sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dilma é Rejeitada com 77% de reprovação na Saúde

A pesquisa Ibope realizada em setembro mediu a aprovação do Governo Dilma em nove áreas de atuação. O resultado é que todas registraram queda, em comparação com o mesmo levantamento realizado em junho, e há uma desaprovação em oito das nove áreas.
A saúde foi a área com a pior avaliação -  com a sua aprovação caindo de 32% em junho para 21% em setembro. Mas a pior queda na aprovação foi na política de juros. O índice caiu 16 pontos percentuais, de 39% para 23%. A desaprovação foi de 54% para 71%.
Confira abaixo as áreas de atuação do governo que são reprovadas pela população:
Segurança pública:
Aprova: 24%
Desaprova: 74%
Não sabe/ não opinou: 2%
Impostos:
Aprova: 22%
Desaprova: 73%
Não sabe/ não opinou: 5%
Taxa de Juros:
Aprova: 23%
Desaprova: 71%
Não sabe/ não opinou: 6%
Combate à inflação
Aprova: 27%
Desaprova: 68%
Não sabe/ não opinou: 5%
Educação:
Aprova: 33%
Desaprova: 65%
Não sabe/ não opinou: 2%
Combate ao desemprego:
Aprova: 39%
Desaprova: 57%
Não sabe/não opinou 4%
Meio ambiente
Aprova: 41%
Desaprova: 52%
Não sabe/não opinou 7%
Combate à fome e a pobreza:
Aprova: 51%
Desaprova: 47%
Não sabe/não opinou 2%
Saúde:
Aprova: 21%
Desaprova: 77%
Não sabe/não opinou 1%

Ibope: Aécio é Oposicionista em Melhores Condições de Crescimento para 2014

Fonte: Uol Mais

Com a proximidade do prazo final de filiações partidárias com vistas às eleições de 2014, as especulações em torno de nomes da oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), como Marina Silva (sem partido) e José Serra (PSDB), crescem. Isso em função da primeira ainda não ter viabilizado a criação de seu partido, a REDE, e o segundo, por sua posição no mínimo misteriosa.

No caso de Marina, os números mostram que a curva de queda de suas intenções de voto tem se mantido constante e em ritmo acelerado, apesar de que se mantém em segundo lugar em qualquer cenário.

Já Serra não tem passado de um ghost candidate. Ou seja, nos holofotes se nega como candidato, mas nos bastidores alimenta essa possibilidade, prejudicando principalmente o real pré-candidato de seu partido, Aécio Neves (PSDB).

Por outro lado, a pesquisa divulgada pelo Ibope ontem traz dois importantes dados talvez relegados ao segundo plano pela recuperação da popularidade de Dilma, mas que são fundamentais para se enxergar a real situação das pré-candidaturas de oposição.

O primeiro dele confirma que Aécio Neves é o pré-candidato da oposição com melhores condições de crescimento. O senador mineiro é o nome oposicionista com menor rejeição, principal fator que deve ser analisado quando se tenta projetar o potencial de crescimento de uma candidatura

Já Serra é o campeão de rejeição com 47%. Já Marina e Eduardo Campos (PSB) tem 36%. Todos piores do que Aécio Neves (35%), que se igual à Dilma Rousseff.

O segundo fator importantíssimo para se ler as pré-candidaturas de oposição em 2014 é a consulta feita pelo Ibope levando-se em conta a citação espontânea dos eleitores. Nela, Aécio Neves já é o candidato oposicionista mais citado. Fica à frente, inclusive, de Marina e Serra, que já tiveram a oportunidade e a visibilidade de uma eleição presidencial.

Situação das pré-candidaturas oposicionistas para 2014

Intenção de voto (espontâneo):
Aécio Neves 5%
Marina Silva 4%
José Serra 3%
Eduardo Campos 1%
Não sabem em quem votar 45%
Branco/nulo 12%
Pré-candidatos governistas 30%

Índice de rejeição:
José Serra 47%
Marina Silva 36%
Eduardo Campos 36%
Aécio Neves 35%
Pré-candidatos governistas 34% 
 


Além da Difamação, PT Apela para Racismo na Internet

A maneira de agir do PT na internet é conhecida: o partido utiliza-se de blogs, sites e fakes para atuar nas redes sociais denegrindo a imagem de adversários com todo o tipo de mentiras, difamações, calúnias. Agora, o PT apelou também para o racismo.

