dias não trabalhados, com autorização do Tribunal de Justiça de Minas. A próxima assembleia da categoria está marcada para 3 de agosto.

Saiba mais
Dia dos Gerais
Mariana pode dividir as comemorações do Dia de Minas com Matias Cardoso, no Norte do estado. De autoria da deputada Ana Maria Resende (PSDB) e de outros 25 parlamentares, a Proposta de Emenda à Constituição 15/2011 cria o Dia dos Gerais, a ser comemorado em 8 de dezembro. A tucana reconhece que a sociedade aurífera do estado começou com a fundação do arraial de Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, em 1696, que deu origem a Mariana. Mas defende que, antes disso, em 1660, o bandeirante Mathias Cardoso de Almeida já se fixava nas margens do Rio Verde Grande e, depois, do Rio São Francisco, em Morrinho, atual município do Matias Cardoso. A cidade do Norte de Minas já comemora informalmente a data. A PEC 15/2011 tramita nas comissões da Assembleia Legislativa.

sábado, 16 de julho de 2011

Reinaldinho promove rua de lazer



Reinaldinho promove rua de lazer no bairro Palmares

Evento: Rua de Lazer

Local: Rua Francisco Inácio Peixoto

Dia: 17/07/2011

Hora: 10:00 às 14:00

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Governo de Minas anuncia instalação de nova fábrica da Siemens em Itajubá, investimentos de R$ 300 milhões vão gerar 1,1 mil empregos

O governador Antonio Anastasia e o presidente da Siemens, Adilson Primo, anunciaram, nesta quinta-feira (14), no Palácio Tiradentes, investimentos de R$ 300 milhões em duas fábricas: uma de motores elétricos de baixa e média tensão e outra de redutores mecânicos, para atender a indústria em geral. O local para a implantação do projeto será em Itajubá, onde serão gerados 1.100 empregos diretos, quando as fábricas estiverem em plena capacidade de operação.

“Este é um momento muito feliz, quero agradecer à Siemens, cumprimentar Itajubá por mais essa bela conquista, transformando cada vez mais o nosso Sul de Minas e Itajubá, em especial, em grande polo de desenvolvimento tecnológico do Brasil. Teremos uma fábrica de altíssima tecnologia, fabricação de motores para diversas atividades, investimento de R$ 300 milhões, vamos gerar em breve mais de 1 mil empregos nessa cidade, com a Siemens, que é uma referência internacional”, disse o governador, durante o anúncio do novo investimento.

A nova unidade começa a ser implantada ainda este ano com previsão de entrar em operação em 2013, com a criação, inicialmente, de 700 empregos diretos e um número significativo de indiretos. Em 2016, quando o empreendimento estiver funcionando plenamente, o número de empregos deve chegar a 1.100 postos. O plano de investimentos da Siemens no Brasil até 2016 prevê aportes de US$ 600 milhões. Ou seja, parte expressiva desses investimentos se concentrará em Minas Gerais. Nos últimos dez anos, a empresa investiu US$ 700 milhões no país.

Grandes empreendimentos

O governador Antonio Anastasia destacou, durante o anúncio, que Minas Gerais vem atraindo nos últimos dias grandes empreendimentos, que vão gerar empregos de qualidade em diversas regiões do Estado. Somente neste mês de julho, o governador assinou protocolos de intenções para investimentos de empresas privadas no Estado, que somam R$ 7,9 bilhões, que vão gerar mais de 9 mil empregos diretos. Entre esses projetos estão os das mineradoras BHP Billiton e MMX e da Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.

“A secretária Dorothea está muito empenhada em trazer novas empresas, a imprensa está acompanhando quantas e quantas empresas e boas notícias nós trouxemos aos mineiros de diversas regiões, no Norte, no Centro, no Sul de Minas, nos últimos poucos dias, com novos empreendimentos, gerando empregos, que é a obsessão número um de nosso governo, gerar empregos para os mineiros”, afirmou o governador.

A presença da Siemens no Estado, empresa de alta tecnologia, envolvida em atividades com alto grau de inovação e complexidade, significa agregação de valor à economia mineira e geração de empregos de qualidade. A Siemens já emprega diretamente 450 pessoas em Minas Gerais, sendo mais da metade (242) do quadro composto por profissionais com formação em engenharia.

Logística e formação de mão de obra

O presidente da Siemens, Adilson Primo, explicou que a presença de instituições de ensino para a formação de mão de obra e a localização estratégica de Itajubá foram fundamentais na escolha da cidade para a implantação da nova unidade da empresa.

“Itajubá oferece, primeiro, uma obra de mão qualificada, que será o grande tema do Brasil no futuro. Se o Brasil hoje tem um problema de infraestrutura, que todos nós sabemos, acho que um dos grandes temas do futuro será a disponibilidade de mão de obra qualificada. Itajubá, pela sua tradição, pelas suas escolas, pelo nível do seu ensino, efetivamente oferece condições muito superiores a muitas outras cidades. Segundo, a questão da logística. Porque nós vamos estar mais ou menos equidistantes do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, e esse é o grande polo industrial do Brasil. Então a logística também tem peso específico muito grande”, disse o presidente da Siemens.

No Brasil e em Minas

No país há mais de 100 anos, a empresa se destaca como o maior conglomerado de engenharia elétrica e eletrônica do Brasil. Os seus equipamentos e sistemas são responsáveis por 50% da energia elétrica produzida no país. Alem disso, 25% dos diagnósticos digitais por imagens são efetuados com equipamentos da Siemens.

As atividades da Siemens em Minas Gerais atendem principalmente os setores de mineração, siderurgia, energia e mercado industrial. Uma das principais unidades de negócios da empresa está em Contagem: a Trench, fabricante de reatores e bobinas de bloqueio com núcleo de ar. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) está na lista dos principais clientes da Siemens, como a Vallourec & Mannesmann, Gerdau, Vale, Usiminas, entre outros.

Entre os principais marcos da presença da Siemens em Minas Gerais estão a iluminação do Mineirão e a automação do Diamond Mall. A Siemens participou da implantação da Açominas, Mannesmann, Coteminas e, mais recentemente, da expansão do Hospital Mater Dei. Está ainda em Jeceaba no projeto da VM-Tubes. Outros destaques são a participação da Siemens junto a Cemig na construção das usinas hidrelétricas de Emborcação, Três Marias, Aymorés, Guilman Amorim, Irapé e Porto Estrela, e as principais subestações da Cemig no Estado.

Siemens investirá R$ 300 mi em MG

Fonte: Frederico Bottrel - Estado de Minas

Indústria

“Cidade fácil de ser amada” é o lema de Itajubá, no Sul de Minas, município que vai receber investimentos de R$ 300 milhões para implantação das duas novas fábricas brasileiras da Siemens, a multinacional alemã de aparelhos elétricos, eletrônicos e de comunicação. Para começar o que parece ser justamente a história de amor entre a empresa e a cidade, Itajubá investiu pesado na conquista: ofereceu incentivos como a cessão do terreno de 200 mil metros quadrados e isenções, durante 10 anos, de taxas como Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). ”A nova fábrica vai mudar a economia de Itajubá”, festejou ontem o prefeito Jorge Renó Mouallem (PTB), no evento, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

De acordo com o presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, as fábricas começam a ser implantadas ainda este ano, assim que as construções começarem, depois dos trâmites ambientais: “Serão duas fábricas no mesmo local; uma vai produzir motores elétricos de baixa e média tensão, e outra, redutores mecânicos”. Os produtos são úteis, principalmente, para segmentos industriais como siderurgia, mineração e produção de açúcar e etanol. A previsão é gerar 700 empregos diretos já em novembro de 2013, quando a fábrica deve entrar em operação. Em 2016, com o empreendimento funcionando plenamente, a meta é gerar 1,1 mil empregos e faturamento de R$ 300 milhões.

As facilidades de logística e de qualificação de mão-de-obra foram apontadas pela Siemens como fatores que fizeram com que Itajubá vencesse a disputa para captar as novas unidades. “Estaremos equidistantes do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, no foco de um polo industrial importante”, disse Primo. Mão de obra qualificada, grande problema para o desenvolvimento das indústrias de alta tecnologia no país, foi outro ponto a favor da autoproclamada capital do Vale do Silício Mineiro. “A qualidade dos ensinos técnico e superiores na cidade chama a atenção, e nesse quesito Itajubá oferece condições muito superiores a outras cidades”.

Tecnologia O foco em pesquisa da Siemens, contudo, não terá pouso no Sul de Minas. Conforme anunciou na última semana, a empresa vai investir US$ 50 milhões num centro de pesquisa e desenvolvimento no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, na capital fluminense, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em quatro anos, a empresa promete investir US$ 600 milhões no país.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Movimento Minas lançado por Anastasia amplia participação popular pela internet na elaboração de políticas públicas

Canal para movimentar Minas

Fonte: Amanda Almeida – Estado de Minas

Apostando na internet como canal de comunicação com a população, o governador Antonio Anastasia(PSDB) lançou ontem o Movimento Minas. Por meio do site www.movimentominas.com.br, a ideia é abrir espaço para a sociedade civil palpitar nas ações governamentais, indicando necessidades e trocando informações. Junto ao projeto, foi formado ontem o Fórum Minas de Ideias, composto por autoridades, personalidades e integrantes de entidades representativas de diferentes áreas, que se reunirão, ainda sem frequência definida, também para sugerir políticas públicas.

O site Movimento Minas tem como esqueleto 10 desafios do planejamento estratégico do governo estadual, como “reduzir a pobreza e as desigualdades” e “transformar a sociedade pela educação e cultura”. Ao fazer cadastro no site, que já está no ar, o internauta terá acesso a cada um desses desafios e será convidado a dar ideias para superá-los. Segundo Anastasia, não haverá seleção de comentários antes de publicação. “Não haverá filtros, para que se evite qualquer tipo de desvirtuamento do processo. Porque queremos participação plena, verdadeira e legítima”, disse o governador. Responsável pelo Movimento Minas, o Escritório de Prioridades Estratégicas terá como função encaminhar as propostas a líderes governamentais das áreas competentes.

O governador negou que o projeto seja uma resposta a críticas de que governos tucanos não têm participação popular. “Isso não tem nenhuma natureza de vinculação política com outros partidos. O que estamos fazendo aqui, que estava o tempo todo nas nossas discussões, que é a gestão para cidadania”, afirmou Anastasia, referindo-se a item de seu plano de governo que prevê maior participação popular.Questionado sobre a semelhança com o Orçamento Participativo de BH, lançado por administração petista em 2006, ele disse que, enquanto o OP trata de escolha de obras prioritárias, o Movimento Minas fará a “identificação das políticas (públicas), muito acima das obras”.

O Fórum Minas de Ideias se reuniu pela primeira vez com o governador ontem. Coordenado pela presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), Andrea Neves, e pelo diretor-presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas, Tadeu Barreto, o grupo de 21 representantes de áreas diferentes conversou sobre os desafios do estado por uma hora. “Foi uma troca muito rica. Defendi como prioridade zero a educação. Infelizmente, o Brasil ainda é um país de analfabetos funcionais”, comentou o escritor Ziraldo, integrante do grupo que tem ainda os músicos Fernando Brant e Samuel Rosa, o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, o estilista Ronaldo Fraga, o técnico de vôlei Giovane Gávio, entre outros.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Marcus Pestana: Itamar Franco: ética, espírito público e nacionalismo – O conterrâneo mais ilustre da nossa Juiz de Fora

Itamar Franco: ética, espírito público e nacionalismo

Fonte: artigo do deputado federal, Marcus Pestana* – O Tempo

O conterrâneo mais ilustre da nossa Juiz de Fora

Num tempo em que proliferam escândalos na vida pública e a ação política é ameaçada pela mediocrização e pelo fisiologismo, a morte de Itamar Franco provoca necessariamente uma reflexão.

Itamar Franco foi um daqueles políticos singulares na história do Brasil. Símbolo de ética, dignidade, firmeza, espírito público e nacionalismo. O conterrâneo mais ilustre da nossa Juiz de Fora.

Lembro bem dos meus 10 anos, em 1970, e dos comícios, “santinhos” e principalmente do jingle da campanha que elegeu meu pai na sucessão da Prefeitura de Juiz de Fora com o lema: “As obras não podem parar, Agostinho Pestana depois de Itamar”. Itamar tinha sido eleito aos 36 anos, em 1966, acompanhado de uma nova geração de políticos e técnicos, e promoveu uma administração histórica e modernizante.

Em 1974, após ser eleito para um segundo mandato frente à prefeitura, Itamar teve um gesto de coragem e ousadia – traço que sempre o acompanhou -, ao se desligar do cargo para, em pleno regime autoritário, se candidatar ao Senado Federal pelo MDB. Venceu e fez parte daquela que talvez tenha sido a melhor geração que já passou pelo Senado. A partir daí, participou de forma marcante das lutas pela redemocratização e pela defesa do interesse nacional.

Em 1982, acompanhei de perto sua reeleição ao Senado, já que, aos 22 anos, era candidato a vereador. Essas eleições foram decisivas. O voto era vinculado. Nossa chapa em Juiz de Fora: Tancredo, Itamar, Tarcísio Delgado, José Luis Guedes, Clodsmith Riani. Foi minha estreia eleitoral antes mesmo de me formar em economia. Fizemos barba, cabelo e bigode.

Em 1986, coordenei a dissidência do PMDB em Juiz de Fora a favor da candidatura de Itamar ao governo de Minas contra Newton Cardoso. Pimenta da Veiga liderava essa corrente no plano estadual. Essa foi a semente do PSDB.

Vieram o governo Collor e a crise do impeachment. Itamar assume a Presidência em condições extremamente graves e instáveis. O PSDB é o primeiro a se oferecer para colaborar. Itamar, com serenidade e firmeza, consolida um governo de união nacional. Só o PT, que pensa sempre no próprio PT, não quis participar. Itamar deixa uma herança definitiva: garante a liberdade e assegura a estabilidade econômica através do Plano Real. Gozando de enorme prestígio popular, escolhe e elege Fernando Henrique presidente da República.

De 1998 a 2002, realiza o sonho de governar sua Minas tão querida. E, em gesto generoso, abre mão da reeleição para apoiar Aécio Neves. Em 2010, tem papel decisivo na grande vitória de Anastasia,elegendo-se, pela terceira vez, senador. Nos quatro meses de exercício do novo mandato se destacou de forma absoluta pela exemplar e consistente ação oposicionista.