O Blog da Dilma, que se intitula "o maior portal da Dilma Rousseff na internet" associou na semana passada o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, à imagem de um macaco.

A imagem foi utilizada para ilustrar um artigo do ex-deputado federal pelo PT Luiz Eduardo Greenhalgh sobre o julgamento do mensalão. A ilustração era composta por um macaco sorridente em primeiro plano, Barbosa ao fundo e uma legenda: "Ainda vai Barbosinha? kkkkk".

Depois de denúncias e críticas nas redes sociais, o blog apagou a postagem. De nada adiantou. O estragou já havia sido feito e gerou constrangimento no Palácio do Planalto, como mostra a matéria de hoje (26) do jornal Folha de São Paulo.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

VEJA 45 ANOS — Aécio Neves: “Eu vi meu avô sair da vida e entrar para a história.”

Por Aécio Neves, para a edição especial dos 45 anos de VEJA

Olhando para trás, é difícil acreditar que tantas mudanças tenham ocorrido em tão pouco tempo, somente dois anos: 1984 e 1985.

Tive o privilégio de, ainda muito jovem, com 24 anos, acompanhar de perto aquele período decisivo na vida de nosso país, e de, com ele, aprender várias lições – uma, especialmente importante: a de que cada geração tem seu compromisso com a história.

Por isso, é necessário que os líderes estejam sempre à altura dos desafios de seu tempo.

Foi fundamental para o Brasil, naquele momento, contar com homens como Tancredo Neves, meu avô, e Ulysses Guimarães, que, entre tantos outros, nos conduziram, com grandeza, naquela travessia.

A intensidade daqueles dias me acompanha até hoje – na memória e no coração.

Primeiro, as viagens pelo Brasil, os comícios das Diretas e a frustração pela não aprovação da emenda Dante de Oliveira [a emenda das Diretas-Já].

Depois, os dias que se seguiram à renúncia de Tancredo ao governo de Minas, quando me mudei com ele para um apartamento na quadra 206 Sul em Brasília, onde fui espectador privilegiado da memorável articulação política que conseguiu vencer vinte anos de arbítrio.

Fazia-se política pelo Brasil.

Foi um trabalho de artífice, minuciosamente planejado por grandes brasileiros para que a mobilização nacional daqueles dias pudesse garantir, de alguma forma, aquele que era nosso maior objetivo: o fim do autoritarismo.

Nosso reencontro com a liberdade e a democracia.

Trabalho que culminou no lançamento de Tancredo como candidato das oposições à Presidência da República e em sua vitória no Colégio Eleitoral. Três meses depois, ele morreria. Apenas três meses.

Três meses em que testemunhei, dia e noite, a luta de um homem em defesa de seu povo.

Três meses em que testemunhei, sem saber – porque muitas vezes só o tempo nos dá a compreensão do que vivemos -, um homem cumprindo seu destino.

É a minha lembrança pessoal desse período, entre a eleição e a morte de Tancredo, que, a convite de VEJA, tento dividir com você, leitor, quase trinta anos depois. Faço isso sabendo como é difícil encontrar o equilíbrio quando a história coletiva ainda é memória pessoal.

A vitória no Colégio Eleitoral foi fruto de uma bem-sucedida estratégia conduzida por diversos e diferentes atores, unidos pelo objetivo de pôr fim à ditadura. Estratégia que incluiu decisiva mobilização popular e uma paciente costura de bastidores.

O 15 de janeiro de 1985 amanheceu diferente em todo o país. Carros buzinavam em todas as cidades, bandeiras ocupavam ruas. À noite, no Rock in Rio, Cazuza embrulhou-se na bandeira brasileira, saudou a democracia recém-conquistada e cantou Pro Dia Nascer Feliz.