Itamar Franco deixará um enorme vazio. Mas servirá de firme exemplo para as novas gerações por sua vida dedicada à ética, à pátria e ao povo brasileiro.

Minas tem gás em volume capaz de garantir autossuficiência – reservas correspondem a 25% da distribuição diária do gasoduto Brasil-Bolívia

A nova energia de Minas

Fonte: Alberto Pinto Coelho, Vice-governador de Minas Gerais – Estado de Minas

Há 135 anos era criada, em Ouro Preto, a Escola de Minas, destinada a formar os primeiros profissionais de pesquisa nas áreas de geologia e mineração no Brasil. Quase um século depois, também em Ouro Preto, a Fundação Gorceix, vinculada à mesma escola, criou o Núcleo de Geologia do Petróleo (Nupetro), buscando estabelecer uma melhor avaliação do potencial petrolífero do Brasil. Fazendo jus ao seu nome, Minas Gerais tem dado, portanto, histórica contribuição ao desenvolvimento mineral do país. O que ninguém poderia supor, nem os pioneiros de 1876 e tampouco os precursores do Nupetro, hoje parceiro estratégico do governo de Minas, é que o estado surgiria, em pleno século 21, como um dos principais reservatórios de gás natural do Brasil. Coube ao governador Antonio Anastasia anunciar a boa-nova em outubro de 2010: Minas tem gás em volume capaz de garantir autossuficiência do estado numa fonte de energia limpa e considerada, na avaliação de especialistas, elo de transição da cultura do petróleo para um mundo onde haverão de prevalecer fontes de energia alternativas e sustentáveis.

O gás natural, com suas vantagens comparativas, lidera a matriz energética da Rússia (54%) e desponta como segunda principal fonte nos Estados Unidos (25%), com posição semelhante em países como a Alemanha, Inglaterra, França, Canadá e Irã. Já no Brasil, sua utilização, na mesma matriz, é de apenas 7,5%, enquanto o petróleo e seus derivados alcançam a taxa de 43%, contra a média mundial de 35%. Há no país, portanto, um grande potencial para o uso do gás natural na indústria e no consumo residencial, em processos de produção de calor e vapor. Até 2013, a Usiminas utilizará o gás natural fornecido pela Gasmig em toda a sua linha de produção, substituindo os derivados do petróleo.

Note-se que as reservas estimadas na bacia sedimentar do Rio São Francisco, de Morada Nova de Minas a Montalvânia, de Brasilândia de Minas a Paracatu, de Buritizeiro a Unaí e Paracatu, são de tal monta que, em Morada Nova de Minas, as reservas correspondem a 25% da distribuição diária do gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), ou seja, 7,5 milhões de metros cúbicos/dia. Já as reservas totais estimadas para a região, em prospecções feitas pelo consórcio Cobasf, que reúne a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig), a Cemig e os players privados Orteng, Delp e Imetame, com estudos conduzidos pela Schlumberger, gigante internacional prestadora de serviços na área petrolífera, apontam para um volume estimado da ordem de 195 bilhões de metros cúbicos de gás natural.

É com o exato objetivo de estabelecer um planejamento estratégico para a exploração e o melhor aproveitamento dessa extraordinária riqueza natural que aflora em Minas que o governo Anastasiaempossou, dia 1º, o Comitê Especial Mineiro de Gás e Petróleo. A missão deste comitê contém a diretriz central de incentivar a agregação de valor à cadeia de produtos mineiros, como também a de estimular o desenvolvimento da rede de fornecedores de equipamentos e serviços à Petrobras, no âmbito do pré-sal. No caso do gás natural, um produto nobre, todos os esforços convergem no sentido de que seu aproveitamento tenha o maior valor agregado possível, tanto na substituição de combustíveis como nas indústrias gasoquímica, siderúrgica, com aproveitamento do potencial de minério de ferro do estado, ou na produção de fertilizantes, no caso de amônia e ureia. E, ainda, como cogerador e ferramenta complementar da energia elétrica, contribuindo para fortalecer um setor estratégico do desenvolvimento brasileiro e que utiliza energia renovável, importante diferencial do país na matriz energética do mundo.

O comitê mineiro agrega, por sua vez, um valor institucional de primeira ordem: a par dos representantes dogoverno estadual, dele participam instituições de grande prestígio, como a Petrobras, e as mais expressivas entidades representativas da iniciativa privada, como a Fiemg, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip); a Associação dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abrip) e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Mas a melhor de todas as notícias, certamente, é a de que esta nova riqueza de Minas está localizada em uma região social e economicamente povoada por múltiplas demandas. Com essa verdadeira revolução econômica que se avizinha, ela desperta para uma nova etapa de desenvolvimento capaz de elevar, rapidamente, os indicadores de renda e de emprego no Noroeste são-franciscano. Com as bênçãos sagradas do Velho Chico.

domingo, 10 de julho de 2011

Obras inauguradas por Dilma e Lula estão paradas ou com problemas

Maria Madalena se lembra da visita oficial em Buritizeiro, mas se recorda mais ainda do dia que a obra parou

“Não sei se ainda no meu governo, mas o que posso dizer para vocês é que a gente não vai deixar a obra pelo meio”, garantiu o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a moradores de Buritizeiro, na Região Norte de Minas, que acompanhavam visita oficial com a expectativa de se verem livres de fossas no quintal de casa. Era 14 de outubro de 2009, ano pré-eleitoral, em que a Justiça não permite campanha.

A ponderação de Lula sobre a chance de não cumprir a promessa em seu mandato foi ouvida por uma espectadora especial. Assistia ao “comício” – como deixou escapar o próprio Lula – a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à Presidência da República. Mas quem votou na petista com o sonho de ver a rede de esgoto implantada no município de cerca de 30 mil habitantes ainda está decepcionado. A caravana presidencial se foi e, desde junho do ano passado, o empreendimento está parado. O caso de Buritizeiro não é único. Obras inauguradas por Lula e Dilma na corrida eleitoral estão paradas ou caminham a passos lentos. Outras mal foram entregues e já estão com problemas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Atração de investimentos e geração de empregos prometem impulsionar o Norte de Minas


As negociações conduzidas pelo Governo de Minas, que culminaram com a destinação de R$ 177 milhões para a implantação de uma fábrica de sandálias da Alpargatas S.A., em Montes Claros, estão sendo comemoradas pelas lideranças empresariais e políticas do Norte do Estado.

O anúncio da instalação da empresa, que garantirá a geração de 2.250 empregos diretos e três mil indiretos, foi feito nessa quinta-feira (7), pelo governador Antonio Anastasia, durante assinatura de protocolo de intenções envolvendo o Governo do Estado e o presidente da Alpargatas, Márcio Utsch. A previsão é de que a unidade entre em operação em setembro de 2012, com produção anual de 100 milhões de pares de calçados.

“A vez do Norte de Minas chegou. Com o apoio do Governo do Estado, os empresários estão descobrindo nossas potencialidades e os incentivos financeiros e fiscais, que contemplam a região por estar inserida na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)”, comemora o presidente da Construtora Pavisan e ex-diretor do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), Jamil Habib Curi.

Na opinião do empresário, a instalação de uma empresa de renome internacional no Norte de Minas, do porte da Alpargatas, “se constitui num fator primordial para impulsionar o desenvolvimento econômico regional”.

Em virtude dos aportes financeiros anunciados este ano por empresas interessadas em explorar as jazidas de minério de ferro existentes na região, Jamil Curi estima que o Norte de Minas tem perspectivas de contar com uma captação de R$ 12 bilhões em novos investimentos. “Isso é muito significativo para uma região que não contava com grandes ações voltadas para o aproveitamento das suas potencialidades”, destaca o empresário.

De acordo com o presidente da Agência de Desenvolvimento do Norte de Minas (Adenor), José Geraldo Drumond, o trabalho orientado pelo governador visando à redução das desigualdades econômicas e sociais ainda existentes no Estado já tem proporcionado reflexos positivos para o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

“O apoio do Estado na implantação de uma empresa do porte da Alpargatas no Norte de Minas abre novas perspectivas para o desenvolvimento econômico regional. Além da geração de emprego e renda, certamente, nos próximos anos, constataremos que o Produto Interno Bruto (PIB) da região vai aumentar e proporcionar a melhoria da qualidade de vida da população”, diz José Drumond.

Na mesma linha de raciocínio, o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montes Claros (ACI), Adauto Marques Batista, assinala que “a instalação da fábrica da Alpargatas em Montes Claros se constitui numa ótima notícia que, certamente, proporcionará desdobramentos positivos para o desenvolvimento não só de Montes Claros, mas da região Norte como um todo”.

Segundo o dirigente, em virtude da decisão estratégica do Governo do Estado em priorizar investimentos nas regiões mais carentes do Estado, a Associação Comercial já tem recebido várias consultas de empresários interessados em se instalarem na região. “Temos boas perspectivas que abrem novos horizontes no que se refere à geração de emprego e renda”, garante Marques.

O prefeito de Capitão Enéas e presidente da Associação dos Municípios da Bacia do Médio São Francisco, Reinaldo Landulfo Teixeira, afirmou que a empresa terá reflexos positivos em toda região, sobretudo no que se refere à geração de emprego e renda.

“A chegada da empresa no Norte de Minas proporcionará empregos não só para os jovens residentes em Montes Claros, mas, também, para os oriundos de outros municípios que estão em busca de novas oportunidades. Além de investimentos na construção da empresa, será necessário o direcionamento de recursos para capacitação de novos profissionais, o que elevará o nível da mão de obra regional como um todo”, afirma Teixeira.

Para o prefeito de São João do Paraíso, Manoel Capuchinho, além do grande impulso que a exploração do minério de ferro proporcionará à região nos próximos anos, os grandes investimentos que estão sendo direcionados para o Norte de Minas proporcionam a atração de novos empreendimentos privados.

“Essa é uma realidade nunca antes vivida pela região e, certamente, a agregação de valor às matérias-primas a serem exploradas será fundamental para o alcance do objetivo do Governo de Minas, de reduzir as disparidades econômicas e sociais ainda existentes no Estado”, finalizou o prefeito.

Anastasia participa de missa em homenagem ao ex-presidente Itamar Franco


O governadorAntonio Anastasia assistiu, nesta sexta-feira (8), à missa de Sétimo Dia do falecimento do senador e ex-presidente Itamar Franco, celebrada pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, na capela do Palácio dos Despachos.

Também participaram da celebração o vice-governador Alberto Pinto Coelho; o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda; a presidente do Servas, Andrea Neves; o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, e da Casa Civil, Maria Coeli; o presidente da Cemig, Djalma Morais; o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Alceu José Torres Marques; o procurador Jarbas Soares Júnior; e deputados, lideranças políticas e empresariais.

Homenagem

Antes da cerimônia, o governador afirmou, em entrevista, que encaminhará projeto de lei à Assembleia Legislativa dando o nome do ex-presidente Itamar Franco ao Aeroporto Regional da Zona da Mata, localizado entre os municípios de Goianá e Rio Novo.

“Eu orientei a Secretaria da Casa Civil a encaminhar, até a semana que vem, um projeto à Assembleia Legislativa dando o nome do presidente Itamar ao Aeroporto Regional da Zona da Mata, que foi uma das suas grandes inspirações enquanto governador de Minas”, afirmou.

O Aeroporto Regional começou a ser construído quando Itamar Franco foi governador de Minas (1998-2001). Nos últimos anos, o Governo de Minas investiu R$ 12,4 milhões na sua modernização para permitir pouso e decolagem de aviões de grande porte. As obras estão concluídas e o aeroporto totalmente remodelado deverá entrar em operação em agosto deste ano.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Marcus Pestana: Pacto federativo, royalties e equidade – quadro é escandalosamente desequilibrado e injusto

Quadro é escandalosamente desequilibrado e injusto

Distribuição de renda é tema fácil na retórica, mas complexo na prática. Se imaginássemos Adão e Eva no paraíso discutindo a partilha da renda em um mundo futuro, tudo ficaria mais fácil. O difícil é falar em redistribuir riquezas que já têm um determinado padrão de distribuição vigente. É como trocar o pneu da bicicleta andando.

Ao abordar a necessária reforma tributária e fiscal é preciso ver que temos uma das maiores cargas tributárias; um sistema irracional e ineficiente; uma tributação regressiva e perversa; uma enorme concentração de recursos nas mãos do governo federal; um perfil de gasto público que sacrifica políticas sociais e investimentos, concentrando em juros, Previdência e custeio da máquina. Além disso, a partilha dos recursos arrecadados se baseia não só em critérios demográficos e de pobreza, mas em vetores como royalties e impostos vinculados à produção de petróleo, energia ou minérios.

O resultado é um brutal desequilíbrio e uma injustiça flagrante. As políticas públicas, que são decisivas para a qualidade de vida da população, dependem fundamentalmente do número de pessoas a serem atendidas. Existem cidades onde o dinheiro é abundante. Outras lutam contra a escassez. Algumas têm ambiente para realizar esforço de arrecadação própria, outras não.

Algumas têm pequeno território, outras têm espaço geográfico gigantesco. Há cidades que têm custos crescentes, frutos da industrialização, outras têm realidade urbana menos conturbada.

Selecionei dados sobre as transferências obrigatórias, baseados no Censo de 2010 e do TCE-MG de 2009.

A pequena Cachoeira Dourada, no Triângulo Mineiro, com seus 203 km² e sua usina hidrelétrica, tem R$ 5.930 por habitante/ano para desenvolver suas políticas. Já Berilo, no Jequitinhonha, com seus 585 km² e nenhum potencial para incrementar receitas próprias, possui R$ 1.021 por habitante para enfrentar a pobreza. Betim, com 345 km², tem R$ 1.984 per capita/ano.

Juiz de Fora, com território bem maior e renda per capita bem menor, recebe de transferências correntes obrigatórias R$ 909 por habitante. Belo Horizonte, com os problemas inerentes a uma metrópole e bom potencial de arrecadação de IPTU e ISS, recebe R$ 854 por habitante/ano. São Gonçalo do Rio Abaixo, polo de mineração do Vale do Aço, vê entrar em seus cofres R$ 5.884 para cada um de seus habitantes.