Para grande parte das pessoas, a transição democrática terminava ali, com a eleição de Tancredo. Mas, por mais que esse fosse um marco fundamental, sabíamos que não era o fim do processo. Ainda existiam focos de resistência no regime militar, e fontes do presidente eleito o aconselhavam a ser prudente e manter a vigilância.

A própria VEJA, em 2005, revelou como, enquanto o país comemorava, uma delicada operação política mantinha seu curso nos bastidores.

A viagem ao exterior realizada por Tancredo e os encontros com chefes de Estado cumpriram um papel estratégico que muitos não perceberam: o de tornar nosso processo de redemocratização irreversível. Ao receberem aquele senhor baixinho, inteligente e bem-humorado, simbolicamente, as antigas democracias reconheciam e saudavam a nova democracia brasileira.

Voltamos ao Brasil e nos mudamos para a Granja do Riacho Fundo, onde os trabalhos continuaram.

Tancredo sabia que repousava sobre seus ombros a responsabilidade pela transição democrática. Tinha consciência de que o país caminhava em terreno ainda frágil. Temia especialmente que a percepção sobre alguns problemas de saúde que lhe estavam surgindo pudesse, naquele momento, servir como pretexto para as forças políticas que buscavam o retrocesso.

Ele não podia correr riscos. Cada dia vencido era mais um passo na direção da tão sonhada democracia. Provavelmente, por isso, descuidou-se tanto de sua saúde. Tinha uma missão a cumprir, e a cumpriria.

Em 14 de março, véspera da posse, seguimos para a missa no Santuário Dom Bosco, em Brasília. Ele já não se sentia bem. Voltamos para casa e, com a piora de sua saúde, chamamos os médicos.

Sentei-me a seu lado na cama e estávamos os dois sozinhos, quando ele me olhou com intensidade e disse:

– Chame o Zé Hugo (José Hugo Castelo Branco, que teria sido seu ministro da Casa Civil) e peça a ele que traga os atos de nomeação do ministério.

Sugeri que deixasse para o dia seguinte. Ele insistiu. Os atos chegaram.

Com muita dificuldade, com as mãos trêmulas, ele os assinou um a um e mandou que fossem imediatamente publicados. Só mais tarde entendi por quê. No dia seguinte, quando ficou claro que ele não tomaria posse, ainda teria havido tentativas de criar dificuldades para a posse do vice-presidente, José Sarney.

Tarde demais. Graças ao último esforço de Tancredo, o Brasil já contava com um novo ministro do Exército, que detinha o controle da tropa e era leal ao novo governo democrático.

Os médicos chegaram e nos informaram que Tancredo precisaria ser internado e operado imediatamente. Sugerimos que fosse levado a São Paulo. Eles nos disseram que não se responsabilizariam e que não o acompanhariam na viagem.

Alegaram que ele não tinha condições de ser deslocado e ressalvaram que, por se tratar de um problema superficial, Tancredo poderia tomar posse no dia seguinte.
Ele nunca tomou posse.

O país conhece a sucessão de erros e irresponsabilidades que se seguiram e que, ainda hoje, me revoltam como brasileiro e me ferem como neto.

Ao entrar no hospital, ele se dirigiu a seu filho, meu tio, Tancredo Augusto e disse:

– Fiquem atentos. Lembrem-se do que aconteceu com Juscelino e Jango.

Esse comentário, por si só, revela a tensão que vivíamos naqueles dias. Preocupado com o que poderia acontecer caso não tomasse posse, ele insistiu para não ser operado naquele momento:

– Vocês precisam me ajudar a conseguir tomar posse. Depois, podem fazer o que quiserem comigo.

No hospital, sua única preocupação era o país. Ciente da grande frustração popular e das dificuldades que José Sarney poderia estar enfrentando, ditou-me uma carta para ser encaminhada ao presidente em exercício e que pudesse ajudar a legitimá-lo, naquele momento, no exercício da Presidência da República.

Foi o último documento que ele assinou.

Passei todos aqueles dias e noites no hospital. Ia diariamente à UTI, tentava animá-lo com notícias otimistas. Numa dessas ocasiões, ouvi dele suas últimas palavras. Enfraquecido no leito, cansado, olhando para o infinito, resignado, ele disse:

– Eu não merecia isso.

Não merecia. O Brasil também não.

Há uma passagem do Antigo Testamento, reproduzida na capa do extinto Jornal da Tarde na edição sobre sua morte, da qual sempre me recordo: “E o Senhor lhe disse: ‘Eis a terra. Eu a darei à tua posteridade. Tu a viste com teus olhos, mas não passarás a ela’ ”.

Crescemos, nós, os netos, ouvindo de meu avô o seu testemunho pessoal sobre os intensos momentos que ele vivera como personagem da história nacional. “Só se lembram de mim nas horas de tempestade”, costumava dizer.

Relembrava especialmente os momentos que antecederam o suicídio do presidente Getúlio Vargas. Ele jamais deixou de lado a grande admiração que nutria pelo ex-presidente, que, em suas palavras, havia chegado ao extremo de entregar a própria vida por amor ao Brasil.

Descrevia, sempre emocionado, a pressão daquelas horas e a comoção popular no enterro de Vargas, que entendia como autêntica salvaguarda que impediu um golpe político.

Recorro a palavras que já foram escritas por um de nós para encerrar este testemunho pessoal e dividir, com vocês, um pouco de minha saudade, afeto e respeito.

Mal sabíamos – nós e ele – durante todos os anos em que, após o almoço de domingo, ouvíamos, com atenção, seus relatos que, três décadas depois da morte de Vargas, uma outra multidão, em torno de um outro caixão, velaria o corpo de um outro presidente.

E que, por amor ao Brasil, ele também deixaria a vida para entrar na história.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aécio Neves: Chegou a Hora de Encerrar o Ciclo do PT Governar

Pré-candidato à Presidência da República, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), não poupa nas críticas ao governo federal, do PT, de quem se tornou um dos principais oposicionistas.

Em entrevista à Tribuna, o tucano avalia que é chegada a hora de encerrar “o ciclo de governo do PT e estabelecermos um novo ciclo, que reúne ética e eficiência e que impeça que as principais conquistas que nós tivemos nas últimas décadas”.

Mesmo não assumindo a postura de candidato – fica apenas como pré – ele sinaliza as posições para o próximo ano. “Nós teremos algo novo a apresentar ao Brasil, nós seremos o novo nessas eleições. O velho serão aqueles que estão aí hoje sem capacidade de reagir a esse pífio crescimento da economia, sem capacidade de conduzir os investimentos do governo, porque hoje o Brasil é um grande cemitério de obras inacabadas”, critica Aécio, que não nega a aproximação com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Tribuna – Presidente do PSDB, pré-candidato à Presidência da República, como o senhor pretende se viabilizar como candidato competitivo no próximo ano?

Aécio Neves – Na verdade, eu venho mais uma vez a Salvador como presidente nacional do PSDB fazer, em primeiro lugar, uma visita ao nosso principal aliado que é o Democratas. Venho acompanhado do presidente nacional do partido, senador José Agripino, do líder do meu partido no Senado, senador Aloysio Nunes, e dos nossos companheiros na Câmara dos Deputados, deputado (Antonio) Imbassahy e deputado Jutahy (Magalhães Jr.). A aliança do PSDB com o Democratas é o núcleo de uma proposta alternativa de Brasil a esse modelo que está aí e exauriu-se. Um modelo que não apresenta mais qualquer capacidade de transformar o Brasil. Eu venho aqui, óbvio, que a política se faz também com símbolos, mas para trazer também o meu cumprimento pessoal ao prefeito ACM Neto, meu queridíssimo e pessoal amigo, e que já mesmo com poucos meses faz uma gestão que repercute muito fora, não apenas de Salvador, mas fora do estado da Bahia. E é óbvio que, quando se encontram homens públicos, pensa-se no Brasil. Eu tenho muito otimismo em relação à possibilidade de nós encerrarmos esse ciclo de governo do PT e estabelecermos no Brasil, rapidamente, um novo ciclo, que reúne ética e eficiência e que impeça que as principais conquistas que nós tivemos nas últimas décadas, como a estabilidade da economia e a credibilidade do Brasil sejam perdidas como o governo do PT vem ameaçando. Temos que cuidar agora de construir o nosso palanque, e é o que nós estamos fazendo, e a base, o núcleo, a essência desse palanque é a aliança do PSDB com o Democratas. Não havendo isso, estamos ambos fragilizados. E a presença, ao meu lado, do presidente nacional do DEM, José Agripino, é uma sinalização das mais importantes de que nós estaremos mais uma vez juntos, construindo uma nova página na história do Brasil. É extremamente relevante chegar na Bahia ao lado do senador Agripino.