A pior situação é a de Ribeirão das Neves, que compartilha graves problemas metropolitanos, tem uma população pobre e frágil, base no setor de serviços, portanto, baixa capacidade de tributação própria, recebendo apenas R$ 340 para desenvolver suas políticas sociais e de infraestrutura.

Os números falam por si. Ao votarmos a reconfiguração da Compensação Financeira por Exploração Mineral, a distribuição dos royalties do pré-sal e, principalmente, a reforma tributária e fiscal, precisaremos de coragem para mudar esse quadro escandalosamente desequilibrado e injusto.

Link da matéria: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=175750,OTE&IdCanal=2


Fonte: deputado federal Marcus Pestana – O Tempo

sábado, 2 de julho de 2011

Ex-presidente Itamar Franco morre em São Paulo aos 81 anos

Itamar estava licenciado do Senado para tratar a leucemia
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado


Morreu neste sábado, em São Paulo, o ex-presidente da República Itamar Franco. Aos 81 anos, o político cumpria mandato até janeiro de 2019 no Senado Federal. Antes prefeito de Juiz de Fora (MG) e senador em três oportunidades, Itamar Franco chegou à Presidência após a renúncia de Fernando Collor de Mello, em 1992. Após deixar o Planalto, foi governador de Minas Gerais. Itamar foi diagnosticado com leucemia em maio.

Filho de Augusto César Stiebler Franco e Itália Cautiero Franco, Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu a bordo de um navio em 28 de junho de 1930. O pai de Itamar havia morrido meses antes de seu nascimento e sua mãe registrou o filho em Salvador (BA), onde morava um tio. A família era de Juiz de Fora e ele se mudou para Minas Gerais com poucos meses. No município, cresceu e se formou em Engenharia Civil em 1954. Foi durante o curso que iniciou sua vida pública, participando da política estudantil.

Ainda na década de 50, se filiou ao PTB e tentou se eleger vereador e, depois, vice-prefeito em Juiz de Fora. Com o golpe militar em 1964 e a instalação de um regime de bipartidarismo, Itamar migrou para o MDB, sigla pela qual conquistou seu primeiro mandato eletivo, na prefeitura de Juiz de Fora, em 1967. No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado - sendo reeleito em 1982, já no sucessor do MDB, o PMDB. Em 1986, sem apoio para ser candidato ao governo mineiro em seu partido, se filiou ao PL, mas foi derrotado por Newton Cardoso, candidato de sua ex-agremiação.

Com a derrota, Itamar voltou ao Senado para cumprir o restante de seu mandato, que ia até 1990. No período, participou da Assembleia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989, trocou novamente de sigla e foi para o desconhecido Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para ser candidato à vice na chapa de Fernando Collor de Mello, que saiu vencedora.

De vice a chefe da nação
Na vice-presidência, Itamar criticou atos de Collor, como os processos de privatizações, mas se manteve discreto. Com o surgimento das denúncias de corrupção contra o governo e o início da campanha pelo impeachment do presidente, a figura pacata de Itamar ganhou espaço.

Em setembro de 1992, quando a Câmara decidiu autorizar a abertura do processo contra Collor, Itamar assumiu a vaga interinamente. Três meses depois, o presidente renunciou ao cargo e o mineiro foi conduzido à Presidência, sem uma posse formal.

Na Presidência da República
Itamar Franco assumiu o País com uma inflação de 1.100%, que chegaria a 6.000% no ano seguinte. Em meio à crise, o presidente trocou o comando do Ministério da Fazenda diversas vezes, até que Fernando Henrique Cardoso, então ministro das Relações Exteriores, assumiu a pasta com um projeto para a implantação do Plano Real.

Com o plano, era criada uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente na época, o Cruzeiro Real. Cada URV correspondia a US$ 1. O modelo conseguiu atrair capitais estrangeiros e foi exitoso no combate à inflação em um curto período. Apesar de ousada, a medida estabilizou a economia brasileira.

Com o sucesso do real, Itamar elegeu Fernando Henrique Cardoso seu sucessor em 1995 e deixou o Palácio do Planalto com altos índices de aprovação. No período até a eleição seguinte, Itamar foi embaixador em Portugal e na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos.

No início de 2011, Itamar Franco foi entrevistado em uma série do canal Globonews com ex-presidentes da República. Na ocasião, ele afirmou que seus feitos durante o governo não eram lembrados pelos críticos na atualidade. "Esqueceu-se e, aliás, se esquece, de que eu entreguei o País democraticamente. Ninguém fala, ninguém fala. Só falam de mim 'é o cabelo (caracterizado por um topete), é o não sei o que, é o Carnaval', essas bobagens. Mas esqueceram que eu fiz uma reunião logo de início, no Alvorada, com todos os presidentes dos partidos e fiz a seguinte proposta, a todos: 'olha, eu assumi o governo pela Constituição e pela vontade de Deus, mas estou disposto, se os senhores entenderem, eu estou pronto a convocar as eleições'".

No Carnaval de 1994, Itamar foi fotografado ao lado da modelo Lílian Ramos em um camarote na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, após ela desfilar por uma agremiação. A polêmica ficou por conta de a modelo estar só de camiseta e sem calcinha, detalhe evidenciado pelo ângulo das imagens.

O governo em Minas Gerais
Após sair do governo, Itamar se tornou um crítico da política de Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista à Globonews, ele destacou como uma das principais críticas a reeleição, estabelecida no Brasil após a Constituição ser alterada no governo FHC. "Jamais ele disse que seria candidato à reeleição. Eu considero até hoje um grande mal, quebrou a ordem constitucional brasileira. Na reeleição, você não distingue se é presidente, se é candidato", afirmou. Além disso, ele afirmou que, logo após deixar Brasília, ficou incomodado com o fato de o real ser associado apenas a FHC, e não ao seu mandato. "Se ele quiser ficar com o Plano Real para ele, ele fica", afirmou.

Ao retornar ao Brasil e ao PMDB, o político tentou se lançar candidato à Presidência para as eleições de 1998, mas encontrou resistência no partido, que apoiaria a reeleição do tucano FHC. Decidiu, então, tentar o governo de Minas Gerais, e foi bem sucedido.

O início do governo foi turbulento. No primeiro dia, Itamar decretou a moratória para renegociar a dívida do Estado, gerando uma crise com a presidência do Banco Central. A suspensão do pagamento da dívida durou pouco mais de um ano e gerou retaliação por parte do governo federal, que suspendeu repasses como o do Fundo de Participação dos Municípios.

Outros episódios que marcaram o governo Itamar em Minas foram a retomada, por meio judicial, do controle acionário da estatal elétrica Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), parcialmente vendida no governo anterior, de Eduardo Azeredo (PSDB), e a reação de Itamar após a intenção do governo federal de privatizar a estatal Furnas, projeto que não foi levado adiante. Após a eleição de 2002, na qual apoiou Aécio Neves (PSDB) para ser seu sucessor, Itamar foi nomeado embaixador brasileiro na Itália.

A volta ao Senado
De volta ao Brasil após deixar a embaixada na Europa, Itamar tentou se candidatar a presidente pelo PMDB em 2006, mas desistiu para retornar ao Senado Federal. Acabou perdendo a indicação do partido para Hélio Costa. Em 2007, ele assumiu a presidência do Conselho do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais.