Tribuna – Isso quer dizer que, numa eventual composição para o Palácio do Planalto, o DEM vai indicar o vice de Aécio Neves?

Aécio – É uma possibilidade, eu diria, até natural. Mas essa não é a questão que está sendo debatida agora, nem proposta agora pelo próprio Democratas. Obviamente, a composição se dará entre as forças políticas que estiverem ao nosso lado. Mais importante do que isso é a contribuição que o Democratas tem dado a esse debate no Congresso Nacional, pela qualidade das suas figuras, dos seus parlamentares, mas em especial pela qualidade e a liderança do seu líder maior, José Agripino, e nessas andanças pelo país. Nós temos o compromisso do senador Agripino de estar ao nosso lado em vários eventos que nós vamos realizar Brasil afora, e essa é uma sinalização muito importante para dar densidade ao nosso projeto.

Tribuna – O senhor vai conseguir unificar o partido e evitar uma possível prévia com o tucano José Serra?

Aécio – O PSDB nunca esteve tão unido. Eu tenho dito sempre, o companheiro José Serra tem toda legitimidade para postular o cargo que quiser, e dentro do partido nós respeitaremos sempre essa postulação. E a nossa expectativa é que essa questão seja resolvida naturalmente, no tempo certo. Hoje, a minha prioridade como presidente do PSDB é mobilizar o partido em todos os estados brasileiros e apresentar uma proposta alternativa a essa aí. Amanhã (sábado, pois a entrevista foi realizada durante a visita de Aécio Neves a Salvador na última sexta-feira), estaremos em Maceió, reunindo também lideranças de toda a região Nordeste, no início do esboço daquele que será o nosso conjunto de propostas, inclusive com relação à região Nordeste, que passa por problemas de infraestrutura que estão aí acabadas. Na verdade, o Brasil virou um grande canteiro de obras inacabadas. Passa por uma solidariedade maior do governo federal na área da segurança, hoje os estados e municípios investem 87% de tudo que é gasto em segurança pública no Brasil e a União apenas 13%, e nós sabemos do agravamento da questão da segurança, da criminalidade em toda a região. É preciso que o governo federal não se omita mais, dê respostas claras a essa questão. Na área da saúde, outro drama dos brasileiros. Mais uma vez o governo federal coloca ou transfere aos estados e municípios a responsabilidade com a maior parte do financiamento.

Tribuna – O senhor acredita que há uma fadiga do modelo do PT de governar?