Em 2009, sinalizando intenção de disputar a sucessão presidencial no ano seguinte, Itamar Franco se filiou ao PPS e declarou seu apoio a Aécio. No discurso de filiação, ele ainda criticou o presidente Lula e o PT. Mais tarde, Aécio e Itamar anunciaram suas candidaturas ao Senado e foram eleitos, derrotando o petista Fernando Pimentel.

Ao voltar a Brasília, Itamar passou a integrar a comissão da reforma política da Casa e defendeu o fim do voto obrigatório e a reeleição. Ele também defendeu um veto à possibilidade de retorno de um político que cumpriu dois mandatos no Planalto. "Quem já foi presidente duas vezes não poderia concorrer mais. Vamos dar oportunidade a outras pessoas. O cidadão fica oito anos no poder e quer voltar?", disse.

A descoberta da leucemia
Em 25 de maio de 2011, Itamar Franco anunciou que um exame de rotina o diagnosticou com leucemia em estágio inicial. Ele se licenciou do Senado por 30 dias e se internou no Centro de Hematologia e Oncologia do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Fonte: Portal Terra

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Governo do PT: Consumidores de energia no país devem pagar quase R$ 18 bilhões de encargos na conta de luz

Valores embutidos nas contas de luz podem chegar a pelo menos R$ 18 bilhões

Os consumidores brasileiros pagarão este ano pelo menos R$ 18 bilhões cobrados nas contas de luz somente por conta das despesas e investimentos do governo que não interferem diretamente na qualidade do serviço prestado, permitindo interrupções constantes devido às falhas nas redes de transmissão e de distribuição. Os chamados encargos setoriais embutidos nas faturas devem superar em quase R$ 2 bilhões os R$ 16,3 bilhões recolhidos no ano passado, calcula a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). Esse aumento deve-se, principalmente, ao maior consumo de energia e às correções das alíquotas desses extras pela inflação que voltou a corroer o poder aquisitivo da população.

Os valores levantados pela Abrace incluem apenas dez dos principais encargos cobrados pelo governo na conta de energia elétrica. Ou seja, essa despesa pode ser ainda maior. “Existem mais de uma dezena dessas contribuições e procuramos apenas contabilizar as que merecem ser questionadas e revistas”, explicou o assessor de energia elétrica da Abrace, Fernando Umbria.

A maioria dos consumidores ainda não sentiu no bolso os aumentos deste ano, pois serão repassados junto com o reajuste das contas de luz no segundo semestre, caso de Brasília e da Grande São Paulo. Os que já foram aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estão sendo corrigidos, na grande maioria, acima da inflação oficial de 6,55% dos últimos 12 anos. E, em alguns casos, o percentual supera os 10%.

Como metade da custo da energia corresponde a impostos diretos e indiretos, o consumidor não tem consciência exata sobre o que ele paga, muito menos para onde vai esse dinheiro. Atualmente, segundo a Aneel, de uma conta de luz residencial de R$ 100, a compra apenas de eletricidade representa R$ 31, enquanto a transmissão custa R$ 5,70 e a
distribuição, R$ 26,50. O restante representa R$ 10,90 de encargos e R$ 25,90 de outros impostos.

Cobranças

Nessa série de penduricalhos, estão cobranças para financiar projetos ligados à área de energia, como o programa Luz Para Todos e obras da Eletrobrás. Há ainda uma tal Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), para cobrir custos de geração térmica no Norte do país, e até taxas para manter a segurança energética e estimular a adoção de fontes renováveis.

Apesar da promessa do Palácio do Planalto de desonerar esse peso, o Congresso Nacional acaba de prorrogar até 2035 a cobrança do encargo Reserva Global de Reversão (RGR), criado em 1957, para que a União pudesse indenizar eventuais reversões de concessões do serviço de energia elétrica. A RGR, que seria extinta em janeiro deste ano, custa mais de R$ 2 bilhões por ano aos consumidores. Boa parte dos recursos não tem destino certo. “Esse fundo (RGR) já arrecadou quase R$ 16 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões estavam parados sem destinação certa e foram parar no Tesouro para compor o superavit primário”, destacou o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa.

A carga tributária sobre a luz sobretaxa até os investimentos realizados pelo setor elétrico, que vem sofrendo sucessivos problemas de transmissão. Os órgãos do setor calculam que este ano haverá recorde de interrupções no fornecimento, de 19 horas. “O governo precisa fazer uma avaliação sobre todos os encargos para verificar o custo e o benefício de cada um. O custo da produção da energia é um dos mais baratos do mundo, mas a conta do brasileiro é uma das mais altas”, explicou o especialista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE). “É um contra-senso porque o governo olha para o setor energético como um grande coletor de impostos. As tarifas elevadas comprometem a competitividade e a industrialização do país”, disse.

Os especialistas também criticam o destino indefinido desses encargos. “Muitos deles são criados para uma finalidade, que depois é alterada, sem que o sejam extintos”, apontou Pedrosa. “O pior é quando o dinheiro não vai para o destino que deveria ir, como em infraestrutura, e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deveria focar mais nesse tipo de investimento em que há muita carência e é essencial para o desenvolvimento do país ao invés de comprar participação em empresa de varejo”, completou Pires.

Fonte: Rosana Hessel – Estado de Minas

terça-feira, 28 de junho de 2011

Itamar tem pneumonia e é transferido para UTI do Hospital Israelita Albert Einstein

Itamar vai para a UTI devido a pneumonia

Fonte: Folha de S.Paulo

Senador está internado em São Paulo desde maio

O ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS-MG), 80, foi transferido para a UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratar de uma pneumonia grave, segundo boletim médico divulgado ontem.

Ele está internado desde 21 de maio para tratar de leucemia. De acordo com o hospital, embora esteja na UTI, o senador ”apresentou ótima resposta ao primeiro ciclo de tratamento quimioterápico”.
Em boletins anteriores, a equipe médica divulgou que um transplante de medula não era cogitado.

Itamar foi diagnosticado com a doença ao fazer exames devido a uma forte gripe. Ele pediu afastamento temporário do Senado.

Pelo regimento da Casa, o suplente de Itamar só assume a cadeira do senador se ele se afastar por um período superior a 120 dias.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sistema de segurança de monitoramento por rede de vizinhos de Minas passa a ser adotado em Niterói

Monitoramento de vizinhos é a nova arma contra roubos a residências

Fonte: Diego Barreto – O Globo

Projeto iniciado em Piratininga será estendido para outros bairros

Nada de cães de guarda ou câmeras de segurança. A nova estratégia do 12° – BPM (Niterói) para reduzir o registro de roubos a residências na cidade atende pela sigla VIP, que ganhou novo significado no combate à criminalidade.

Iniciado em maio, o programa Vizinhos Integrados à Polícia consiste no treinamento de um grupo de cinco ou seis moradores para monitorar, por meio de observação, a rotina de uma área residencial. No caso de eventos que fujam da normalidade, os “vizinhos monitores” se comunicam entre si e com o batalhão que, em poucos minutos, envia equipes especialmente treinadas para atender a esses chamados.

De acordo com o tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, que na próxima terça-feira completa seis meses à frente do 12°-BPM, o VIP é uma das estratégias de policiamento ostensivo de Niterói que serão ampliadas até o fim do ano. Outra ação que será estendida é a ronda monitorada por ponto eletrônico.