Aécio – Eu acho que sim, porque o PT abdicou de ter um projeto de país e se contenta em ter apenas um projeto de poder. E que o tem levado a esse vale-tudo. Não temos no Brasil um governo de coalisão. Nós temos um governo de cooptação. E cooptação com dinheiro público, com emendas parlamentares, com cargos públicos e sem que esse governo possa inspirar a quem quer que seja uma perspectiva melhor lá adiante. A perda de credibilidade do Brasil junto a agentes financeiros e investidores internacionais é extremamente grave. O Brasil precisa de um projeto de país, até porque o PT abriu mão de ter esse projeto, o PT abriu mão de ter um projeto de país para se contentar em ter exclusivamente um projeto de poder. A nossa responsabilidade é essa, que as conquistas que nós obtivemos ao longo de décadas não sejam colocadas em risco como estão hoje algumas delas, como a estabilidade da economia, os pilares fundamentais da macroeconomia que nos trouxeram até aqui a credibilidade do Brasil, sobretudo internacional, retratada agora, infelizmente, pela pouca atratividade de alguns dos leilões de concessão apresentados pelo governo. Esses últimos leilões anunciados com enorme atraso pelo governo do PT de concessões de rodovias e agora até do próprio pré-sal, mostram a desconfiança que há em relação ao Brasil hoje. O longo aprendizado do PT ao longo de 10 anos – depois de demonizar as concessões e privatizações, busca fazê-las a toque de caixa – custou extremamente caro ao Brasil. O aprendizado do PT impediu que, por exemplo, nós tivéssemos ficado cinco anos sem qualquer leilão da Petrobras. E fez com que em 10 anos os principais eixos rodoviários do Brasil tivessem avanços mínimos. Está aí a BR-101 como exemplo na região claro em relação à incompetência e à inaptidão do governo pela boa gestão. Houve uma antecipação clara do processo eleitoral feita pelo governo, por iniciativa do ex-presidente Lula, no momento em que lança a presidente da República como candidata. O papel da oposição é permanentemente apresentar propostas, é permanentemente andar pelo país.

Tribuna - O que há de diferente agora no país?

Aécio - O que há de diferente e de inusitado nesse momento no Brasil é a ação do governo. Porque nós não temos mais uma presidente da República, nós temos uma candidata a presidente da República que se move, que se movimenta, única e exclusivamente em razão da eleição, que toma atitudes em razão da eleição. Nós temos hoje o governo do marketing comandando as decisões governamentais. Já o que nós queremos é ouvir os brasileiros e apresentar uma proposta que possa ser comparada à do governo. Eu digo com a mais profunda sinceridade: nós teremos algo novo a apresentar ao Brasil, nós seremos o novo nessas eleições. O velho serão aqueles que estão aí hoje sem capacidade de reagir a esse pífio crescimento da economia, sem capacidade de conduzir os investimentos do governo, porque hoje o Brasil é um grande cemitério de obras inacabadas, sem capacidade de inspirar confiança e credibilidade nos agentes privados, que deveriam estar vindo para o Brasil nos ajudar a retomar o crescimento da economia, já que a aposta no crescimento apenas pelo consumo pela oferta de crédito exauriu-se, chegou ao seu limite. O PSDB e o Democratas apresentar um projeto alternativo não é opção, é obrigação. É a nossa responsabilidade pela história que nós temos e pela parcela importantíssima que nós demos no passado para que o Brasil chegasse aonde chegou.

Tribuna – Qual deve ser o maior desafio do próximo presidente a ser colocado como prioridade no Brasil?

Aécio – O Brasil não pode se dar ao luxo de ter apenas um desafio. É um conjunto de medidas que precisam ser tomadas. A primeira delas é transformar o Estado em um instrumento de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Portanto, nós temos que ter um governo mais enxuto. Eu diria que é um acinte à inteligência da população brasileira você ter hoje praticamente 40 ministérios, 39 ministérios. O Brasil só perde, no mundo, para o Siri Lanka no número de ministérios. E ministérios que não entregam absolutamente nada de serviços de qualidade, que servem apenas para acomodar os companheiros. Até do ponto de vista simbólico, nós temos que ter um Estado mais enxuto e mais eficiente. Um Estado que seja mais solidário com os municípios e com os estados no financiamento da saúde, da educação e da segurança pública. Um Estado que não se submeta a um viés ideológico nas suas relações internacionais. Nós vamos, infelizmente, depois de termos crescido no ano passado apenas mais do que o Paraguai, crescer este ano apenas mais do que a Venezuela. O Brasil perdeu a liderança regional. O Brasil é hoje caudatário de decisões radicais de alguns países vizinhos e se submete a essas decisões de viés ideológico. Nós precisamos recolocar o Brasil no centro da região, como liderança definitiva, inclusive com reflexos políticos em outros países vizinhos. E termos um governo que atraia investimentos e valorize aquilo que é essencial para as pessoas, que é saúde, educação e segurança.