Moradores de Itaipu e Barreto serão treinados

São Francisco, Ingá e Fonseca terão ronda com ponto eletrônico

Com a primeira célula implantada no Maralegre, em Piratininga, o VIP será ampliado para outros bairros na próxima semana.

- O Bairro Peixoto (Itaipu) será o próximo, depois o projeto chega ao Barreto e, posteriormente, será estendido para outras regiões da cidade – diz Paulo Henrique, que ”importou” a ideia de Minas Gerais e dos Estado Unidos. – Conheci o projeto em Minas e resolvi adaptá-lo para Niterói. Depois soube que também existe algo semelhante em Los Angeles.

Outra ação que será estendida nas próximas semanas é a ronda policial controlada por pontos eletrônicos, reativada pelo comandante em janeiro. São Francisco, Ingá e Fonseca serão os próximos bairros a receber os equipamentos.

- Estamos aguardando apenas a chegada de bastões e chips. Essa é uma ferramenta que tem se mostrado eficaz, sobretudo no combate a crimes como roubos e furtos. Na Avenida Central, em Itaipu, reduzimos pela metade o roubo a transeuntes – afirma.

UPP de Niterói já tem projeto na Secretaria de Segurança

O comandante do 12°- BPM explica que a adoção de ações focadas nas características de cada região foi determinante na redução e no controle de crimes no último semestre.

- Faço o acompanhamento semanal de todos os registros de ocorrência de Niterói, e isso permite direcionar as ações. Um exemplo são os roubos de veículos, que preocupavam quando assumi. Intensificamos operações e conseguimos reduzir em mais de 50% entre janeiro e maio – explica Paulo Henrique, que já entregou à Secretaria de Estado de Segurança o projeto para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em Niterói.

- Niterói está no cronograma das UPPs, fizemos os estudos e os encaminhamos para a Secretaria de Segurança. Enquanto aguardamos, reforçamos as operações de combate ao tráfico para prevenir possíveis migrações de criminosos do Rio. Conseguimos aumentar as prisões e apreensões de drogas. O número de criminosos presos que vieram de outras regiões ainda é muito pequeno – diz.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Anastasia e consórcio anunciam que gás natural em Minas é estimado em 25% do Brasil-Bolívia

Gás em MG é estimado em 25% do Brasil-Bolívia

Fonte: Eduardo Kattah – O Estado de S.Paulo

Gás natural na bacia do rio São Francisco pode atingir 194 bilhões de metros cúbicos

O primeiro estudo sobre a viabilidade econômica do gás natural na bacia sedimentar do rio São Francisco revelou uma reserva bastante significativa, que abre perspectivas para uma nova fronteira exploratória terrestre no País, anunciou ontem o consórcio responsável pela exploração na área.

O consórcio Cobasf – que reúne a estatal Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig), a Orteng, a Delp e a Imetame – informou que estudos conduzidos pela Schlumberger, gigante internacional prestadora de serviços na área petrolífera, apontaram para um volume estimado entre 17,5 bilhões e 194,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural.

O consórcio Cobasf foi responsável pelo primeiro poço perfurado na região, no ano passado, no município de Morada Nova de Minas, na região do Alto São Francisco, a 280 quilômetros de Belo Horizonte.

A reserva está localizada em uma área pesquisada de 400 quilômetros quadrados, de um total de 2,9 mil quilômetros quadrados do Bloco 132. O volume de gás encontrado representa uma capacidade de produção para aproximadamente 25 anos.

Ricardo Vinhas, diretor comercial da Orteng – empresa operadora do empreendimento -, calcula que a produção diária poderá ser de 7 a 8 milhões de metros cúbicos, o que representa entre 20% e 25% da capacidade de transporte do Gasoduto Brasil-Bolívia (30 milhões de metros cúbicos/dia).

A expectativa do Cobasf é que a produção comece em dois ou três anos. Não há definição sobre a utilização do gás, mas são vários os aproveitamentos possíveis, segundo o subsecretário de Estado de Política Mineral e Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro: combustível, aplicações térmicas, insumo petroquímico, produção de fertilizantes agrícolas (amônia e ureia) e como redutor nas aciarias de ferro da região norte do Estado.

Para Robson Braga Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Orteng, o estudo revela uma nova fronteira de exploração no País. “Há grande potencial de exploração de gás natural, com uma nova fronteira e muitas perspectivas boas tanto para Minas Gerais como para a região”, afirmou ao Estado.

Atualmente, segundo a ANP, existem 39 blocos exploratórios sob concessão na bacia do São Francisco, em Minas, que foram arrematados em três rodadas de licitação em 2002, 2005 e 2008. A perfuração do poço de Morada Nova foi iniciada há quase um ano, em julho de 2010. O furo chegou a 2,3 mil metros de profundidade.

O anúncio foi feito em conjunto pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) e por representantes do consórcio no Palácio Tiradentes. “É uma verdadeira revolução econômica”, afirmou o governador. “Passamos a ter a confirmação absoluta que a reserva de gás da bacia do São Francisco é economicamente viável”, disse Anastasia. Segundo ele, a descoberta sinaliza que Minas Gerais terá outra grande indústria, de gás, numa região do Estado que ainda sofre com muitos fatores de desigualdade.

A Codemig possui 49% de participação no consórcio. O governo do Estado, que também participa de outros blocos por meio da própria Codemig e da Companhia Energética (Cemig), em conjunto com outros parceiros privados, diz que entrou nas disputas das rodadas de licitação da ANP para fomentar a exploração na região. O governador disse que o Estado não tem a intenção de participar do leilão da ANP previsto para 2012, de mais 09 blocos para a exploração na Bacia do São Francisco.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Comunidades agrícolas reduzem o êxodo rural no Norte de Minas e já são responsáveis por 73% da produção de hortifrutigranjeiros da região


Produção de comunidades gera renda e reduz êxodo rural no Norte de Minas Gerais

Agricultor João Cimael Ferreira da Silva

MONTES CLAROS (20/06/11) – Com produção anual estimada em 2,5 mil toneladas de hortifrutigranjeiros, o que gera uma receita aproximada de R$ 1 milhão, 85 produtores de Montes Claros, no Norte de Minas, estão contribuindo com a redução do êxodo rural. Há 33 anos, os agricultores recebem assistência do Governo de Minas, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Os produtores integram oito comunidades rurais da região de Planalto, Lagoinha e Pentáurea e, atualmente, garantem o fornecimento de 73% da produção de hortifrutigranjeiros para a Central de Abastecimento do Norte de Minas (Ceanorte). Além de municípios do entorno de Montes Claros, dependendo da época do ano, os produtos são comercializados em grandes centros urbanos do país, entre eles São Paulo.

Além de uma permanente geração de renda, visto que o plantio de lavouras acontece durante todo o ano, a produção de hortifrutigranjeiros envolve cerca de 280 trabalhadores rurais, principalmente mão de obra familiar. Nas comunidades envolvidas nas ações implementadas pela Emater-MG, em parceria com outros órgãos governamentais, o que não falta é oportunidade de trabalho. Além disso, praticamente não existe inadimplência quanto ao pagamento de financiamentos para a produção agrícola, pois toda a produção colhida é imediatamente comercializada nas centrais de abastecimento ou em sacolões.