Tribuna – O senhor falou que o país hoje é um “país de obras inacabadas”. Como destravar gargalos, sobretudo na área de logística e infraestrutura?

Aécio – Estabelecendo prioridades. E o Brasil não tem. O Brasil, o governo do PT, trata como se fosse natural você ter obras com sobrepreços que passam do dobro daquilo projetado inicialmente e pelo meio do caminho. A transposição do São Francisco inicialmente foi orçada em R$ 3,5 bilhões para ficar pronta em 2010. Não se sabe quando ficará pronta e custou mais do que isso. A Transnordestina, que também foi orçada inicialmente em R$ 3,5 bilhões, está hoje orçada em mais de R$ 7 bilhões. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, inicialmente orçada em R$ 4 bilhões, já gostou mais de R$ 30 bilhões. Será a refinaria mais cara do mundo. Não se pode iniciar uma obra sem que ela tenha o projeto adequado e sem que haja os recursos para a sua conclusão. Não existe maior desperdício de dinheiro público do que você iniciar uma obra e não entregá-la, porque você gasta o dinheiro e o benefício não chega. Eu estive recentemente na região, visitando trechos da transposição do São Francisco, e é de uma irresponsabilidade que causa indignação a qualquer cidadão com o mínimo de sensibilidade. Obras abandonadas há três anos. Nas capitais, e Salvador é um exemplo disso, nós estamos com as obras do metrô se arrastando há 10 anos e o governo insiste nessa excentricidade – para não usar um termo mais forte – do trem-bala, que custaria R$ 38 bilhões aos cofres públicos. Com R$ 38 bi você faz 300 km de metrô nas principais capitais do Brasil. Então, falta prioridade ao governo, falta foco, gestão. Já que o aparelhamento da máquina pública é a principal marca desse governo. Eu acho que esse ciclo deve se encerrar, não em benefício do PSDB ou das oposições, mas em benefício do Brasil e dos brasileiros.

Tribuna – Uma possível aliança do senhor com Eduardo Campos encontra resistência em estados como a Bahia. Como fazer para transpor e superar desafios como esse?

Aécio – Eu respeito muito a trajetória do governador Eduardo Campos, eu acho que ele será um ator importante nesse cenário político que se avizinha. Ele tem propostas a apresentar ao país e que devem ser ouvidas. Na mesma forma, nós vamos construir as nossas propostas. Se houver, no futuro, a possibilidade de nos encontrarmos – e acredito que será muito bom para o Brasil –, mas o que nós temos que fazer hoje é respeitar a possibilidade hoje concreta de uma candidatura presidencial do governador de Pernambuco.

Tribuna – O PSB colocou à disposição os cargos que ocupava no governo. Isso facilita a aproximação do PSDB com o PSB?

Aécio – O tempo é quem vai dizer. Tenho uma amizade com o governador Eduardo Campos de muito tempo. Nossos avôs foram parceiros em momentos importantes da história brasileira, Tancredo Neves e Miguel Arraes. O Eduardo sempre foi um político que enxergava longe, político muito astuto, no bom sentido dessa expressão. Eu acho que essa entrega dos cargos é uma percepção clara que nós já havíamos tendo há muito tempo e que ele passa a ter que esse modelo que está aí, esse ciclo do PT vai se encerrar. Ele que se coloca como uma alternativa. É absolutamente natural. Eu aplaudo a posição do governador Campos e vamos caminhar, cada um na sua estrada. Quem sabe um dia elas se encontram para o bem do Brasil? O tempo é que vai dizer e obviamente a população brasileira que vai decidir.

Tribuna – O principal alvo será o governo da presidente Dilma? Há esse acordo?