Tradição

Partindo do fato da região constituída por oito comunidades rurais terem se consolidado, a partir da década de 1970, como uma das áreas mais tradicionais na produção de hortaliças, olerícolas e de alguns tipos de frutas, técnicos da Emater-MG investiram na organização dos produtores, tanto no aspecto de produção agrícola quanto de orientação social. Em parceria com o Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Secretaria Municipal de Agricultura e, mais recentemente, por meio do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), bem como do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 1995 os agricultores fundaram a Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea.

Com assistência técnica da Emater-MG e apoio financeiro do Governo de Minas, por meio do Projeto de Combate à Pobreza Rural do Estado de Minas Gerais (PCPR/MG), implementado pelo Idene e dos Bancos do Nordeste e do Brasil, os produtores consolidaram e aumentaram a produção agrícola, principalmente de frutas, chuchu, vagem, tomate, pimentão, abóbora italiana, couve, alface, coentro e berinjela. Paralelo à produção de alimentos, a floricultura também está sendo incrementada, principalmente em áreas onde predomina a mão de obra feminina.

O engenheiro agrônomo da Emater de Montes Claros, Robson Ferreira, e o técnico agrícola Adailton Alves Figueiredo destacam que o empenho dos produtores rurais tem sido fundamental para o êxito da produção agrícola na região do Pentáurea. Devido à predominância de solo arenoso, existem várias nascentes de importantes cursos d’água que formam a bacia do rio Verde Grande, um dos principais afluentes do rio São Francisco no Norte de Minas. Com assistência técnica da Emater-MG e introdução de modernos sistemas de irrigação, sobretudo micro aspersão e gotejamento, os produtores reduziram em cerca de 50% o consumo de água e aumentaram a produção de alimentos.

Atualmente, a título de exemplo, numa área de apenas um hectare, os produtores rurais colhem 75 toneladas de chuchu, 20 toneladas a mais do que a verificada há cerca de seis anos, quando os sistemas de irrigação foram substituídos por tecnologias mais modernas.

Bons resultados

Além de fornecerem produtos para merenda escolar municipal e para o Programa de Aquisição de Alimentos, gerenciado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores estão em vias de fornecer produtos para escolas estaduais, por meio de entendimentos que vêm sendo conduzidos pela Secretaria de Estado de Educação (SEE). “Isso abre novas perspectivas para a agricultura familiar, além de valorizar o trabalho dos agricultores”, observa o agrônomo Robson Ferreira.

Com recursos do Governo do Estado repassados pelo Idene, atualmente a Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea já conta com boa infraestrutura, além de galpão comunitário e uma fábrica de embalagens. A Emater-MG é a responsável pela elaboração de vários projetos para captação de recursos financeiros, por meio dos quais os produtores incrementam a produção agrícola. Os recursos repassados pelos Bancos do Nordeste e do Brasil são oriundos do Proger Rural e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

“Estou entusiasmado em prestar assistência técnica aos produtores da região do Pentáurea porque vemos, na prática, o resultado de cada ação implementada pelo Governo de Minas no apoio às famílias. Na região não se vê falar em êxodo rural. Pelo contrário, muitos filhos de produtores estão retornando para suas comunidades, porque existem muitas oportunidades de trabalho”, destaca o técnico agrícola da Emater-MG, Adailton Figueiredo.

Valorização da terra

Em virtude do sucesso do trabalho na zona rural de Montes Claros, o preço do hectare foi valorizado na região do Planalto, Pentáurea e Lagoinha. Segundo a Emater-MG, além da dificuldade em se encontrar propriedades à venda, o preço médio de mil metros quadrados de área é oferecido a cerca de R$ 6 mil, enquanto o valor normal seria em torno de R$ 2 mil.

“Para mim, morar na zona rural é uma grande satisfação, pois tenho qualidade de vida. Moro a dez minutos da zona urbana de Montes Claros e, aqui na roça, desfruto de tranquilidade e conforto. Não falta nada para minha família. Tenho casa boa, luz, televisão, telefone e até internet. Estou muito feliz aqui”, confessa o produtor da comunidade de Lagoinha, José Maria Ferreira de Souza, popularmente conhecido como “Cheiro”. Ele trabalha na roça com dois filhos e, além disso, gera outros oito empregos diretos. Numa área de 16 hectares, se dedica à produção de chuchu, vagem, jiló, abóbora e berinjela, que lhe proporcionam comercialização mensal de 800 caixas de alimentos.

Além de garantir o sustento da família e emprego para os filhos, José Maria salienta que o trabalho dos produtores rurais tem sido valorizado. “O apoio da Emater é fundamental para o incremento da produção agrícola na região. Não tenho nada que reclamar. Atualmente, sou um dos fornecedores de produtos para a merenda escolar e, apesar de ter uma área pequena, estou conseguindo garantir o sustento da família”, destaca o produtor.

O agricultor João Cimael Ferreira da Silva também está satisfeito com o apoio da Emater-MG. Numa área de 20 hectares, ele produz dez diferentes produtos, entre eles abacaxi, laranja e maracujá. Ao todo, Cimael garante trabalho para dez pessoas, com as quais divide receitas e despesas. Juntos, por semana, eles comercializam 200 caixas de produtos agrícolas. “Estou feliz, pois me sinto útil para a sociedade. Estou produzindo alimentos, atendendo uma necessidade básica da população. Vejo que o produtor rural tem valor na sociedade”, conclui, orgulhoso, João Cimael.

Flores

Outros dois agricultores também revelam que não têm do que reclamar com a vida que levam na zona rural: o casal Francisca Margarete Dias e José Maria Vieira Ramos, o “Bahia”. Há seis anos, Margarete se dedica à produção de flores tropicais numa área de mil metros quadrados. Já o marido, comercializa 500 quilos de couve por semana, além de centenas de molhos de espinafre, cebolinha e coentro. Mesmo sem revelar a renda mensal que obtêm na área de 9,5 mil metros quadrados na localidade de Lagoinha, o casal ressalta que está “satisfeito”. “Tudo o que produzimos, é vendido. Muitas vezes, não temos condições de atender à procura”, finaliza Bahia.

Mesmo avessa a fotografias, Margarete Dias se sente orgulhosa de ser uma das principais fornecedoras de flores para igrejas, floriculturas e empresas organizadoras de casamentos e festas em Montes Claros. “Tudo o que consigo colher na semana é vendido. Não sobra para quem quer”, comemora.

domingo, 19 de junho de 2011

Após queda, Aécio ficará dez dias afastado do Senado

Senador chegou a ser internado, mas já teve alta após quebrar costelas e a clavícula

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve ficar dez dias afastado do Senado após cair de um cavalo na sexta-feira (17). Aécio deve seguir orientações médicas e ficar em repouso nos próximos dias. O senador vai ficar com o braço imobilizado por um período de seis a oito semanas.

Segundo a assessoria de Aécio, o mineiro estava nas proximidades da fazenda de seus familiares no município de Cláudio, centro-oeste mineiro, quando caiu do cavalo.

Após a queda, o senador foi submetido a atendimento médico e realizou exames de imagem em Belo Horizonte. Ele foi atendido pelo ortopedista Rodrigo Lasmar. Os exames médicos indicaram fraturas em costelas e na clavícula direita.

Aécio chegou a ficar internado 24 horas para observação, no Hospital Mater Dei, e recebeu alta no final da tarde do sábado (18).