Aécio – Sem dúvida. Não que haja um acordo. É natural que qualquer candidatura que surja fora da base do governo é porque não concorda com o governo, é porque questiona o governo. E nós queremos ir para o embate, em todas as áreas. Na área econômica é quase uma covardia. Nós que estabilizamos a economia, nós que fizemos a Lei de Responsabilidade Fiscal, com a oposição ferrenha do PT, numa outra ação, no plano real e na lei, nós que internacionalizamos a economia, readquirimos a capacidade, resgatamos a credibilidade do Brasil, estamos vendo todas essas conquistas hoje colocadas em risco. Se quiserem ir para o debate da gestão, nós vamos mostrar que o Estado não se administra da forma como se administra hoje o Brasil. As agências reguladoras criadas pelo presidente Fernando Henrique lá atrás foram desmoralizadas pelo governo do PT, se transformaram em cabide de emprego. E algumas delas instrumentos de negócios escusos, já denunciados pela própria Polícia Federal. E nos indicadores sociais nós vamos dar exemplos. Eu darei o exemplo do que nós fizemos em Minas Gerais. Minas Gerais com métodos, com metas e com gestão eficiente passou a ter hoje a melhor educação do Brasil. Nós queremos mostrar que a gestão pública pode ser eficiente quando se tem metas, quando se tem gente qualificada nos lugares certos e coragem para enfrentar as corporações.

Tribuna – Como vê a disputa eleitoral na Bahia? O fortalecimento da oposição vai lhe ajudar no seu projeto?

Aécio – Eu vejo uma ação muito bem coordenada das oposições, sob a liderança do prefeito ACM Neto, que conta com os companheiros do PSDB, que conta com os companheiros do PMDB, do PV e do PPS. Eu acho que nós teremos uma candidatura, qualquer que seja ela, de qualquer um desses partidos, muito sólida, muito consistente. Obviamente, será muito importante, porque o que acontece na Bahia repercute em todo o Nordeste e repercute em todo o Brasil. Eu tenho certeza que teremos aqui, sob a liderança do prefeito ACM Neto, um palanque bem estruturado e, obviamente, com a participação dos companheiros do PSDB.

Tribuna – Na Bahia, o PMDB faz oposição ao governo do PT, mas, no plano federal, é aliado de Dilma. Como será feita essa relação?

Aécio – Eu tenho uma amizade pessoal grande com o deputado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, a liderança maior do PMDB. Fomos parceiros na Câmara dos Deputados. Quando eu me elegi presidente da Câmara dos Deputados eu era líder do PSDB e ele era o líder do PMDB, a nossa articulação foi fundamental. A firmeza com que Geddel construiu ali a nossa aliança foi fundamental para que a nossa vitória ocorresse, agora, eu respeito, obviamente, as circunstâncias locais. O que eu percebo do prefeito ACM Neto, do companheiro (José Carlos) Aleluia, dos companheiros nossos do PSDB que aqui estão, Imbassahy e João Gualberto, é uma intenção grande de manter o PMDB dentro dessa aliança no estado. E eu acho que é muito importante que isso ocorra. O que eu puder ajudar ou estimular a construção de um palanque, a manutenção de um palanque que já veio na eleição municipal, no segundo turno, aqui para a eleição estadual. Eu acho que quem ganha é a Bahia. E felizmente nós temos nomes qualificados em todos os partidos para liderar a chapa, para compor a chapa. Eu tenho muito otimismo em relação ao PMDB para que ele permaneça conosco como acontece em várias partes do Brasil, onde parcelas importantes do PMDB também se cansaram do que está aí e pode caminhar ao nosso lado.

Tribuna – O que a população do estado pode esperar de Aécio Neves?

Aécio – Seriedade, ética e uma vontade enorme de fazer o Brasil voltar a caminhar em busca de um futuro melhor. O governo do PT se contenta apenas com a administração da pobreza. Nós queremos mais, nós queremos a superação da pobreza. Para o PT, por exemplo, o Bolsa Família é o ponto de chegada. Para nós é o ponto de partida.